D  E  S  N  A  T  U  R  E  Z  A    C  A  R  I  O  C  A 
      O olhar de Mauricio Ruiz esteve sempre dirigido a dar um foco diferente a coisas do cotidiano. O seu trabalho de escultor não reside na criação de formas ideais, mas na retransformação de formas quase neutras e, até então, quase banais. O seu estranhamento, de filiação posterior ao modernismo, permite novas associações na criação de objetos "demi-trouvés": santinhos da Casa Sucena adquirem aspectos profanos, bichinhos revelam formas sensuais, decalcomanias transformam cilindros de gesso, "espadas-de-são-jorge" ganham presença escultórica.  
      O processo de trabalho de Mauricio Ruiz implica uma operação de fornecer um foco novo a objetos que jaziam adormecidos. Antropólogo do cotidiano, as suas esculturas "almost-made" desconstroem antigos significados e criam novas possibilidades e relações estéticas. Em outras palavras, Ruiz interfere, concomitantemente, no previsível do objeto e de nosso olhar.  
      Em PACHIRA AQUÁTICA , Ruiz desnaturaliza a própria natureza e nos convida a manter os olhos atentos para essa flor de vida tão breve, erótica e especial que povoa, despercebida, as ruas cariocas. Erotismo marginal, vida breve, explosão e morte se misturam no que poderia ser um romance negro do Rio. Ou, mais um belo trabalho de Mauricio Ruiz. 
 
Lauro Cavalcanti
 
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