Um ponto complicado para debater os
transgênicos, e mesmo mostrá-lo para a sociedade,
é a falta de empenho, principalmente no Brasil, na
realização de experimentos para provar os pontos
bons e ruins da transgenia. Enquanto o Brasil não se
posiciona com reais pesquisas para a nossa
situação, empresas estrangeiras, como a Monsanto,
que tem claros interesses em uma aceitação dos
transgênicos por produzir agrotóxicos, nos importa
pesquisas para apenas favorecê-los. E não devemos
nos esquecer, do quão delicado é lidar com
pesquisas científicas, principalmente em áreas
que envolvem enormes interesses. É provado que o alimento
transgênico pode ser um avanço incrível
para a saúde pública. Mas, este pode
também ser um retrocesso. Tudo depende muito,
além de pesquisas concretas e do fato de
reações do corpo não serem
previsíveis, do modo como os transgênicos
são inseridos na sociedade.
Tratando-se da saúde
pública, os transgênicos poderiam ser utilizados,
por exemplo, como uma espécie de vacina. O gene seria
modificado para produzir o anticorpo que preveniria determinada
doença, e alimentos poderiam ser utilizados para evitar
grandes epidemias. Mas tratando-se do efeito alergizante, o assunto
torna-se complicado. Outra problemática que o
transgênico se propõe a resolver é a da
fome, ou da carência de uma determinada vitamina
Vamos
voltar agora para alguns pensamentos mais gerais, sobre o tema dos
transgênicos. Pensamos em algumas
condições para que estes existam. Fora o debate
com a sociedade, é extremamente necessário que
aqueles que estão se alimentando de transgênicos,
saibam o que estão consumindo, e tenham isso avisado, por
exemplo, em seus rótulos. O direito a
opção, também é algo que
nunca deverá deixar de existir. Devemos poder escolher, por
exemplo, entre a compra de um alimento transgênico ou
não. Quanto às reações
alergizantes, em que nenhuma pesquisa no mundo será capaz de
contemplá-las antes do uso, as empresas deveriam ser
absolutamente responsabilizadas pela possível
reparação dos danos, e estudo dos casos de
reação, que beneficiaria a
população e a elas próprias.
Não acreditamos
também que a produção dos
transgênicos deveriam ser liberadas, visando, por exemplo, o
lucro e facilidades na produção. Deveriam existir
leis rigorosas, do porque produzir, em quais
condições, quem, para quem, e visando sempre o
benefício da população como um todo. A
produção, e as pesquisas com
relação à transgenia, deveriam ser
voltadas apenas para aquilo que é extremamente
útil, descartando o fútil. Isso aprofundaria as
pesquisas que necessitamos para lidar, por exemplo, com a
saúde pública.
Outra questão que
também deve ser muito bem pensada, principalmente no Brasil,
é o caso dos pequenos produtores. Com eles, deve ser grande
a discussão sobre a implementação da
produção de transgênicos. Se esta, de
acordo com o seu “regulamento” fosse acarretar em
reais perdas para eles, seria indispensável uma
intervenção do Estado para uma ajuda e tomada de
medidas que os favoreçam (se tratando de produtividade e
exclusão da tecnologia dos pequenos agricultores), e
não os grandes produtores, que nem destas necessitam. Mas
é necessário considerar, que os grandes
produtores não teriam tantos benefícios assim com
os transgênicos, se pensarmos na produtividade ao longo prazo
e na utilização de agrotóxicos, que em
pouco mais de um ano, aquelas plantas geradas para evitar pragas,
já teriam influenciado no nascimento de hiperpragas
resistentes a sua alteração, além das
conseqüências do uso desmedido de
agrotóxicos para o solo e para a natureza, afetariam
também os próprios produtores. Portanto,
não é simples afirmas que os
transgênicos favorecem claramente, nem os grandes produtores.
Outro caso, tratando-se de grandes empresas, seria o da Monsanto, que
por produzir agrotóxicos, nada tem a perder, incentivando
cada vez mais o uso destes, já que, com a
produção de plantas geneticamente modificadas que
não se afetariam com o uso do agrotóxico, a
procura por estes seria muito maior e o monopólio
econômico se estabeleceria, tanto no ramo de
agrotóxicos como no de produção de
transgênicos.
A questão dos
transgênicos está muito longe de ser vista
separadamente conforme a temática, pelo fato de que,
além de ser algo muito delicado e necessitar de mais
discussões, envolve assuntos muito interligados entre si,
dentro da questão ecológica. Não se
pode pensar apenas na planta sem pensar na produtividade;
não se pode pensar somente na produtividade sem entrar em
questão os diversos produtores e a
população
Será que uma palavra muito complicada
e de difícil entendimento poderia resumir a idéia
de um trabalho ou concluí-lo? Nós discordamos,
mas podemos deixá-la no ar para que toda a nossa pesquisa
não seja somente um agrupamento de
informações, mas sim para abrir
questões que ainda não foram bem debatidas com a
sociedade como um todo.
Ética:
Parte da filosofia que aborda os fundamentos da moral.