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Perfil |
Perfil
Nascida a 9 de Setembro de 1977 na Maternidade S�o Luiz em S�o
Paulo.
Filha do pianista C�sar Camargo Mariano e da cantora Elis
Regina, Maria Rita passou a inf�ncia no seio do mundo art�stico.
Seu nome foi dado por Elis em homenagem a sua grande amiga Rita
Lee,Elis chamava Rita Lee carinhosamente de Maria Rita.
Aos 12 anos fez backing vocal numa banda comandada pelo irm�o
Pedro Mariano e por Simoninha.Trabalhou na revista Capricho por 10 meses,era um
est�gio.
Aos 16 anos concluiu o ensino fundamental e partiu depois para
os EUA, Seu objetivo quando voltasse ao Brasil era o de criar e lan�ar uma
revista de pol�tica para adolescentes.
Ela ia ficar um ano e acabou ficando oito,durante oito anos
estudou Comunica��es e Estudos Latino-americanos.Ainda trabalhou como
Baby-sitter e fez est�gio na Warner americana.
Maria Rita produziu um CD em Nova Yorque com algumas m�sicas e entregou a
Milton.
Milton :
-Eu tava ensaiando no Canec�o e eu vi uma pessoa e disse pra
mim mesmo:
-Eu conhe�o essa pessoa/era a Maria Rita.Desci fui conversar
com ela ,e ela disse:
Maria Rita:
-Olha eu tenho aqui um CD, este CD � �nico s� voc� vai ter
,n�o mostra pra ningu�m e depois liga pra mim e diz o que eu fa�o da minha
vida.
Milton:
Ela � filha da Elis, que foi quem me lan�ou a� vem a filha e
eu que lan�o a filha.
Milton :
-Olha to com um disco em homenagem as mulheres e s� fa�o se
voc� fizer...
Maria Rita:
-Que isso eu deixei o disco com voc� para me ajudar me dizer se
eu to cantando errado fazer isso e
aquilo...porque eu?
Milton:
-Maria Rita,s� voc� n�o sabe voc� canta mesmo!!!
Ela aceita e grava tr�s can��es: "Tristesse",
"Voa Bicho" e "Vozes ao Vento" no CD Piet� de Milton
Nascimento.
A sua estr�ia em palco aconteceu a 6 de Maio de 2002, num espet�culo
de Chico Pinheiro.
Maria Rita:
-Entendo que ser filha de Elis � um gancho. Mas o que me
chateia mais � o fato de estar
cantando num show de um amigo, de ter uma companheira talentosa
no palco, e as pessoas darem essa aten��o extra a mim. Eu sei que essa tens�o
existir� para sempre, mas h� limite.'/Sobre a participa��o nos shows de
Chico Pinheiro.
O CD-Maria Rita- foi gravado na produtora Toca do Bandido no Rio
de Janeiro entre os dias 19/05 e 27/07/2003. Foi produzido por Tom Capone e
co-produzido por Marco da Costa e pela pr�pria cantora.
O lan�amento em show, foi no Canec�o, Rio de Janeiro no dia
15/09/2003.
Maria Rita:
-Foi um frio na barriga.Na entrada tem uma frase de Ronaldo B�scoli
�-Neste palco passa a hist�ria da MPB�uma coisa assim,eu
travei,fiquei olhando aquilo me deu uma vontade de chorar assim...de emo��o de
...cara uma responsabilidadQuando eu pisei no palco a primeira nota que eu dei
quando eu abri o olho eu vi aquele p�blico eu pensei�-t� em casa� a gente
come�a o show e o p�blico faz a parte dele e essa � uma troca muito honesta.
Foi gravado tamb�m um DVD. A grava��o foi feita de um show fechado ocorrido
no Bourbon Street em S�o Paulo, no dia 11/08/2003. O lan�amento aconteceu em
Outubro/2003, um m�s depois do lan�amento do CD.
-Eu queria passar pelo anonimato trabalhando e estudando em Nova
York,me descobrir como a Maria Rita,independentemente dos meus pais.Porque at�
ent�o havia o problema da identidade,eu era eu ou filha de.
-Sinto falta que fa�am mais perguntas sobre mim. Ningu�m
imagina o que � ser filha de um mito. As pessoas fazem muitas compara��es e
esquecem-se de mim.
Maria Rita ao contr�rio da maioria dos artistas n�o parece
muito preocupada com a pose, a fantasia e outros tantos truques e elementos do
showbizz.
