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Polvo curioso inunda aquário
02/03/2009
Para um polvo habilidoso, uma tentativa de fuga acabou numa enorme inundação na semana passada no Aquário de Santa Monica Pier, Califórnia.
A fêmea de polvo Octopus bimaculoides nadou até ao topo do seu tanque, desmontou uma válvula com os seus poderosos tentáculos e deixou sair 760 litros de água para os escritórios e exposições próximas. O animal de 30 cm de comprimento permaneceu no seu tanque e sobreviveu à aventura mas os novos pavimentos do aquário já não tiveram a mesma sorte.
Este tipo de diabruras são típicas da inteligência ainda pouco estudada destes invertebrados, dizem os peritos. “Os polvos têm uma maravilhosa combinação de inteligência, capacidade de manipulação, curiosidade e força”, diz Jennifer Mather, professora de psicologia na Universidade de Lethbridge, Canadá, que tem estudado a cognição em polvos. “Por isso, o resultado é que todos os que alguma vez mantiveram polvos em cativeiro tem uma série de histórias sobre como os animais podem ir a qualquer parte de um aquário.”
Muitos polvos revelam um comportamento que sugere curiosidade, consciência e mesmo um sentido de humor, diz Eugene Linden, autor do livro de 2002 O polvo e o orangutango: Mais histórias verdadeiras de intriga, inteligência e engenho animais. Numa ocasião, um polvo a quem tinha sido dado camarão um pouco estragado enfiou-o no dreno, na presença e a olhar para o seu tratador, diz Linden.
Os polvos selvagens também mantêm lares e conseguem lembrar-se dos locais onde estiveram na sua vizinhança, o que aponta para uma possível consciência pessoal, diz Mather.
Mas é difícil provar directamente que os polvos são inteligentes. Um animal que tem como prima a pouco conceituada amêijoa já “está em conflito com o que é o senso comum de onde devemos procurar inteligência”, diz Linden.
Para além disso, muitos cientistas também acreditam que os seres inteligentes são sociais, aprendem uns com os outros e precisam de um tempo de vida longo para desenvolver o poder mental e os polvos apenas vivem cerca de um ano e são animais solitários.
“É uma delícia pensar que a natureza nem sempre segue as nossas regras quando decide criar um ser inteligente”, diz Linden.
Já Mather sugere que os polvos podem ter desenvolvido a inteligência como forma de lidar com um ambiente altamente complexo, normalmente os recifes de coral, onde eles têm que tomar decisões de vida ou morte com a velocidade de um relâmpago.
Por exemplo, os animais são extremamente flexíveis, capazes de encaixar os seus corpos sem ossos através das fendas mais estreitas. Algumas espécies conseguem alterar a sua cor no espaço de 1/13 de segundo.
Quanto à fêmea cheia de recursos de Santa Monica, o pessoal do aquário rodearam o seu aquário de novos fechos e selaram-nos para evitar futuras fugas mas, como salienta Mather, “não há muitas situações que os impeçam de fazer o que querem”.
Fonte: http://www.unibh.br/cienciasbiologicas/
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