Clonagem Vegetal



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Ao contrário da clonagem animal, tema ainda recente e controverso no meio científico, a clonagem vegetal já está em uso comercial há muito tempo e trouxe diversos benefícios à sociedade. A idéia de cultivar células isoladas de plantas surgiu no início do século XX com Gottlieb Haberlandt, botânico alemão, como uma estratégia capaz de materializar os conceitos embutidos na teoria celular proposta por Schwann e Shleider por volta de 1839. Esta conceituava a célula (vegetal e animal) como a menor unidade biológica, autônoma, e capaz, em princípio, de originar um organismo inteiro. Assim, ela afirmava que a célula madura do corpo de um organismo pluricelular (célula somática) manteria seu material genético em condições de originar um indivíduo idêntico à matriz doadora, comportando-se desta forma como se fosse uma célula-ovo ou zigoto. A questão, pois, era descobrir como fazer uma célula madura e especializada (diferenciada), programada para a realização de funções específicas, voltar ao estágio embrionário. A primeira demonstração inquestionável na obtenção de embriões de plantas a partir de células maduras (embriogênese somática) foi feita em 1958 pelo prof. F.C. Steward e colaboradores, através do cultivo de células isoladas de raiz de cenoura. A cultura de tecidos vegetais tem várias aplicações práticas utilizadas amplamente na agricultura. Dentre elas podem ser destacadas a clonagem de vegetais, o melhoramento genético e a produção de mudas sadias. A técnica da clonagem in vitro de plantas (a mais comumente utilizada), conhecida também como micropropagação, é uma forma rápida de multiplicar uma determinada planta, ou genótipo, que apresente características agronômicas desejáveis – como, por exemplo, produtividade elevada, qualidade elevada de grãos ou frutos, tolerância a pragas ou doenças, entre outras. Ela consiste, basicamente, em cultivar segmentos de plantas, em tubos de ensaio contendo meio de cultura adequado. A partir desses segmentos – que podem ser gemas, fragmentos de folhas ou raízes, entre outros – podem ser obtidas centenas a milhares de plantas idênticas. Essas plantas são, posteriormente, retiradas dos tubos de ensaio, aclimatadas, e levadas ao campo, onde se desenvolvem normalmente. Os cuidados com a planta matriz, aquela da qual serão retirados os explantes (ou seja, os segmentos de tecido ou órgão vegetal utilizado para iniciar a cultura in vitro), também asseguram o bom estado dos clones. Dentre as vantagens da micropropagação pode ser citada a rapidez na produção de um grande número de mudas. A partir de uma planta de bananeira, por exemplo, podem ser obtidas através da micropropagação aproximadamente 100 mudas, no prazo de oito meses. Em condições de campo são obtidas até 12 mudas em um período similar. Quanto às orquídeas, leva-se cerca de dois anos para a obtenção de uma boa muda utizando-se os métodos convencionais, enquanto que, através do cultivo in vitro, é possível a produção de centenas de mudas nesse mesmo período de tempo. A micropropagação tem demonstrado grande importância prática e potencial nas áreas agrícolas, florestal, na horticultura, floricultura, bem como na pesquisa básica. A multiplicação in vitro de plantas, em termos de importância econômica, tem resultado na instalação de verdadeiras “fábricas de plantas”, as chamadas biofábricas comerciais, baseadas no princípio de linha de produção. Porém, em alguns casos, o processo de clonagem vegetal, tem um custo mais alto e daí decorre resistência de alguns produtores a aderir a essas novas técnicas. Não apenas pelo custo, mas também porque eles ainda não têm a certeza de que obterão melhores resultados. Há também a questão da tradição de plantio e, em algumas situações, o aumento da produção não é tão desejável, havendo o risco de o preço do produto ficar tão baixo que inviabilizaria a atividade. Ou seja, a demanda por tecnologia é menor do que os avanços da pesquisa.

 

  

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