Maria Rita:
-Eu sou simples assim... Eu me preocupo muito em me manter fiel
a mim mesma, � minha honestidade, aos meus sonhos... Meu p� fincado no ch�o
ao m�ximo. Eu conto com muita gente que pensa igual a mim, que me mant�m com
os p�s no ch�o... Eu espero que eu n�o me perca no meio de tanta coisa maluca
que acontece, sei que existe a possibilidade, mas � uma busca constante, coisa
de amadurecer, a gente com a gente mesmo... Enfim...
n�o me acho ,melhor do ningu�m,se tem uma coisa que me
incomoda bastante � que a imprensa em geral e alguns produtores fazem quest�o
de me colocar em oposi��o as outras cantoras,como se eu fosse melhor ou
pior,isso � t�o prim�rio t�o infantil!Ta todo mundo trabalhando querendo
conquistar seu pr�prio espa�o e n�o tomar o dos outros.Eu me vejo como um acr�scimo
ao que j� exista,entro para somar.
Nos shows Maria Rita fica mais linda e natural porque canta
descal�a,quando esteve aqui em Curitiba eu fiquei encantado.
Maria Rita:
-. Na verdade, tudo come�ou quando eu dei o meu primeiro
espect�culo,
ainda antes de o disco sair. A minha inten��o era atuar de cal�as de ganga e
�t-shirt� (era assim que se chamava o espect�culo �Jeans e Camiseta�),
mas no primeiro dia fui de saltos e isso incomodou-me muito. Por isso, na
terceira m�sica pedi licen�a ao p�blico, tirei os sapatos e fiz o resto do
espect�culo descal�a. E a partir da� ficou. Ainda tentei usar uma saia com
sand�lias mas tamb�m n�o resultou, porque aquele aperto me irritava e por
isso optei por passara a atuar descal�a, que fico muito mais � vontade.
O jornalismo entrou em pauta quando uma professora elogiou uma
reda��o que a Maria Rita tinha feito. Com a m�sica foi diferente. De tanto
dizerem que ela precisava cantar, uma certa resist�ncia foi criada.
�Encaro a vida como um grande processo feito de v�rios
pequenos processos no caminho�, ensina. �Sempre quis cantar. Mas a quest�o
n�o era querer. Era por qu�. N�o gosto de fazer nada sem ter um porqu�. Fica
mais f�cil quando voc� tem um objetivo, uma meta. O motivo passou a existir
quando percebi que ficaria louca se n�o cantasse�, reafirma. Diziam a ela:
�Voc� tem que cantar!� E a jovem: �Por qu�?� Maria Rita lembra que, numa festa,
cantou e em certas pessoas isso at� provocou choro. �Puts, que povo mala...
Eu n�o sou a minha m�e, mas que saco! Cheguei a ter uma rea��o dr�stica com
uma pessoa que chorou. Disse assim: �Escuta, ela n�o volta mais.� Virei as
costas e sa�, lembra, certa de que agora sabe lidar melhor com situa��es
deste tipo. �Se eu me lan�asse aos 16 anos, teria pirado; n�o estaria
aqui agora, n�o�, emenda. O aprendizado basicamente se deu todo assim,
de maneira instintiva e informal.
Uma conversa com o pai, quando era mais jovem, ilustra bem
isso.
Maria Rita pediu que Camargo Mariano a ensinasse a tocar
piano. Diante de uma negativa, encolheu-se: �Ok, o senhor n�o tem tempo, n�o
�?� O pai, que com certeza � uma das grandes refer�ncias musicais dela,
discordou; disse que tempo, se fosse o caso, ele arrumaria. O problema � que
ele aprendera sozinho... �O que ele toca ele n�o aprendeu com ningu�m, ent�o
ele n�o tem o que me passar�, entende agora Maria Rita, que seguiu trilha
parecida. Soltava a voz e pronto. Passou a fazer aulas de canto, mais tarde,
para �saber usar o instrumento�.
�Sempre tive a consci�ncia de ser a �nica filha mulher de
uma cantora que virou mito. S� quando senti a certeza de que nada do que
falassem me atingiria a ponto de me impedir de continuar, resolvi assumir meu
lado cantora.�
"Tenho poucas lembran�as dela, mas ou�o seus discos como
um di�logo. Afinal, ela colocava ali o que pensava e sentia"
"Isso que voc� viu no palco � o que eu sou. Nada mais.
