O que todo criador de lagartos deveria saber
Para se proteger dos predadores, alguns
“inventaram” cores berrantes, como os geckos; outros mudam de cor de acordo
com o ambiente, como os camaleões. Na pele de diversos lagartos existem venenos
suficientemente poderosos para manter os agressores a distância.
Além das necessidades básicas
(alimentação, iluminação, etc.), existem alguns conceitos elementares que
precisam ser conhecidos pelo admirador de lagartos: o sistema de regulação da
temperatura; seus hábitos sociais, especialmente a demarcação do território;
a maneira Omo absorvem e metabolizam sais fundamentais ao desenvolvimento, a
determinação do sexo dos filhotes, etc.
A temperatura correta, porém, nem
sempre está relacionada somente ao local
de origem. Alguns lagartos de Madagáscar, por exemplo, são diurnos, mas
adaptam-se facilmente a ambientes mais frescos, porque tem o habito de passar o
dia ocultos sob as folhas. O ideal é a instalação de rochas aquecidas, para
que o próprio animal decida quando deve ficar “quente” ou “frio”. Mas
é preciso ter cuidado para que as lâmpadas e rochas não superaqueçam o terrário,
o que pode ser fatal para os lagartos.
Outro ponto a considerar é a amplitude
térmica. Em locais de estações claramente definidas, como é o caso dos EUA e
da Europa, os lagartos precisam da variação térmica para reduzir o
metabolismo, acumular gordura e, no retorno dos dias quentes, retomar as suas
atividades: caçar, acasalar, etc.
A defesa do território, em geral, é
expressa por gestos. Um macho se torna dominante, impedindo os demais de se
aproximar das fêmeas e mesmo de caçar.
Na natureza, o comportamento natural é enfrentar o dominante ou procurar outra
região para estabelecer o território; entretanto, é muito difícil que haja
espaço suficiente no terrário para que isso possa ocorrer, mesmo quando as
lutas não se efetivam, o animal submetido vai procurar se ocultar, fator que
provoca estresse, impede a alimentação adequada e termina por provocar a morte
do animal.
Especialmente as espécies mais coloridas, como as do gênero Phelsuma, são incapazes de absorver a vitamina D3 presentes nos alimentos. É necessária, para estes animais, a instalação de fontes ultravioleta, de vez que, na pele destes lagartos, existem células especializadas na metabolização dessa substancia. A vitamina D3 é indispensável na fixação de cálcio e fósforo, elementos necessários à boa conformação do esqueleto. Para corrigir este problema, pode-se optar por rações especiais, ricas em sais minerais, ou pulverizar o alimento (inclusive presas vivas) com casca de ovo moída, por exemplo. Lâmpadas especiais podem ser instaladas, para simular a luz solar e permitir que os próprios animais metabolizem a vitamina D3.
Todas as espécies de Eublepharidae (como
os leopards geckos) e Phelsumas (laticauda, lineatus, etc.)
tem o sexo determinado pela temperatura.