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Odeio os indiferentes
Odeio os indiferentes. Acredito que viver Significa tomar partido. Indiferen�a � apatia, parasitismo, covardia. N�o � vida. Por isso, abomino os indiferentes. Desprezo os indiferentes, tamb�m, porque me provocam t�dio as suas lam�rias de eternos inocentes. Vivo, sou militante. Por isso, detesto quem n�o toma partido. Odeio os indiferentes. Antonio Gramsci |
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A vida bate
N�o se trata do poema e sim do homem e sua vida - a mentida, a ferida, a consentida vida j� ganha e j� perdida e ganha outra vez. N�o se trata do poema e sim da fome de vida, o s�frego pulsar entre constela��es e embrulhos, entre engulhos. Alguns viajam, v�o a Nova York, a Santiago do Chile. Outros ficam mesmo na Rua da Alf�ndega, detr�s de balc�es e de guich�s. Todos te buscam, facho de vida, escuro e claro, que � mais que a �gua na grama que o banho no mar, que o beijo na boca, mais que a paix�o na cama. Todos te buscam e s� alguns te acham. Alguns te acham e te perdem. Outros te acham e n�o te reconhecem e h� os que ser perdem por te achar, � destino � verdade, � fome de vida!
O amor � dif�cil mas pode luzir em qualquer ponto da cidade. E estamos na cidade sob as nuvens e entre as �guas azuis. A cidade. Vista do alto ela � fabril e imagin�ria, se entrega inteira como se estivesse pronta. Vista do alto, com seus bairros e ruas e avenidas, a cidade � o ref�gio do home, pertence a todos e a ningu�m. Mas vista de perto, revela o seu t�rbido presente, sua carnadura de p�nico: as pessoas que v�o e v�m que entram e saem, que passam sem rir, sem falar, entre apitos e gases. Ah, o escuro sangue urbano movido a juros. S�o pessoas que passam sem falar e est�o cheias de vozes e ru�nas. �s ant�nio? �s Francisco? �s Mariana? Onde escondeste o verde clar�o dos dias? Onde escondeste a vida que em teu olhar se apaga mal se acende? E passamos carregados de flores sufocadas. Mas, dentro, no cora��o, eu sei, a vida bate. Subterraneamente, a vida bate.
Em Caracas, no Harlem, em Nova Delhi sob as pernas da lei, em teu pulso, a vida bate. E � essa clandestina esperan�a misturada ao sal do mar que me sustenta esta tarde debru�ado � janela de meu quarto em Ipanema na Am�rica Latina. Ferreira Goulart |
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