Sou brincalhona, sou intensa. Se alguma coisa � parecida com minha m�e, talvez
seja explicado pela gen�tica, pela psicologia ou algum outro ramo da ci�ncia,
n�o sei."
"O ass�dio � compreens�vel. As pessoas querem saber como
� a filha de Elis. S� preciso saber lidar com isso"
"A �ltima imagem que guardo comigo � a de v�-la deitada
no caix�o, cercada de desconhecidos. Eu s� queria que aquelas pessoas
deixassem minha m�e dormir"
(Sobre a m�e. Elis Regina faleceu na manh� de 19 de janeiro de
1982. Na ocasi�o, Maria Rita tinha 4 anos)
Em 1979, em entrevista � TV Globo, a sua m�e, Elis Regina,
questionada sobre o que queria para si � tinha a Maria Rita dois anos de idade
�respondeu apenas: "Quero um tro�o bacana para ela. Talvez o que seja
bacana para mim n�o seja bacana para ela".
Maria Rita:
� Essa descoberta foi um processo longo de anos e anos.
Morando nos EUA e passando por v�rias experi�ncias em campos diferentes,
comecei a perceber l� que eu precisava de m�sica. Por isso fiz um est�gio
numa editora em Nova Iorque. Depois, por causa do 11 de Setembro resolvi voltar
ao Brasil com a ajuda do meu irm�o Pedro, que sugeriu que eu trabalhasse na
produ��o do disco dele. E foi a� que eu percebi que estava no meio certo mas
que ainda n�o estava fazendo o que queria. Produ��o n�o era comigo. Eu
queria era cantar. Lembro-me que durante a produ��o do disco dele eu senti uma
vontade enorme de entrar em est�dio e cantar com ele. Foi a� que percebi que
precisava dar um passo maior.
H� uns dois anos e meio, numa conversa com meu irm�o Pedro...
Pedro mariano:
-O que voc� est� fazendo da sua vida ,voc� n�o quer
trabalhar na m�sica?
A� ent�o eu voltei ao Brasil e vim trabalhar na produ��o
dele,correndo fazendo shows e tal,logo em seguida quando ele tava gravando o
disco dele, eu
senti que estava no ambiente que eu queria estar mas n�o
fazendo o que eu queria fazer...
Passei por um processo lento que envolveu a compreens�o do
papel que a m�sica tem na minha vida.
A confirma��o veio somente ap�s ter se identificado,
num livro, com um personagem que vivia o conflito entre optar pela poesia ou
pela carreira militar. Um outro personagem da hist�ria fez ao protagonista o
seguinte coment�rio: �A pergunta que voc� tem que se fazer, na calada da
noite, no momento mais solit�rio de sua vida, � se consegue viver sem
escrever�. Este entrecho ficou martelando na mem�ria da ent�o adolescente
Maria Rita at� ela encarar o teste de fazer para si mesmo a pergunta:
�Consigo viver sem cantar?�. A decis�o estava tomada. A� tive a
certeza de que poderia dar certo, e n�o me refiro a vender milhares de discos,
mas a fazer um trabalho satisfat�rio.
Maria Rita:
-Porque foi o que sempre me falou mais alto.A oportunidade de
sair do Brasil me fez ver o pais de outra maneira,me fez ver minha brasilidade e
minha latinindade de outra forma.Com o passsar dos anos minha saudade aumentava
e a vontade de voltar tamb�m.,meu sentimento de responsabilidade social
idem.Alguma coisa me fazia falta,porque? Porque eu sou brasileira,minha raiz est�
aqui,voltar e fazer m�sica POP que se faz em todo o mundo e todos fazem n�o
acrescentaria em nada,e eu n�o me identificaria.Para matar a saudade do Brasil
eu ouvia Unplugged do Gilberto Gil dia e noite,tamb�m ouvia Milton nascimento e
um pouco de Lenine.
Um Grande Momento Pessoal e Profissional- O Show em Belo
Horizonte-
Em dezembro de 2002,Maria Rita foi convidada de Fl�vio Henrique
e Chico Amaral para um show em Belo Horizonte, a noite do dia 19/12/2002 foi
especial para ela.
Maria Rita:
-Uma grande emo��o eu finquei os p�s no ch�o porque sabia
que ia cair pra tr�s ,eu senti uma energia uma emo��o!Depois do show eu
liguei pra um amigo pra comentar como foi e no dia seguinte ele ligou pensando
que teria bebido naquela noite anterior,que nada, eu estava embriagada n�o de
�lcool mas sim de emo��o.
