TARA
VANFLOWER
Entrevista
Por Sean Tobin. Tradução: Rebeca Cordeiro.

Só
para introduzir, os últimos dez anos tem sido agitados e
interessantes para vermos Cristãos surgindo com maestria
na música. Pessoas que apenas fazem o que fazem e são
honestas em relação a sua fé, mesmo que isso
seja considerado atrasado. Mas como uma pessoa que é mais
interessada em subcultura do que em uma tendência, eu achei
particularmente interessante saber sobre artistas como Tara Vanflower
que “aparece fora da escuridão” segurando uma luz, até
mesmo compartilhando suas jornadas e reflexões espirituais
em seus trabalhos sem deixar de lado a cena musical, e colocando
a baixo algumas gravadoras cristãs (com todo respeito às
gravadoras Cristãs).
Eu tive algumas vezes conversas breves com Tara via e-mail, e ela
foi muito responsiva; tão atenciosa. Ela esteve quieta, musicalmente,
por um longo tempo então eu fui desafiado a descobrir como
ela estava, tanto criativa como pessoalmente, e descobrir mais sobre
a garota atrás do “Ambiente Dark/Darkwave” projeto solo,
‘This womb like liquid honey”e infelizmente fora do extinto Lycia,
iniciado por Mike VanPortfleet.
Então, por mais de três ou quatro entrevistas através
de e-mail, nós conversamos sobre sua fé, sua música,
seu livro, suas bonecas caseiras, seus sonhos, suas influências,
seu trabalho tempo integral e mais.
-
Olá Tara, obrigado por concordar com essa entrevista. Depois
que você aceitou a entrevista, eu decidi fazer um trabalho
extra e dar uma procurada em outras entrevistas que você deu
antes. Eu fiquei feliz em não achar nenhum material nesse
estilo desde mais ou menos o ano de 2000, significou que eu teria
que pescar muitas coisas.
Qual é a história por trás do nome “Vanflower”?
Qual é o seu nome original?
Tara: Na verdade isso começou como uma brincadeira. Eu não
queria usar o meu nome “verdadeiro” então eu mudei. Nós
achamos que seria engraçado colocar “Van” na frente.
- Você é casada com Mike VanPortfleet?
Tara: Sim! ;)
- Seu primeiro solo (This Womb Like Liquid Honey) foi lançado
em 1999, então me diga qual o motivo da demora do seu novo
álbum? Eu li várias informações interessantes
que você deu há uns anos atrás dizendo como
seu próximo álbum seria; ele seria mais cru, menos
eletrônico, usando vários instrumentos manuais. Ainda
é assim?
Tara: O atraso é devido a vida entrando no caminho, e o fato
de eu não estar concentrada o suficiente. Eu estou constantemente
trabalhando em um romance, que eu pretendo terminar dentro dos próximos
meses aí sim vou para o álbum solo. O próximo
álbum será mais orgânico em uma maneira eletrônica
provavelmente durante as linhas das músicas como “The Old
Hag” e “This Womb Like Liquid Honey”. Mas durante todo o processo,
tudo pode mudar. Eu apenas tenho que ver como o trabalho vai fluir
quando a hora chegar.

- Uau, poderia nos dizer sobre o livro?
Tara: O título até agora é Kerosene. Não
existem outros planos por trás de mim, apenas terminar o
livro. Se tudo der certo, eu poderei encontrar uma publicadora para
o livro, do contrário, eu provavelmente vou acabar postando
no meu site. Eu prefiro não falar da história por
agora.
- Eu sei que The Cure e Swans estão entre as suas maiores
inspirações na música. Alguma outra? O que
você tem escutado nos últimos meses?
Tara: Nos últimos meses, primariamente eu tenho escutado
Type O’ Negative, Stone Breath, Death in June, o álbum solo
do Mike (Beyond the Horizon Line) e ao The Current 93. Eu não
diria que algum artista e/ou banda inspira a minha música...Eu
tento fazer o meu próprio som...Mas certamente alguns artistas
tocam em um certo ponto em mim que me faz pensar que eu deveria
estar trabalhando, ou uma completa e total falha.
- Qualquer artista de outras disciplinas te inspira, você
diz compositores ou artistas visuais?
Tara: Nenhum artista ou compositor me inspira na maioria das vezes.
Será que isso me faz não ser intelectual? É
mais ou menos como música, algo que ressoa dentro de mim,
mas não necessariamente me inspira a criar. A vida e o mundo
a minha volta me inspiram mais do que qualquer coisa.
- Se forçado a fazer comparações (o que eu
estou fazendo comigo mesmo), eu diria que a sua música soa
algo como His Name Is Alive, vai de encontro ao Cure, ao Glove,
ao Hallou, ao Visage, ao Insides, ao Violet Indiana, ao Luna Sect,
vai de encontro a coisas que eu nunca ouvi antes e outras que eu
talvez nem possa imaginar. Com quem mais você já foi
comparada? Como você se sente com essas e outras associações
e você acha que o próximo álbum vai ser mais
ou menos a mesma história?
