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Um elemento essencial na Espiritualidade do Cora��o
do Pe. Chevalier
Na experi�ncia-intui��o que o fundador dos Mission�rios do Sagrado Cora��o tem do Cora��o de Jesus, do Mist�rio do Verbo Encarnado, como rem�dio para os males do mundo, enquanto realiza��o da promessa do cora��o novo e do esp�rito novo que nos tempos da Nova Alian�a Deus nos haveria de dar (Jr 32, 37-41; Ez 11,17-20; 36,24-27), e, conseq�entemente, na sua espiritualidade, Maria ocupa um lugar todo especial. Isto se deve � singular prote��o da Virgem Sant�ssima que o Pe. J�lio Chevalier p�de provar desde os primeiros momentos da funda��o deste grupo de homens, os quais o pr�prio Cristo "enviou para ministrar ao mundo este rem�dio" (Pe. Chevalier, 1900).

Em uma das tantas prova��es que teve de enfrentar, chega a formular a seguinte promessa: "Em gratid�o a Maria eles a ter�o como fundadora e a associar�o a todas as suas obras, fazendo-a amada de modo especial" (Pe. Chevalier, 1855).

Mais tarde, como resultado desta experi�ncia e de sua reflex�o pessoal, vai tomando profunda consci�ncia da rela��o de amor inef�vel que existe entre o Imaculado Cora��o de Maria e o Sagrado Cora��o de seu Filho, e assim nasce o t�tulo de Nossa Senhora do Sagrado Cora��o.

No entanto, � na l�ngua latina que este t�tulo expressa muito melhor sua for�a e correta compreeen��o: "Domina Nostra a Sacro Corde", ou seja, Nossa Senhora que nos � dada pelo Sagrado Cora��o.

Esta rela��o de amor e colabora��o entre Jesus e Maria, a qual n�o consiste principalmente em la�os humanos (Lc 3, 31-35), mas na f�, sendo ela a primeira disc�pula, deixa-se ver de modo especial no Evangelho de Jo�o.

Nas Bodas de Can� (Jo 2,1-12), "no terceiro dia", clara refer�ncia � ressurrei��o, l� est� presente o �cone da Igreja (Jo 2,1), a espera do noivo messi�nico (Jo 3, 29).

Tendo terminado o vinho, s�mbolo da alegria (Sl 104,15), da antiga alian�a, a Mulher (cfr. Gn 3,15), a nova Eva, interv�m, mesmo n�o tendo chegado a hora do seu Filho (Jo 17,1), o momento em que se manifestar� o seu papel de colaboradora na salva��o da humanidade (Jo 19,25-27). E mesmo diante de uma resposta aparentemente negativa a Virgem Sant�ssima, como o fez a mulher siro-fen�cia (Mt 15,27-28), conhecendo o Cora��o que tinha formado no seu seio e educado, apresenta um argumento incontest�vel: a f�. E com uma express�o que relembra a resposta do povo a Josu� na renova��o da alian�a em Siqu�m (Js 24,24) afirma: "Fazei tudo o que ele vos dizer" (Jo 2,5).

Como resposta Jesus pede que se encha as talhas de pedra, s�mbolo do legalismo e formalismo que se tinha transformado a antiga alian�a fazendo somente abundar o pecado, com �gua e faz a alegria voltar atrav�s da superabund�ncia da gra�a (Rm 5,20), sendo que o vinho novo � de qualidade muito superior � do primeiro (Jo 2, 9-10).

Assim, atrav�s da interven��o de Maria, os disc�pulos de Cristo chegam � f�, diante da manifesta��o de sua gl�ria, iniciando-se assim o verdadeiro casamento: a nova e eterna alian�a entre Cristo e a Igreja nascente.

Tendo chegado a hora de Cristo Jesus, o momento da sua eleva��o, no qual reuniria todos os filhos de Deus dispersos (Jo 11,51-52; 12,32), l� estava, de p�, a sua m�e. L� est�o, como no p�s-ex�lio, o Templo (Jo 2,18-21; Esd 6,16-22) e Jerusal�m, m�e de muitos filhos (Jo 19, 26; Is 60, 1-22) como pontos de converg�ncia do novo povo de Deus.

Ent�o, diz Jesus, em primeiro, lugar � sua m�e, como se, neste momento, fosse o disc�pulo amado, prot�tipo de todo crist�o, a necessitar de amparo, a necessitar de uma m�e: "Mulher, eis ai o teu filho!" (Jo 19, 26), manifestando assim o papel de Maria na comunidade dos que creram: a maternidade espiritual. Somente depois diz ao disc�pulo: "Eis a tua m�e!" (Jo 19, 27).

Depois disto, "sabendo Jesus que tudo estava consumado" (Jo 19, 28) com este seu �ltimo ato de dar uma m�e � sua Igreja, entregou Jesus o esp�rito, e Maria Sant�ssima p�de ver a �gua que saia do lado direito do templo (Ez 47, 1-12; Jo 7, 37-39) dando vida ao que estava morto, fazendo surgir um mundo novo, e ao mesmo tempo se torna canal de transmiss�o desta �gua viva a todo crist�o, sendo ela a cheia de gra�a (Lc 1,28),  a partir do momento, que, como o disc�pulo amado, a acolhemos em nossa casa, em nossa vida como modelo de fiel disc�pula a ser seguido.
 
P. Samuel Brand�o de Oliveira, MSC
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