CARIDADE - O CAMINHO EXCELENTE

Lendo algumas partes do diário da Santa Irmã Faustina [1] encontrei um trecho que me agradou profundamente:

"Jesus veio hoje à portaria (do convento) na figura de um jovem pobre. Esse miserável jovem, com as vestes terrivelmente rasgadas, descalço e com a cabeça descoberta, estava com frio, porque o dia era chuvoso e frio. Pediu algo de quente para comer. Fui à cozinha e não encontrei nada para os pobres; mas depois de procurar por um momento, achei um pouco de sopa, que esquentei, ajuntei um pedaço de pão e ofereci ao pobre, que a tomou. No momento em que estava me entregando o prato, deu-me a conhecer que era o Senhor do céu e da terra. Quando vi quem ele era, desapareceu aos meus olhos.

Entrando em casa, refleti sobre o que tinha sucedido na portaria, e ouvi estas palavras na alma: ‘Minha filha, chegaram aos meus ouvidos as bênçãos dos pobres que, afastando-se da portaria, bendizem-me, e gostei dessa tua caridade nos limites da obediência e por isso desci do trono, para saborear o fruto da tua caridade.’"

Este belo relato nos lembra Mt 25,34-40: "Então o Rei dirá aos que estão à direita: ‘Vinde , benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo, porque tive fome e me destes de comer; tive sede e me destes de beber; era peregrino e me acolhestes; nu e me vestistes; enfermo e me visitastes; estava na prisão e viestes a mim.’ Perguntar-lhe-ão os justos: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos peregrino e te acolhemos, nu e te vestimos? Quando foi que te vimos enfermo ou na prisão e te fomos visitar?’ Responderá o Rei: ‘Em verdade eu vos declaro: todas as vezes que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, foi a mim que o fizestes.’" Nos versículos seguintes Jesus narra o destino daqueles que não fizeram caridade: o fogo eterno destinado ao demônio e aos seus anjos; o castigo eterno.

O interessante é que muitas vezes, quando fazemos algum ato de caridade, temos somente a impressão de que fizemos algo de bom para uma pessoa necessitada, mas nem sempre nos damos conta do bem que também recebemos. Aquela pessoa carente do seu auxílio (não necessariamente de bens materiais) pode ser uma pessoa que Deus colocou no seu caminho para que você fosse misericordioso, para te ajudar a merecer a recompensa eterna! E a gente nem percebe isso. Mas tem que ser por verdadeira caridade, por amor a Jesus e ao próximo.

Na parábola do rico e de Lázaro (Lc 16,19-30), o homem rico, que se vestia de linho finíssimo, comia do bom e do melhor e nunca deu a menor importância à indigência do pobre Lázaro deitado à sua porta. Conclusão: Lázaro foi para junto do patriarca Abraão e o rico foi para os tormentos do inferno. O rico pão-duro e de coração duro também nunca se deu conta de que, dia após dia, estava desperdiçando a oportunidade que Deus estava lhe dando de ser salvo.

Que Jesus arranque o nosso coração de pedra, egoísta, que não sabe amar e partilhar os nossos dons, e nos dê um coração bondoso, caridoso e misericordioso como o dele, para que possamos acolher com muito amor todos os que estiverem necessitados da nossa caridade.

Amém!

"Assim também a fé, se não tiver as obras, é morta em si mesma. Mas dirá alguém: ´Tu tens a fé e eu tenho as obras´; mostra-me a tua fé sem obras e eu te mostrarei a minha fé pelas minhas obras." (Tg 2,17-18)

Marcelo Cordeiro.

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A Irmã Faustina nasceu na Polônia em 25/08/1905 e faleceu em 05/10/1938. Durante sua vida, tinha aparições de Jesus, que lhe confiou a missão de divulgar a devoção à Divina Misericórdia. Em 1978, a Sagrada Congregação da Doutrina e Fé autorizou a devoção à Divina Misericórdia. Em 1993, Ir. Faustina foi beatificada, em Roma, e canonizada em 2000 pelo Papa João Paulo II.

[1] Extraído do livro EU SOU O AMOR E A PRÓPRIA MISERICÓRDIA, do Prof. Dr. Bruno Rychlowski S.D.B., Editora Paulus, 1993

 

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