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:: Informações ::: Biografias ::: Racionais MC's
 

Os Racionais MC’s surgiram em 1988 na coletânea “Consciência Black”, com os sucessos Pânico na Zona Sul e Tempos Difíceis. Formado por Ice Blue, Mano Brown, Edy Rock e KLJay, respectivamente Zona Sul e Zona Norte, impressionaram de cara com a realidade de suas letras nas quais narram a dura vida de quem é negro e pobre, denunciando o racismo e o sistema capitalista opressor que patrocina a miséria que está automaticamente ligada com a violência e o crime. Em 1990 lançaram o seu primeiro LP “Holocausto urbano” (também pela Zimbabwe), e que aos poucos foi conquistando os seus ouvintes. Nos anos de 1990 e 1991 trabalharam com shows por toda Grande São Paulo, interior do Estado e receberam prêmios como os de melhor conjunto de Rap do ano e conjunto revelação; também fizeram dois shows na FEBEM e tiveram participação especial no show do Public Enemy no Ginásio do Ibirapuera. Em 1992, deram um importante passo ao fazerem palestras à alunos e professores em escolas públicas num projeto criado pela Secretaria da Educação intitulado “ARAPensando a Educação” no qual se discutiu: Violência Policial, Racismo, Miséria, Tráfico de drogas, Mortes violentas; enfim, o cotidiano periférico. O Projeto repercutiu em jornais, televisão e principalmente nas comunidades em que as palestras aconteceram, e com certeza, mudou a perspectiva de vida de um considerável número de pessoas. No final do mesmo ano lançaram o segundo disco (desta vez um disco mix), intitulado “Escolha o seu caminho” com as poderosas faixas “Voz Ativa” e “Negro Limitado”, que fortificaram ainda mais a proposta do grupo. Neste mesmo período, foram a atração principal no Concerto de Rap que houve no Vale do Anhangabaú (Rap do Vale). Em 1993 foram atração no Teatro das Nações com o Projeto “Música Negra em Ação”, que contou com a realização e participação de importantes nomes como: Toninho Crespo e Thaíde e Dj Hum. Participaram em shows filantrópicos em ajuda à doentes de Aids e Campanhas do Agasalho e Contra a Fome realizadas em Quadras de Escolas de Samba e Ginásios de Esportes. Foram uns dos organizadores na passeata feitos por jovens negros em protesto à data 13 de maio (Libertação dos Escravos). Participaram de pedágios ao ar livre promovidos pela Rádio 105 FM em praças e locais públicos. Mas a concretização do sucesso total veio no final de 93 com o lançamento do poderoso terceiro disco intitulado “Raio X Brasil”, que teve festa de lançamento na Quadra da Rosa de Ouro com mais de 10.000 pessoas e parte do show foi feito com banda ao vivo. Daí pra frente, a metralhadora não parou de disparar, as músicas "Fim de Semana no Parque" e "Homem na Estrada", são hinos nos bailes e clássicos em várias rádios FM. Em 1998 lançaram seu primeiro CD com o título “Sobrevivendo no Inferno” e foi sucesso total com mais de 500.000 cópias vendidas, um número muito bom, se tratando de uma gravadora independente e as faixas “Capitulo 4, Versículo 3”, “Diário de um Detento”, “Rapaz Comum” e “Mágico de Oz”  são os pontos altos do CD. Após 5 anos de espera, ansiedade, expectativa e comentários chegava às lojas em 10 de julho de 2002 o 5º disco do grupo: "Nada como um dia após o outro dia". A ansiedade de ouvir o álbum foi quebrada pelo som de tiros, cantadas de pneu, cachorros latindo, um despertador tocando, o galo cantando e o Brown dizendo para acordar, pois mais um dia, mais uma batalha me esperava. "Sou mais você", essa é a abertura. Brown fala como se estivesse apresentando um programa de rádio de nome, "Peso 2". Em seguida um som bem funkeado ("Vivão e vivendo"), na seqüência a "Vida loka (Intro)" e "Vida loka (parte I)". Na faixa 5 um prenúncio do que serão as músicas, as letras e as levadas de Edi Rock ao longo do CD, a evolução do mano impressiona qualquer um. Frio, calculista e preciso nas rimas, sem dúvida nenhuma um "Negro drama", faixa pesada, cantada por ele e pelo Brown que rima um pouco da sua história e a luta da sua mãe para criá-lo. "A vítima", do Edy Rock, relata um acidente ocorrido há quase oito anos atrás. "Na fé irmão", Edy Rock canta sozinho e botando para quebrar com os scratches de Kl jay no início e no fim. Destaque também para "A vida é desafio", com participação do Afro X (509-E). Afro não canta, mas conta entre os versos de Edy Rock o porquê foi preso e na letra muitas mensagens positivas. Disco 2 (Ri depois) - Mano Brown abriu o disco 1, agora a abertura do disco 2 fica com Edi Rock em "De volta a cena". Essa no início lembra a música "Correria" do seu disco solo, até o Kl Jay canta um pouco. Sem parar, novamente ele em "Opus 500" e o "Crime vai e vem", nessa o Ice Blue também canta. Após "Jesus Chorou". Não é a toa que Mano Brown é considerado por muitos o melhor compositor do Rap brasileiro, a música é uma resposta para umas coisas que já ouvi muita gente falar. Em "Estilo cachorro" pode-se ouvir a voz dos quatro, a letra fala sobre a noite, mulheres, dinheiro e bebida, depois vem o Brown sozinho em "Vida loka (Parte II)". Edi Rock fecha a sua parte com "Expresso da meia noite", um relato sobre a noite na zona norte de São Paulo. O disco termina com "Trutas e quebradas" (agradecimentos) e "Da ponte pra cá". Outras faixas: "12 de outubro" nessa Brown não canta, apenas fala sobre a frustração das crianças pobres nesse dia. "Eu sou 157", "1 por amor 2 por dinheiro" e "Fone (Intro)", introdução da faixa "Estilo cachorro". Em 2007, o grupo lança seu primeiro DVD, ao vivo, intitulado "1000 Trutas 1000 Tretas" com 15 faixas. Apenas sucessos. O DVD, além do show, tem nos extras, um documentário sobre o hip hop, do início até os dias de hoje. São três horas da mais fantástica viagem dentro do mundo do hip hop! Pessoas de todas as classes sociais ouvem e admiram o trabalho, mas a postura racional prevalece no pensamento de cada integrante. “Nosso verdadeiro público está na periferia, eles que nos colocaram no topo, eles é que precisam ouvir o que temos a dizer, não vamos abandoná-los”.

 

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