Compaix�o e miseric�rdia, este foram os sentimentos do jovem J�lio Chevalier, que nasceu em 15 de mar�o de 1824, no Berry, uma das regi�es mais descristianizadas da Fran�a naquela �poca, ao contemplar as vastas regi�es do interior da Fran�a e do mundo atingidas pela falta de f�, pela indiferen�a religiosa, e como conseq��ncia disto, por grandes defici�ncias sociais e morais.
Encontrava a causa destes males no ego�smo, o qual possui como raiz o orgulho humano que, segundo o livro do Eclesi�stico, tem como princ�pio o afastar-se de Deus e manter o cora��o longe do Criador (cf. Ecl 10, 12).
De fato, no livro do G�nesis, nas tr�s narrativas que nos mostram os efeitos do pecado, � o orgulho que leva a pessoa humana � n�o realiza��o de suas potencialidades.
Ao querer ser igual a Deus, o ser humano distancia-se da comunh�o com ele. Tal distanciamento representa uma ruptura na pr�pria estrutura do seu ser, o qual � possuidor de uma estrutura dialogal, destinado a ser o interlocutor de Deus, no que encontra a sua maior dignidade.
Como conseq��ncia disto acontece a ruptura das rela��es com o irm�o. Indignado por ser a oferta de Abel melhor aceita por Deus que a sua, Caim considerando-o um �havel�, um nada, elimina qualquer possibilidade de di�logo matando-o.
No cume deste processo de autodestrui��o temos a narrativa da constru��o da Torre de Babel, quando a sociedade ao pretender, movida pelo orgulho, colocar-se no mesmo n�vel de Deus realiza o processo inverso da cria��o, chega ao caos, onde a comunica��o � imposs�vel.
Deve-se recordar que a reda��o destes textos tem como fundo hist�rico o ex�lio da Babil�nia, visto como conseq��ncia da ruptura da Alian�a. O povo se pergunta como Israel p�de ter chegado �quela situa��o.
Tamb�m o Pe. Chevalier tendo sob os olhos todos os males do seu tempo se pergunta qual a sua origem e busca dar uma resposta: �Qual � o verme que corr�i os homens e a sociedade? Qual � o mal principal que contem e resume todos os outros males? � o Ego�smo�. No entanto, procedendo como os bons m�dicos, os quais �exploram sempre a raiz das doen�as e sempre chegam � fonte dos males� (J. Cris�stomo, In Rom. X, 1), continua a investiga��o: �Mas, o que � o Ego�smo? Qual � a sua fonte? O Ego�smo � fruto do orgulho�.
Por�m, n�o aponta somente a fonte do mal, mostra o �nico rem�dio capaz de elimin�-la: �O Cora��o de Jesus � o rem�dio para esse mal t�o terr�vel, t�o extenso: �Aprendei de mim que sou humilde de cora��o�� (J. Chevalier, Ms 10).
J� nos tempos em que estava no Semin�rio de Bourges, onde ficou cinco anos a partir de 1846, ele encontra esta resposta quando no Tratado da Encarna��o do Verbo Eterno no seio da Virgem Maria o seu professor faz uma exposi��o sobre o Sagrado Cora��o de Jesus. Eis o seu testemunho pessoal:
"Estudando o tratado da Encarna��o, nosso professor completou-o com uma tese sobre a devo��o ao Sagrado Cora��o. Desenvolveu-a, com muita sabedoria e piedade. Transcrevi-a na �ntegra. Essa doutrina me tocava o cora��o e quanto mais nela me aprofundava, mais crescia em mim o gosto pela sua beleza. Meu confessor me emprestou o livro sobre a vida da Bem-aventurada Margarida Maria, escrito por D. Languet. Essa leitura despertou em mim um vivo desejo de me fazer ap�stolo dessa devo��o que o pr�prio Nosso Senhor apresentava ao mundo, como um meio poderoso de santifica��o e que desejava ver difundida por toda parte. Para corresponder ao seu apelo planejei reunir, quando me tornasse padre , alguns confrades piedosos e cheios de zelo, para juntos trabalharmos na propaga��o do culto ao Sagrado Cora��o. Tinha em mira, ent�o, dois de meus colegas que me pareciam preencher as condi��es requeridas. Receando cair no rid�culo ou ser objeto de zombaria, guardo para mim mesmo esse belo sonho e n�o o conto a ningu�m. Guardo-o somente no Cora��o de Jesus e no de sua M�e Imaculada . Depois de ter recebido sucessivamente as v�rias ordens, sou finalmente ordenado sacerdote . Fui ordenado na v�spera da festa da Sant�ssima Trindade de 1851, no dia 14 de junho, depois de cinco anos de semin�rio maior. Celebrei minha primeira Missa, na capelinha do jardim, dedicada � Sant�ssima Virgem" (Notas �ntimas, pag. 13).
Ele vai escrever mais tarde aos Mission�rios do Sagrado Cora��o que fundou na sua primeira par�quia, em Issoudun, no dia 8 de dezembro de 1854, dia em que em Roma Pio IX proclamava o Dogma da Imaculada Concei��o: "Se compreend�ssemos a grandeza do minist�rio que nos foi confiado: 'Amado seja por toda a parte o Sagrado Cora��o de Jesus'. Para dar um rem�dio eficaz � sociedade moderna que se precipita cegamente no abismo da impiedade, Jesus nosso Senhor abriu aos homens o seu Sacrat�ssimo Cora��o. E n�s somos os enviados a administrar este rem�dio ao mundo!".
S� numa atitude de humildade diante do Criador, a qual aprendemos do Cora��o de Jesus, conscientes de que tudo provem dele, e assumindo o ser o seu interlocutor, ser a sua imagem e procurando cada dia mais ser a sua semelhan�a, caminharemos para a nossa plena realiza��o existencial.
No entanto, Pe. Chevalier nota que Cristo n�o nos � s� um exemplo, � aquele que realiza a religa��o entre n�s e a Divindade, e isto o faz na sua Encarna��o. � no Cora��o de Cristo que se d� o eterno abra�o entre a nossa humanidade e Deus.
Al�m disto, como do lado de Ad�o saiu Eva, do Cora��o de Cristo no sono da cruz nasce a sua esposa, a Igreja, como tamb�m os sacramentos, �meios para nos unir mais estreitamente � caridade divina. Cada dia, a cada instante do dia ele nos oferece a gra�a da qual ele � a fonte; mas a gra�a, o que � a gra�a sen�o o la�o sagrado de amor que nos religa � Divindade�.
Dentre os sacramentos destaca a Eucaristia, �esta outra efus�o t�o maravilhosa de sua imensa caridade. Ela n�o s� nos religa, mas nos solda e nos funde ao pr�prio Verbo encarnado� (J. Chevalier, Sagrado Cora��o, p. 395), de modo que podemos dizer com o Ap�stolo: �J� n�o sou eu que vivo, mas � Cristo que vive em mim� (Gal 2, 20). |
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