UGT
repudia posição do Governo Regional dos Açores sobre
os
concursos dos professores
O
Governo Regional dos Açores aprovou legislação sobre a regulamentação dos
concursos de professores que é manifestamente inconstitucional já que
discrimina professores no acesso aos quadros docentes.
Não
se trata de medidas que acautelem que os docentes permaneçam nos locais para
onde concorreram, o que se podia compreender face às necessidades de
estabilidade das escolas numa região periférica, mas sim de privilegiar quem
se profissionalizou ou tirou o curso na Região Autónoma ou quem fez o curso no
Continente através do contingente especial da Região.
Note-se mesmo que quem sendo oriundo da Região entrou nas Universidades
do Continente pela via ordinária - ou seja pelo mérito das suas classificações
- fica preterido se não tiver exercido nos Açores nos últimos três anos.
Deve
notar-se que a livre circulação de pessoas que existe na União Europeia é
posta em causa no território nacional com esta medida tomada à revelia das
estruturas sindicais representativas dos docentes e põe em causa o concurso por
mérito (graduação profissional) que é o único critério que a lei
portuguesa estabelece.
Com
esta medida inconstitucional o Governo Regional conseguiu, ainda, criar uma
guerra no interior das escolas entre os professores que beneficiarão desta
medida e todos os outros, mais uma vez se evidenciando a orientação que vem a
ser seguida pelo Governo Regional de preferir dividir os professores em vez de
procurar encontrar soluções equilibradas com base numa negociação séria com
as organizações sindicais representativas dos docentes.
A
UGT vai solicitar a intervenção dos órgãos de soberania no sentido da reposição
do princípio de igualdade face ao emprego público que a Constituição
consagra e do primado da Concertação.
2002/1/23