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Cientista português revela a importância do tamanho nas relações entre presa e predador


Quinta, 13 de março de 2007  

Os resultados obtidos por José Xavier - investigador do Centro de Ciências do Mar do Algarve -, e pelo Professor John Croxall - da British Antarctic Survey, Inglaterra (membro da Royal Society de Londres e actual responsável pelo Programa global de aves marinhas da “Birdlife International”) -, demonstram que as espécies de albatrozes que vivem na Antárctica seleccionam as espécies de lulas para seu alimento, não só de acordo com o seu tamanho, mas também consoante o método de alimentação dos seus predadores, o momento em que os predadores e as presas se reproduzem e as áreas onde ambos se alimentam.

Daí que seja possível encontrarmos espécies muito semelhantes morfologicamente mas que, ao apresentarem estratégias de vida diferentes, são capazes de sobreviver e perpetuar a espécie.

O autor principal deste estudo, José Xavier, salienta a importância desta descoberta “é um artigo muito interessante pois mostra que, para compreender o meio marinho deveremos ter em conta, não só como os predadores vivem, mas também a vida das suas presas, algo que os ecologistas marinhos não tinham em conta. Este estudo é precursor na área de estudos marinhos nas regiões polares, pelo modo como demonstra que através das relações predador-presa muitas espécies de lulas, se podem reproduzir de forma estratégica durante o Inverno Antárctico, quando o seu alimento não é muito abundante e, da mesma forma, provámos que os albatrozes podem ter evoluído de acordo com essa estratégia de vida adoptada pelas lulas, que são o seu alimento principal”.

O estudo foi publicado recentemente no jornal Journal de Zoology, de Londres, um dos jornais internacionais mais reputados na área de Zoologia.

Dados biográficos

José Xavier é doutorado pela Universidade de Cambridge, Inglaterra. Biólogo marinho com numerosas publicações nas áreas de Ecologia, Conservação e Gestão de recursos marinhos no Oceano Antárctico e no Oceano Atlântico. O seus estudos mais recentes focam a ecologia de cefalópodes em relação aos seus predadores e pescas no Oceano Antárctico e em águas europeias.
É um dos investigadores portugueses que desenvolve trabalho científico na Antárctida e pertence ao Comité para o Ano Polar Internacional, um programa científico e educacional sobre as regiões polares que se iniciou a 1 de Março de 2007. O último Ano Polar Internacional foi há 50 anos e Portugal participa pela primeira vez na sua história.
Os dados agora publicados serão usados para comparação com outros importantes estudos que irão decorrer no Ano Polar Internacional.

Origem: Ciência Hoje

disponível em:<http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=20867&op=all>

 




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