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Alex Pereira
Barbosa, morador da Cidade de Deus, Jacarepaguá, Rio de Janeiro não
é de meias-palavras. Tem presença forte e não esconde seu passado pobre na
Cidade de Deus. MV Bill, como é conhecido, estudou até o 1º ano do 2º grau.
O primeiro contato com o rap foi através de Rádio. A
transformação definitiva do "sambista" para o "rapper" aconteceu em 1988,
depois de ouvir a trilha sonora do filme "Colors" (As cores da violência). A
trilha sonora só trazia rap e uma revista brasileira, publicou a tradução de
todos os rap's do filme. Ele vê no rap a possibilidade de falar das
injustiças sem precisar utilizar a violência física, só a verbal. Alex, que
estudava e cantava samba-enredo com o pai, e ainda andava com os traficantes
das quebradas, virou MV Bill. Ele não quis adicionar MC
(Mestre-de-Cerimônias). Preferiu MV, que quer dizer Mensageiro da Verdade.
MV Bill diz ser fã do samba de raiz como Almir Guineto, Neguinho de Beija
Flor e Jovelina Pérola Negra. Participou da coletânea "Tiro Inicial", que
revelou novos talentos do rap nacional em 1993, ainda como integrante de um
grupo. MV Bill é grande amigo dos Racionais MC's e de quem abriu muitos
shows. Com letras marcadas pela denúncia social, lançou em 1998 o disco "CDD
Mandando Fechado" pelo selo Zâmbia (com produção de Mano Brown e Ice
Blue dos Racionais MC's), relançado pela Natasha Records/BMG em 1999 com o
título "Traficando
Informação". Ainda em 99 participou do Free Jazz Festival, evento
praticamente sem tradição com artistas de rap brasileiro da periferia, sem
apoio da grande mídia. No show do Free Jazz, MV Bill escandalizou ao se
apresentar com uma arma na cintura, que mais tarde afirmou ser de brinquedo.
O rapper ficou ainda mais conhecido em 2000, ao estrelar uma campanha
publicitária de televisão contra o vandalismo em telefones públicos. Em
2001, MV Bill teve o clipe “Soldado do morro”, no qual traficantes armados
são usados no lugar de atores censurado. Bill teve o apoio do ministro da
Justiça, José Gregori, que manifestou o seu apoio em um debate promovido
pelo Viva Rio, na Rocinha, na campanha “Mãe, desarme seu filho”. Após
assistir o clipe, o ministro concluiu que o rapper não fazia apologia ao
crime. Participaram do encontro 25 jovens de comunidades carentes, alem dos
estrangeiros, Ila Gandhi, neta do pacifista indiano Mahtama Gandhi, e Olara
Ottonu, Sub Secretário e especial da ONU (Organização das Nações Unidas)
para crianças em áreas de conflitos armados. MV Bill foi convidado
para representar o Brasil em um projeto da ONU chamado “CRIANÇA
SOLDADO”, que é um projeto em que a ONU tenta retirar as crianças
do mundo inteiro dos conflitos armados. O vídeo "Soldado do morro"
é um documento que prova
o envolvimento das crianças brasileiras em conflitos armados. Bill não
aceitou porque não existia um compromisso formal que fosse capaz de lhe
convencer que não seria um boneco da ONU no Brasil. MV Bill participou da
coletânea do DJ Kl Jay (Racionais MC's), intitulada "Kl Jay na batida -
Volume 3" com a música "Só mais um maluco".
No final de 2002, MV Bill lançou o álbum “Declaração
de guerra”, pela BMG e Natasha Records. Para ele, este CD é "um trabalho
em clamor pela paz verdadeira, com igualdade e democracia”. Com a produção
do DJ Rafa, do conhecido DJ Zé Gonzáles,
Daniel “Ganja Men”, Luciano e o próprio Bill, este álbum chega as lojas com
14 faixas e mais uma oculta. Contando também com participações mais que
especiais de seu pai, Charlie Brown Jr., das rappers K-Milla e Nega Gizza
(suas irmãs) e o mano Buiu da 12 e muitas outras surpresas fazendo um "rap
popular brasileiro" de primeira. "Declaração de guerra é o início de uma
nova era dentro do rap. Em 2005, MV Bill junta-se a Celso Athayde e Luiz
Eduardo Soares e escreveram o livro "Cabeça de Porco". O livro
reúne três histórias de vida, três cabeças infernizadas pela mesma
pergunta: qual é a saída para a violência absurda, a injustiça
desumana e a desigualdade degradante em nosso país? Cabeça de
Porco é o resultado de um trabalho em duas fontes: entrevistas e
filmagens feitas por MV Bill e seu empresário Celso Athayde nos
últimos sete anos em favelas de nove estados brasileiros sobre
crianças e jovens que vivem no mundo do crime, suas razões e a
dimensão humana de suas vidas. Em 2006, MV Bill e Celso Athayde
lançaram o projeto Falcão, em dose tripla: DVD, CD e Livro. O DVD,
mostra fôlego e recria o universo que causou grande impacto na TV.
Além do documentário, o DVD traz uma entrevista inédita com MV
Bill e 3 videoclipes incríveis. Falcão: Meninos do Tráfico
é um filme sem precedentes. O livro "Falcão - Meninos do tráfico"
é um contundente relato pessoal de Celso e Bill sobre os
bastidores da produção de um documentário explosivo que mostra,
como nunca foi visto antes, o universo dos meninos que trabalham
no tráfico de drogas em diversas partes do país. O álbum “Falcão
- O
bagulho é doido”. O Mensageiro da Verdade, que mostrou um rap duro, de
batidas secas em seus trabalhos anteriores, tornou seu discurso mais leve em
seu novo trabalho. A música “Falso profeta (para de caô)”, vai
inevitavelmente identificar na letra uma crítica aos pastores evangélicos
que pregam Deus de olho no dinheiro dos fiéis.
“Estilo vagabundo”, fala sobre uma
divertida briga de casal.
A maior surpresa do CD, no entanto, é um
samba-rock. “Minha flecha na sua mira (me leva)” tem aquela levada
cristalizada na virada dos anos 60 para os 70. Há também uma base
bossa-novista em “9 da manhã”, o tema que encerra o disco. “Falcão - O
bagulho é doido” não é um disco conceitual sobre o envolvimento de menores
com o tráfico de drogas da favela, como o documentário e o livro que o
antecederam, mas não foge do assunto. Todas as conexões morro-asfalto que
sustentam o tráfico são expostas com clareza por Bill na faixa-título do
álbum. Cabe ao ouvinte decidir se prefere o discurso contundente sobre a
questão das drogas ou a crônica de costumes da favela. Bill aprecia cinema,
citando o filme brasileiro "Quilombo dos Palmares" e os americanos "New Jack
City" e "Boyz'the Hood" como bons retratos do negro na sociedade.
Tem, contudo, aversão à televisão. Na sua opinião, todas as
emissoras querem imitar o padrão da Rede Globo, que tem um formato
embranquecido. "Não quero que o preto domine a TV, pois não é isso
que espelha a sociedade. Quero apenas igualdade para todos os
excluídos: pretos, índios, asiáticos, e nordestinos", protesta. |