Maria Rita:
-Pode-se dizer que � minha concep��o com a execu��o dos
meninos, o Marquinho, o Tiago, o Tom, que trabalham comigo h� muito tempo, e
tiveram uma participa��o marcante no disco (o Marquinho � o co-produtor do
CD). A minha preocupa��o sempre foi, num primeiro trabalho, mostrar a voz. Eu
n�o componho e n�o toco instrumento algum, ent�o eu queria o instrumental o
mais b�sico poss�vel para ser poss�vel mostrar a voz da int�rprete. Ent�o, a minha preocupa��o de in�cio
era dar um par�metro vocal para o p�blico ouvinte. Da� as minhas regrava��es
e a preocupa��o de uma base instrumental mais limpa poss�vel para atrair a
aten��o para a voz, mais do que para esses outros elementos.
Evitei grande instrumenta��o e fus�es com receio de que
tirassem um pouco o foco da minha voz, pelo menos nesse primeiro momento.
Os profissionais que trabalham comigo o fazem porque acreditaram
nessa minha vis�o, e acrescentaram a experi�ncia deles aos arranjos.
O repert�rio do CD foi um processo longo e a m�sica tem que
pegar pela emo��o...
Maria Rita:
-Foi um processo longo at� porque tem muita coisas boa para
ouvir neste Brasil,muita letra boa.Mas era basicamente a emo��o se me pegasse
no cora��o a letra ou a melodia,porque como int�rprete eu tenho que passar
alguma coisa,� o que eu sinto, � a minha verdade. Muito dif�cil, contei com o
Tom Capone (diretor da Warner) e o Marco da Costa (baterista). A gente resolveu
assim, conta um, dois e j�, �amos falando o nome da m�sica que tinha de sair,
um n�o podia contestar a opini�o do outro. Depois das 15 escolhidas, a gente
tentou fazer a mesma coisa e nem o presidente da gravadora conseguiu tirar mais.
Foi um processo muito complicado. Eu tive audi��es de nove horas direto.
O CD �Maria Rita- � uma refer�ncia ao seu momento pessoal e
profissional...Para a composi��o do CD,Maria Rita e sua produ��o ouviram tudo que chegou � eles...
Maria Rita:
- Tem algumas m�sicas no disco que falam que d�o uma
referencia ao meu momento pessoal e profissional �um belo dia resolvi mudar e
fazer tudo que eu queria fazer...� As leis de incentivo � cultura s�o
importantes.O que eu recebo de material independente com o selinho da lei de
incentivo,eu acho isso maravilhoso!Quando eu tava fazendo a pr�-produ��o do
disco eu escutei tudo que chegou
pra mim,tudo mesmo,n�o sou de ouvir os primeiros 30 segundos de uma m�sica e passar para frente eu junto
com o Marco da Costa ,o Marquinho,co-produtor do disco,faz�amos audi��o de 8,
9 horas sem parar ,da� quando a gente ficava meio cansado colocava um disco do
Milton pra �dar uma limpada� e depois continuava.
Maria Rita:
-Eu tinha o receio de que, se gravasse com a Trama, seria
acusada daquela coisa �tamb�m sendo filha de quem �, irm� do dono da
gravadora�. Levo meu trabalho muito a s�rio para ter de viver com essa acusa��o.
J� vinha ouvindo isso e n�o queria ser acusada de oportunismo.
Maria Rita participou do disco e da turn� do disco Piet� de
Milton Nascimento,e no �ltimo dia de shows no Rio ele entregou para ela e letra
de A Festa.
Maria Rita:
-Ele me entregou um papel dobradinho e disse-Depois voc� l�,terminou
o show e eu j� ia quase esquecendo ele disse: "-O papel",e eu h� �,no
papel estava a letra.
Essa m�sica foi uma das primeiras gravadas e que estava naquele
�Cdzinho� que Maria Rita produziu em Nova Yorque e deu para o Milton ouvir.
Maria Rita:
-N�o era um cd Demo e nunca teve a pretens�o de ser,era apenas
um experimento...
Sobre a m�sica :-Ela � linda a mensagem dela � linda,essa
coisa da realidade social do dia-a-dia do nosso pa�s ,eu sempre fui uma pessoa
politizada,eu sempre fui uma pessoa de analisar, pensar e agir,e eu acho que
essa m�sica tem muito disso ela tem uma mensagem forte e tamb�m prop�e uma
solu��o e n�o apenas a cr�tica,ela prop�e a solu��o do amor.
