A Ética dos Transgênicos

   
     
 Em primeiro lugar, nós como estudantes do terceiro colegial do Colégio Equipe, tendo nos dedicado a uma pesquisa sobre o tema dos transgênicos, gostaríamos de ressaltar como é vago o seu debate na sociedade. Apesar de ser um tema hoje em dia muito falado, a maioria das pessoas não sabe ao certo do que se trata, ou tem uma posição sobre este, ainda que esta seja muito difícil. Então, a primeira coisa que gostaríamos de destacar e propor, é um amplo debate sobre o tema, com toda a sociedade, já que ele é do interesse, ou ao menos poderia afetar a todos.

        Um ponto complicado para debater os transgênicos, e mesmo mostrá-lo para a sociedade, é a falta de empenho, principalmente no Brasil, na realização de experimentos para provar os pontos bons e ruins da transgenia. Enquanto o Brasil não se posiciona com reais pesquisas para a nossa situação, empresas estrangeiras, como a Monsanto, que tem claros interesses em uma aceitação dos transgênicos por produzir agrotóxicos, nos importa pesquisas para apenas favorecê-los. E não devemos nos esquecer, do quão delicado é lidar com pesquisas científicas, principalmente em áreas que envolvem enormes interesses. É provado que o alimento transgênico pode ser um avanço incrível para a saúde pública. Mas, este pode também ser um retrocesso. Tudo depende muito, além de pesquisas concretas e do fato de reações do corpo não serem previsíveis, do modo como os transgênicos são inseridos na sociedade.

         Tratando-se da saúde pública, os transgênicos poderiam ser utilizados, por exemplo, como uma espécie de vacina. O gene seria modificado para produzir o anticorpo que preveniria determinada doença, e alimentos poderiam ser utilizados para evitar grandes epidemias. Mas tratando-se do efeito alergizante, o assunto torna-se complicado. Outra problemática que o transgênico se propõe a resolver é a da fome, ou da carência de uma determinada vitamina em populações. Usaremos como exemplo o caso do arroz dourado. Sua produção se deu para apresentar altas concentrações do beta caroteno, que é o precursor da vitamina A, importante ao crescimento, ao sistema imunológico e à visão. A deficiência desta vitamina leva cerca de um milhão de crianças a morte e 350 mil a cegueira. O arroz dourado seria então uma importante solução para isto, principalmente se distribuído na África, onde o problema é maior. Mas, o que é dito em contrapartida é que não há nenhuma garantia de que ele beneficiaria as pessoas que não têm em sua dieta alimentos ricos em gordura ou óleo, por exemplo. Isso porque o beta caroteno necessita destes para a absorção pelo intestino. E esta carência de vitamina A, ocorre também pela redução da alimentação de milhões de crianças apenas a arroz, e da falta de uma dieta balanceada. Seria necessário que as pessoas ingerissem mais de um quilo de arroz dourado por dia, para que se obtenha a dose recomendada de vitamina A. A implementação do arroz dourado, acarretaria então em uma solução de certa forma superficial, pois apesar de haver a chance da solução, o real problema é muito mais profundo, e estaria com a simples distribuição de arroz, ainda mais longe de ser resolvido. Como foi dito em uma de nossas fontes de pesquisa, seria necessário que os consumidores do arroz transgênico aceitassem morrer de congestão, para agradar as multinacionais. Obviamente, este argumento expressa uma opinião um tanto quanto extrema.

       Vamos voltar agora para alguns pensamentos mais gerais, sobre o tema dos transgênicos. Pensamos em algumas condições para que estes existam. Fora o debate com a sociedade, é extremamente necessário que aqueles que estão se alimentando de transgênicos, saibam o que estão consumindo, e tenham isso avisado, por exemplo, em seus rótulos. O direito a opção, também é algo que nunca deverá deixar de existir. Devemos poder escolher, por exemplo, entre a compra de um alimento transgênico ou não. Quanto às reações alergizantes, em que nenhuma pesquisa no mundo será capaz de contemplá-las antes do uso, as empresas deveriam ser absolutamente responsabilizadas pela possível reparação dos danos, e estudo dos casos de reação, que beneficiaria a população e a elas próprias.

        Não acreditamos também que a produção dos transgênicos deveriam ser liberadas, visando, por exemplo, o lucro e facilidades na produção. Deveriam existir leis rigorosas, do porque produzir, em quais condições, quem, para quem, e visando sempre o benefício da população como um todo. A produção, e as pesquisas com relação à transgenia, deveriam ser voltadas apenas para aquilo que é extremamente útil, descartando o fútil. Isso aprofundaria as pesquisas que necessitamos para lidar, por exemplo, com a saúde pública.

         Outra questão que também deve ser muito bem pensada, principalmente no Brasil, é o caso dos pequenos produtores. Com eles, deve ser grande a discussão sobre a implementação da produção de transgênicos. Se esta, de acordo com o seu “regulamento” fosse acarretar em reais perdas para eles, seria indispensável uma intervenção do Estado para uma ajuda e tomada de medidas que os favoreçam (se tratando de produtividade e exclusão da tecnologia dos pequenos agricultores), e não os grandes produtores, que nem destas necessitam. Mas é necessário considerar, que os grandes produtores não teriam tantos benefícios assim com os transgênicos, se pensarmos na produtividade ao longo prazo e na utilização de agrotóxicos, que em pouco mais de um ano, aquelas plantas geradas para evitar pragas, já teriam influenciado no nascimento de hiperpragas resistentes a sua alteração, além das conseqüências do uso desmedido de agrotóxicos para o solo e para a natureza, afetariam também os próprios produtores. Portanto, não é simples afirmas que os transgênicos favorecem claramente, nem os grandes produtores. Outro caso, tratando-se de grandes empresas, seria o da Monsanto, que por produzir agrotóxicos, nada tem a perder, incentivando cada vez mais o uso destes, já que, com a produção de plantas geneticamente modificadas que não se afetariam com o uso do agrotóxico, a procura por estes seria muito maior e o monopólio econômico se estabeleceria, tanto no ramo de agrotóxicos como no de produção de transgênicos.

       A questão dos transgênicos está muito longe de ser vista separadamente conforme a temática, pelo fato de que, além de ser algo muito delicado e necessitar de mais discussões, envolve assuntos muito interligados entre si, dentro da questão ecológica. Não se pode pensar apenas na planta sem pensar na produtividade; não se pode pensar somente na produtividade sem entrar em questão os diversos produtores e a população em geral. Ou seja, os transgênicos abrangem uma questão muito maior do que algo simplesmente ambiental, da saúde pública ou científico, deve-se pensar nas questões como um todo sem qualquer tipo de exclusão por um pré-conceito. A transgenia tem pontos negativos para uns que são positivos para outros e vice-versa e a falta de discussão e debate sobre esses organismos geneticamente modificados atrapalha ainda mais o entendimento de “pontos negativos” e “pontos positivos”.

      Será que uma palavra muito complicada e de difícil entendimento poderia resumir a idéia de um trabalho ou concluí-lo? Nós discordamos, mas podemos deixá-la no ar para que toda a nossa pesquisa não seja somente um agrupamento de informações, mas sim para abrir questões que ainda não foram bem debatidas com a sociedade como um todo.

Ética: Parte da filosofia que aborda os fundamentos da moral.

 

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