Tara: As únicas bandas da sua lista que eu já ouvi
é o The Cure e o Glove! Sim, eu sou fraquinha nisso! Eu fui
comparada (Apesar de eu nunca ter sonhado ter o mesmo talento),
ao Jarboe, Daisy Chainsaw e Syd Barrett (apesar de que isso foi
considerado como um insulto!?!?). Eu diria que a comparação
com o Jarboe talvez esteja ligeiramente correta. Eu honestamente
não sei onde a minha música se encaixa. Talvez no
mesmo ramo de uma das bandas World Serpent...
- Quais outros artistas que atualmente você sente que estão
explorando coisas similares a você?
Tara: Eu não tenho idéia. Por agora, eu sinto uma
verdadeira afinidade com Timothy Renner do Stone Breath. Eu acho
que nós estamos no mesmo patamar. E claro o meu marido. Nós
saímos do mesmo anglo em quase tudo.
- Me fale sobre a afinidade que você sente com Timothy Renner.
Tara: Bem, sua música soa muito ‘americana’ pra mim. Ele
é uma pessoa profundamente espiritual e parece vir dos mesmos
contextos de vida e crenças. Ele usa instrumentos bluegrass
que estão bem próximos dos meus sentimentos, como
eu cresci indo a shows de bluegrass e o meu avô tocava rabeca.
Ele me lembra o Current 93...apenas sua música tem uma vibração
folclórica rural americano nela. Ele e eu temos conversado
sobre alguns planos vagos de fazermos uma parceria no futuro o que
eu realmente quero!
- Qual é o seu top 10 com os melhores álbuns de todos
os tempos?
Tara: Oh meu Deus! Agora, deixe-me dizer uma coisa, esses é
o MEU top 10, e eu não considero estes álbuns os melhores
de todos nunca (apesar de que isso poderia ser discutido também).
Sem ordem particular:
1) Disintegration - The Cure
2) Ionia - Lycia
3) October Rust - Type O Negative
4) Nada! - Death In June
5) The Burning World - Swans
6) The World Of Skin
7) Taxidermy - Queen Adreena
8) Venemous Eve - Trance To The Sun
9) Adore - Smashing Pumpkins
10) Filth - Swans
Garanto que existem outros zilhões que eu poderia listar
– mas essa é uma boa amostra.

-
Existe algo no mercado alternativo cristão (ou artistas que
você sabe que são cristãos professos) que você
se dá bem?
Tara: Alguns anos atrás eu tinha mais contato com artistas
cristãos do que eu tenho agora. Eu me dou bem com a maioria
das pessoas com quem eu encontro. Existem muitas pessoas...Muitos
nomes mesmo.
- Tem algum artista cristão que você gosta de ouvir?
Tara: Deixe-me adiantar isso dizendo que eu não escuto muita
música e as músicas e CDS que eu escuto tendem a ser
cds que eu escuto nos últimos dez anos. Além do Stone
Breath eu não consigo pensar em outra banda ‘cristã’
que eu escute e eu não acho que o Timothy (Stone Breath)
considere sua banda uma banda cristã.
- Você já encontrou outros cristãos que você
pôde ter um nível profundo de relacionamento verdadeiro?
Tara: Claro!
- Quantas vezes você esteve no Cornerstone e o que você
achou disso, ou outros eventos parecidos de música cristã?
Tara: Eu só toquei lá uma vez e só participei
dessa vez. Eu achei que ele foi de longe muito mais aberto do que
qualquer outro festival secular que eu já estive. As pessoas
simplesmente te aceitavam como você é. E tinham umas
bandas experimentais bem interessantes também. Parecia de
longe muito mais saudável do que a cena de música
regular na minha opinião. Tinham alguns não-cristãos
comigo e nenhum deles foi ameaçado em maneira, forma nenhuma.
Eu realmente tive um momento ótimo eu gostaria de tocar novamente
por lá algum dia.
- Quando foi a última vez que você ouviu o seu álbum
solo? Qual é a sua própria e pessoal crítica
do álbum agora que já se passaram 4-5 anos? O que
você faria diferente? Como suas próprias lições
ou evoluções afetaram a maneira como você está
trabalhando com o seu próximo álbum?
Tara: Eu não ouvi o álbum durante anos. Pra ser exata
eu nem sei se eu tenho a cópia dele. Eu tiraria as músicas
dançantes. Eu acho que o álbum como um todo, deveria
ter mais músicas do tipo ‘The Old Hag’ e ‘This Womb...’Eu
não estou certa do que eu estaria pensando naquela época.
Eu não sei o por que de eu querer aquelas dançantes
no álbum. Eu acho que é porque a gente tinha passado
muito tempo naqueles clubes estúpidos. Eu também mudaria
o trabalho de arte. Não é o que eu realmente queria.
Meu próximo álbum será ambientado bem amarrado,
baseado num material bem cru. E eu nunca mais permitirei que qualquer
pessoa controle a maneira como o pacote fique de novo.
- Fale sobre a banda que você fazia parte antes de se juntar
ao Mike no Lycia. Qual era o seu paradigma artístico e o
que mudou desde então?