Tom Capone teve a
id�ia durante as longas audi��es para escolher o repert�rio do disco
de incluir a m�sica -Maria Rita- a id�ia original era fazer um
sampler da m�sica ,n�o foi poss�vel,ent�o ela foi incorporada a m�sica
Menina da Lua(Renato Mota).
Maria Rita :
-Num show do Fl�vio Henrique e Chico Amaral ele(Renato Mota)
foi e levou pra mim a -Menina da Lua- numa caixinha toda enfeitada cheia de
detalhes...e eu ouvia essa m�sica e chorava e ouvia e n�o sabia porque ficava
emocionada,depois eu entendi,que ela me lembrava a minha m�e ,que numa
entrevista certa vez disse(com olhos d��gua) que queria que eu fosse leve
sempre,no come�o eu n�o entendi mas depois com experi�ncia de vida mesmo eu fui aprendendo n�.�O int�rprete
acaba criando encima da cria��o� por isso fiquei com medo que o Renato Mota
n�o gostasse da modifica��o que foi feita na m�sica.
Renato Mota :
-Ela deu uma interpreta��o lind�ssima e o arranjo ficou
maravilhoso!inclusive usaram uma m�sica do pai dela como um solo,s�o duas can��es
que de repente tem haver uma com a outra.Ela tomou esta m�sica como uma
mensagem muito pessoal mesmo,acho que isso deu um toque muito emocionante a m�sica.
Milton Nascimento:
Quando a gente estava escolhendo as m�sicas do Piet� eu pensei
logo: essa � para Maria Rita, n�o tem como. E assim foi acontecendo, a gente
destinava as m�sicas para cada uma. Resolvemos fazer um disco que n�o fosse
"vou lan�ar essa, vou lan�ar aquela". Somos n�s todos cantando
juntos. Foi uma coisa muito feliz. Eu estava fazendo quatro shows diferentes em
v�rios lugares e voltava para casa sem nem um pingo de cansa�o para trabalhar
no disco. Acho que foi a primeira vez, no Brasil, que algu�m conseguiu fazer um
disco inteiro sem que ningu�m soubesse o que estava acontecendo.
de Vitor Ramil
Maria Rita:
-Eu n�o sabia que ela j� tinha sido gravada.Tom Capone achou
essa m�sica numa fita cassete que tinha a data de 1999 e sugeriu que n�s ouv�ssemos,ouvimos
e resolvemos gravar,a� o marquinho produtor do disco disse que j� tinha ouvido
essa m�sica.ele achava que o Caetanho j� tinha gravado,fomos procurar na
internet e n�o achamos nada pens�vamos que fosse mesmo de 1999 e n�o da d�cada
de 80,ningu�m da equipe sabia que essa musica tinha sido gravada v�rias vezes
,eu n�o sabia mesmo.
Maria Rita:
-Na verdade, eu sou a �nica que ainda se espanta com a rea��o
do p�blico, vendagem do disco, DVD, receptividade... Ser parada no cinema para
mim � uma alegria, por exemplo... E, claro, ter o c�rebro praticamente lavado
com rela��o ao que ��vende e o que n�o vende�� acrescenta a essa
surpresa. O que eu acho � que a ind�stria n�o leva em considera��o o fato
do p�blico ser sens�vel, ser inteligente, ter bom gosto. Acham que o p�blico
quer uma coisa que, talvez, seja um equ�voco!
A MPB est� em crise?
Maria Rita:
-Todo mundo diz isso...que a MPB est� passando por uma crise.N�o
� o que eu vejo ,eu recebo material de muitos compositores do Brasil inteiro de
gente muito talentosa ,eu acho que a gente precisa de um espa�o,talvez a�
resida a crise.N�o acho que a crise seja da MPB e sim do mercado fonogr�fico.Muito
mais do que um segmento musical a MPB s�o pessoas,s�o m�sicos e eu acho dif�cil a culpa estar nessas pessoas que fazem a
m�sica,mas sim todo o mercado que est� passando por dificuldades com a
pirataria com o avan�o da internet etc.Mas n�o acho que esteja t�o mal n�o
� o que eu vejo.
