Processo de Exclusão
A partir de setembro de 1939, com a invasão da Polônia, o III Reich iniciou uma nova etapa, mais pragmática, na política de segregação racial. Em território polonês, onde a colônia judaica concentrava cerca de 3,5 milhões de pessoas, foram criados os guetos, espaços nos quais os judeus eram confinados e compelidos a usar um distintivo com uma estrela amarela em suas roupas, que identificava a religião, e obrigados a trabalhar para o esforço de guerra alemão. Nessa etapa, as condições subumanas a que essas pessoas eram submetidas levaram milhares à morte. Estima-se que até 22 de julho de 1942 cerca de 100 mil pessoas tenham morrido de inanição. Não se sabe, contudo, se o confinamento em guetos já fazia parte de um plano que previa o genocídio praticado depois. Três semanas após a invasão da Polônia o chefe do Escritório Central de Segurança do Reich, Reinhard Heydrich, ordenou que os judeus poloneses se mantivessem estreitamente agrupados "como condição prévia para o objetivo final" -- uma frase enigmática que, embora dê indícios de um projeto maior, não comprova que os nazistas já teriam em mente o extermínio em massa. Para eles, o confinamento era justificado pela necessidade de excluir os judeus, tidos como uma praga. Em muitos locais foram afixadas tabuletas com as palavras "judeus-piolho-tifo". O primeiro gueto foi estabelecido em Lodz, segunda maior cidade da Polônia, no início de 1940, e abrigou entre 160 mil e 200 mil pessoas em uma área de 3,2 quilômetros quadrados. O maior foi o de Varsóvia, formado no mesmo ano, onde foram confinados cerca de 500 mil judeus e ocorreu o mais significativo movimento de resistência judaica, o Levante do Gueto de Varsóvia. Nos guetos, a administração de assuntos da comunidade era de responsabilidade dos Jundenräte -- conselhos formados por judeus --, que se reportavam aos alemães. Essas organizações sofreram muitas críticas pela pouca resistência que ofereceram aos alemães. Integrantes dos Jundenräte acreditavam que, adotando uma conduta de colaboração com os nazistas, poderiam aliviar o sofrimento da população do gueto, que vivia sob racionamento de alimentos e remédios e habitava cubículos sem calefação durante o rigoroso inverno polonês -- as condições a que eram submetidas no regime de confinamento eram dramáticas, o que provocou várias epidemias, especialmente a de tifo. Outros guetos importantes foram os de Cracóvia, com aproximadamente 72 mil judeus, Lublin, com cerca de 40 mil, e Vilna, com algo em torno de 60 mil. A partir de 15 de outubro de 1941 uma nova ordem de conduta alemã passou a punir com pena de morte os judeus que deixavam os guetos.