ROSÁRIO COM EFEITO RETROATIVO
O Cardeal Hayes, de Nova Iorque, contou num sermão o seguinte fato:
"Faz alguns anos, Mr. Thompson voltou para a Igreja Católica. Sua conversão foi sincera. Mas um grande sofrimento o oprimia desde a sua conversão: no tempo em que vivera afastado da Igreja, recusara-se terminantemente a permitir o batismo de seus filhos e uma de suas filhas havia morrido sem batismo. O sentimento de culpa pesava-lhe tremendamente na alma.
Um dia falou-me da sua grande tristeza e me perguntou:
'O que é que poderei fazer por minha filha?'
'Reze por ela.', respondi-lhe.
'Mas como pode valer-lhe a minha oração, já que morreu sem o batismo?'
'Reze apesar disso e recomende a sua filha à bondade de Deus!'
'Mas se não há meio de salvação para ela, o que poderá fazer o próprio Deus?'
'Mas o senhor não sabe que para Deus não há passado, nem futuro?', tentei consolá-lo.
'Então o senhor acha que minha filha pode, apesar de tudo, salvar-se, caso eu rezar agora em diante por ela?'
'Bem. Eu explico este caso assim: Deus, a quem todas as coisas estão presentes e que já previu sua oração futura, terá salvo sua filha de qualquer maneira. Para tanto, não faltam a Deus meios e maneiras, mesmo que nós homens não o compreendamos.'
Mr. Thompson despediu-se consolado e começou bombardear o céu com orações por sua filha. Resolvera rezar todos os dias, até a sua morte, o rosário inteiro nesta intenção.
Eu já havia esquecido este caso, quando após muito tempo o bom homem me veio visitar, fora de si de alegria: 'Eminência, minha oração foi realmente atendida! Deus salvou minha filha; ela está no céu!' Parecia que meu amigo tivesse perdido o juízo. E ele começou a contar: 'Ontem visitou-me Betsy, nossa ex-doméstica que há muitos anos, até pouco antes da morte de minha filha, estava a nosso serviço. Quando ela, no correr da nossa conversa percebeu que eu me havia católico, ela ficou tomada de intensa de alegria e exclamou:
'Como Deus é bom! Há tantos anos rezo por sua conversão e agora tenho a graça de vê-la confirmada!' Nos falamos naturalmente de diversas outras coisas, entre as quais da grande preocupação que me pesava a alma, com relação à minha filha.
'Mas que filha?' perguntou ela.
'A Myrthe, de quem você tanto gostava!'
'Sim, mas quem disse que Myrthe morreu sem batismo?'
'Mas é a pura verdade, porque até o último instante impedi o seu batismo!'
'Ah, sim, me lembro. Mas o senhor acha que todas as suas proibições foram respeitadas? Eu, como boa irlandesa que sou, não me importei com suas imposições e mandei batizá-la, antes que morresse. Era de noite, na festa da Assunção da Mãe de Deus; e pedi que o padre a batizasse com o nome de Maria.'
Mal contendo a alegria que me ia na alma, perguntei-lhe: 'Mas é possível?'
'Tão possível quanto o fato de eu estar à sua frente', reafirmou-me Betsy. E se não quiser acreditar, então peço que vá à casa paroquial. Ali lhe poderão extrair o atestado de batismo da pequena Maria.'
Dizendo isto, meu amigo tirou do bolso seus documentos e, cheio de carinho e emoção, desdobrou-me o atestado de batismo que o padre vigário lhe fornecera. A oração de Mr. Thompson tivera, portanto, efeito retroativo ...
Mons. Alfons M. Weigl
Extraído do Livro da Família de 1983.
"Pois meus pensamentos não são os vossos,
e vosso modo de agir não é o meu, diz o Senhor;
mas tanto quanto o céu domina a terra,
tanto é superior à vossa a minha conduta
e meus pensamentos ultrapassam os vossos."
Isaías, 55,8-9