

Saravá.
O acaso me fez notar que em todo canto há caixas de correio. Às
vezes nem existe rua e existe caixa, pois carteiro chega em todo lugar.
Por dois anos, rodei por São Paulo e as fotografei: pelo que elas
têm de tosco e pelo gracioso; pelas marcas do acaso e pelo que lhes deu o
descaso; pelos adereços do tempo; pelo utilitário; pelo luxo da fartura e pelo
tom do improviso.
As caixas mais criativas são ordens da mãe de família ao
louco/lúdico da casa, que exercita seus devaneios sem qualquer freio.
O nome da série vem de uma velha canção (“Mensagem”): “Quando o
carteiro chegou...”. Mudei o tempo do verbo para introduzir a surpresa do funcionário
dos correios, que imagino semelhante à minha ao fotografá-las.
Foi a primeira série que expus e, desde então, tenho perseguido sua popularidade fugitiva.