Doenças ósseo metabólicas

   

   Por ser uma patologia freqüente nos animais em cativeiro, a doença ósseo metabólica deve ser melhor compreendida pelos herpetoculturista. Os ossos possuem em sua composição uma porção protéica, produzida por células denominadas osteóides e uma porção mineral composta principalmente por cálcio e fósforo. Na dieta dos répteis deve haver um equilíbrio nos níveis de cálcio e fósforo, sendo adequado uma a duas partes de cálcio para uma parte de fósforo (1,2:1). De maneira simplificada, pode-se dizer que quando este equilíbrio é rompido ou ocorre deficiência de cálcio ou vitamina D, aparecem as doenças ósseo-metabólicas, tais como raquitismo, osteoporose, osteomalácia, osteodistrofia fibrosa e hiperparatireoidismo nutricional secundário. A carne bovina ( músculo esquelético) tem uma proporção de cálcio-fósforo de aproximadamente 1:25, já o fígado e coração tem uma proporção de 1:44, o que significa que são alimentos pobres em cálcio e ricos em fósforo. Com uma dieta deficiente em cálcio o organismo passa a dar prioridade às suas necessidades. Como esse elemento entra em reações vitais do organismo, como contração do músculo cardíaco, reações enzimáticas, coagulação do sangue e outras reações bioquímicas, o cálcio passa a ser retirado dos ossos e liberado para a corrente circulatória. Dá-se então a descalcificação do esqueleto. Esse processo metabólico é mediado pelos hormônios paratormônio e calcitonina e pela vitamina D, que estimula absorção de cálcio nos intestinos. A vitamina D3 é sintetizada na pele via irradiação ultra-violeta (luz solar). Daí a importância dos animais receberem luz solar ou irradiação de lâmpadas ultravioletas. Na doença óssea metabólica os ossos ficam enfraquecidos, podendo curvar ou fraturar a qualquer esforço. As deformidades ósseas também afetam a maxila e mandíbula, tornando os dentes soltos nos alvéolos. Iguanas podem apresentar os membros locomotores e cauda inchados. Nos jabutis e tartarugas o crescimento é retardado e a carapaça fica deformada pela calcificação deficiente. Os animais acometidos pela doença óssea metabólica locomovem-se menos ou mancam em conseqüência da dor ou deformidade nas articulações e ossos. Em muitos casos, essas lesões são irreversíveis. Na hipocalcemia aguda (deficiência de cálcio na corrente circulatória), mais freqüente em iguanas, o anima pode apresentar paresia e convulsões tetânicas, vindo a morrer. O tratamento da doença óssea metabólica consiste em corrigir a dieta; suplementar vitamina D3 e cálcio via oral na forma de carbonato de cálcio, farinha de ossos autoclavada ou outro suplemento. Animais em hipocalcemia aguda devem ser medicados com gluconato de cálcio, se possível via endovenosa.

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