Maria Rita:
-O Marcelo tem uma coisa que � muito importante,eu n�o
componho e n�o toco nenhum instrumento, meu instrumento � a minha voz, e pra n�o
ficar no vocalize que pode se tornar chato com o tempo,a mensagem da m�sica �
muito importante,o Marcelo tem o poder de contar uma est�ria em poucos minutos, com in�cio meio e fim.Os
elementos musicais melodia/ poesia nunca est�o aqu�m um do outro ele � muito
redondo na composi��o.
Marcelo Camelo:
-�O fato de uma pessoa se emocionar e conseguir registrar essa
emo��o com tanta autoralidade e pessoalidade como ela faz � a concretiza��o
do momento de arte,� a concretiza��o da arte se fazendo no peito dela�
Milton:
-Foi um neg�cio muito legal, porque eu falei para as outras
meninas que s� faria o disco se a Maria Rita aceitasse. Um dia, encontrei com
ela e falei: "Voc� tem toda a liberdade de dizer n�o, mas s� vai sair o
disco se voc� aceitar" (risos). Ela me perguntou se eu estava a encostando
na parede. Respondi: "Estou, e tem duas outras pessoas esperando voc�
resolver isso".
- Tem uma coisa muito interessante, porque a Piet�, o nome, �
a coisa da minha m�e, que salvou minha vida, me botou no colo, aquelas coisas
todas. A�, chega a Maria Rita cuja m�e foi a primeira pessoa a gravar uma m�sica
minha. De repente, ela vem direto a mim, sem ningu�m falar nada. Ela n�o sabe
da minha hist�ria com a Elis. Eu falei: "P�xa vida, isso � a Piet�".Quando
a Maria Rita falou que aceitaria fazer o disco, foi um tal das meninas acenderem
velas, cumprir promessas... A�, come�amos a trabalhar e esse � um disco bem
diferente dos que tenho feito. Normalmente, eu tenho as m�sicas e chamo as
pessoas para participarem, algum certo m�sico que eu queira. Nesse caso, eu
tinha as tr�s int�rpretes e n�o tinha m�sica nenhuma. Mas tem uma coisa
muito interessante que sempre acontece na minha vida e eu adoro: as coisas v�o
aparecendo, de repente chegam s� coisas que t�m a ver com o que eu estou
pensando.
Jair:
- Eu tive um contato depois que ela come�ou a cantar, mas foi
no camarim, quando eu fui dar os parab�ns a ela. Antes de ela come�ar, ela foi
em casa porque o Jairzinho promove umas festas com o Simoninha, o Max de Castro
e o Pedro Mariano. A Maria Rita foi em casa uma vez e eu n�o a reconheci. A
Claudine [mulher de Jair Rodrigues] me perguntou com quem ela se parecia e eu n�o
desconfiei, at� ela me dizer, foi quando eu prestei bem aten��o. Quando ela
me disse que era a Maria Rita eu logo perguntei: "Voc� � muito parecida,
mas n�o vai cantar, n�o?". Da� ela disse que estava pensando seriamente
nisso, mas que iria se formar antes em Jornalismo nos EUA.
Quando eu vi que o Chico Pinheiro estava lan�ando a Maria Rita
no Supremo Musical [em S�o Paulo] eu n�o consegui ir, mas depois fui nos shows
de estr�ia, no DirecTV [Music Hall, casa de espet�culos].
Maria Rita:
- Sempre quis ser m�e,mas l�gico nesse momento da carreira era
uma coisa distante-era um sonho mas um sonho distante.Mas n�o
sei...intuitivamente eu sempre achei que a minha hist�ria ia acontecer de uma
forma que viria uma crian�a pra me derrubar(risos)porque eu sou virginiana,ent�o
---todos os hor�rios...as roupinhas...coontrole,controle,controle...quando
pintou a gravidez mas eu falei:
-h� mas eu sabia...
mas a minha expectativa � de aprender muito com esse meu nen�.
A gente muda muito, o diafragma fica comprimido,as mudan�as
hormonais o timbre a tessitura da voz tamb�m muda-cai um pouco,fica mais grave
tem todo um...o peso n�?voc� cansa muito tem que estar mais relaxada no palco,
o peso da barriga a postura.
O mais engra�ado n�o foi tanto com a emo��o porque eu me
emociono muito naturalmente desde sempre gr�vida ou n�o gr�vida---mas foi o
esquecimento---eu esquecia a letra!
Eu me pego...como eu vou conversar com essa crian�a sobre
drogas...como eu vou conversar sobre sexo...como eu vou...j� � uma vidinha n�.