Jornal do Brasil, 7 de julho de 2000
Gilberto de Abreu
 Recriação do Gesso
Mauricio Ruiz cria novas obras inspirado em peças banalizadas no cotidiano
 
          Uma das principais estratégias da arte contemporânea tem sido reinventar-se a todo instante. Aos 44 anos de idade, o artista plástico Mauricio Ruiz vem sentindo na pele o que isso quer dizer. Em sua nova exposição individual na galeria paulista Camargo Vilaça, aberta ontem ao público, o carioca revelado nos anos 80 - e confirmado nos 90 como um dos mais coerentes da cena contemporânea - apresenta uma série de sete objetos, todos eles em gesso, fruto de uma longa pesquisa nas prateleiras dos armazéns populares.
          Nessa mostra, Ruiz lança mão de imagens em gesso produzidas em escala industrial e banalizadas pelo uso cotidiano. O artista - que atualmente participa da mostra coletiva 1500 - Um oceano inteiro para nadar, que reúne trabalhos de brasileiros e portugueses na Culturgest, em Lisboa - diz que através da apropriação e da transformação dessas imagens de gesso busca propor aproximações entre modos diferenciados de percepção e criação estética. "Dependo quase cronicamente dessas imagens para criar, já que não tenho como ponto de partida uma anotação ou desenho", reconhece Mauricio, que imprime em determinadas peças falsas marcas do tempo, elaboradas com a aplicação de tinta acrílica verde sobre a superfície da peça. "Busco sugerir uma certa noção de verdadeiro e falso, já que há casos em que o musgo é real", diz o artista, que no ano passado obteve destaque na 1ª Bienal de Liverpool, na Inglaterra, e na coletiva Os 90, realizada no Paço Imperial.
          A produção recente de Mauricio Ruiz é um desdobramento de uma questão recorrente em sua obra: a lógica da desconstrução de imagens populares, já evidenciada em trabalhos produzidos a partir de imagens de santos e animais.
          "Mexo com a idéia de verdade e mentira, movimento e estagnação, limpeza e sujeira, grotesco e refinado", diz Ruiz, que nem sempre tem controle sobre o resultado final do trabalho.
 

 Galeria Camargo Vilaça - São Paulo - 2000



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