Tara: Oh Senhor! A diferença é que o Lycia era profissional
e realmente conseguiu os seus objetivos. Eu era muito nova pra conseguir
ter seriedade naquele tempo. Nós escrevemos músicas
muito boas, mas nós éramos muito sem conhecimento
sobre gravar e também sair e também éramos
muito ‘patetas’ para realmente ter algo feito. Eu não tinha
regras artisticamente falando até então, isso pode
ser uma coisa boa, mas existe a necessidade de ter algum tipo de
controle para que as gravações corressem da melhor
maneira e ter músicas que funcionassem em um nível
matemático. E também eu era muito nova, eu não
era capaz de capturar o que eu realmente queria capturar. Eu não
tinha controle sobre minhas emoções.
- Diga o que você acha do inevitável rótulo
de Góticos que você freqüentemente é taxada:
Tara: Mike e eu não somos góticos. Sim, eu entendo
como que as pessoas podem achar que a nossa música seja do
gênero, (assim como eles acham dos Swans, Killing Joke, This
Mortal Coil etc, encaixando no gênero gótico), mas
nós mesmos não somos góticos. O Mike se parece
com o seu professor de ciências do ginásio. Eu não
estou certa do que eu pareço! Mas não é especificamente
gótico. Nós nunca tivemos problemas com góticos,
foi mais o fato de que nós fomos unicamente empurrados para
aquele mercado que não estava apropriadamente completo. Falaram
com a gente ‘góticos gostam de vocês, isso faz com
que vocês sejam góticos’. Hmm, então eu acho
que também faz do Johny Depp um gótico, a partir do
momento que góticos gostam do Edward Mãos de Tesoura?
De qualquer maneira, eu gosto de góticos, eu tenho muitos
amigos góticos, mas nós nunca pedimos pelo rótulo.
- Essa taxação te afeta?
Tara: Nós apenas fazemos o que fazemos. Não existe
nenhum esforço consciente para dizer ‘Eu vou mostrar a eles!
Olhem o quanto Anti-Gótico eu sou!’. Nós apenas fazemos
o que fazemos, e tentamos com todo esforço, nos mostrarmos
verdadeiramente como somos. As pessoas podem achar o que elas quiserem
achar, elas irão apesar de tudo, e se matar, gritar e lamentar
sobre isso não vai mudar nada.
- Quais são as músicas que empacam na sua cabeça
na maioria das vezes?
Tara: Das minhas? NENHUMA! Eu tenho um monte de músicas bobas
na minha cabeça como Jingles de TV ou então Total
Eclipse Of The Heart. Ultimamente eu tava com A Thousand Years by
World of Skin na minha cabeça.
- Em qual processo de composição ou de arranjo você
tem estado? Existe um padrão? E este processo está
mudando?
Tara: Geralmente alguma coisa apenas aparece na minha cabeça
e será a base para todo o resto que será envolvido.
Às vezes é uma frase, outras é uma melodia
ou até mesmo apenas um som. Tudo depende e geralmente nunca
é o mesmo.
- O que mais você pode nos falar do seu mais novo álbum?
Temas, estilo, etc. e quando será lançado e ainda
será sobre o selo Projekt?
Tara: Nós estamos fora da Projekt. E como eu respeito imensamente
Brian John Mitchell e como nós estamos no mesmo nível
em termos de visão e de como nós conduzimos nossas
vidas, eu acho que a Silber vai querer lançar o álbum.
Eu ainda não tenho um tema planejado para o álbum
ainda, apenas sei que ele será provavelmente mais orgânico
e sensual.
- Você já está em negociação com
Brian? Quais são os passos que você deve dar pra chegar
até lá? Eu sei o último álbum do Mike
foi lançado pela Silber.
Tara: Nós ainda não discutimos sobre isso, apenas
o deixamos sabendo que eu vou estar trabalhando em algo. Uma vez
que o álbum estiver terminado, eu vou oferecer a ele e se
ele sentir que está de acordo com sua listagem, acho que
felizmente ele lançará o álbum. Do contrário,
eu acho que a caçada por uma gravadora estará aberta!
BJM (Brian John Mitchell), é um amigo primeiro, e em segundo
lugar o administrador de uma gravadora. Na maioria das vezes eu
me refiro a ele num nível de amizade, negócios geralmente
nunca surgem no assunto.
- Existe alguma tecnologia musical que você gostaria de trabalhar?
Como você se entende com esse tipo de coisa?
Tara: Eu não daria nada em relação a equipamentos.
É o significado de um fim pra mim. Nenhum de nós é
algum tipo de expert em tecnologia. Nós temos o mínimo
e mais barato tipo de equipamento. O Mike sempre diz ‘use o que
você tem, e conheça o que você tem’.
- Você está em qual estágio na preparação
do seu álbum? Quantas faixas? Demos? Quer sugerir algum nome
ou título do álbum? Temas?
Tara: Eu estou apenas no estágio vago de formar e deduzir
algumas idéias, se isso já te diz o quanto infantil
o projeto está. Eu tenho uma música que é bem
curta terminada. Essa é realmente a única informação
que eu posso te dar. Apesar de eu talvez estar usando para o álbum
alguns trabalhos artísticos de Stephen Kasner. ( http://www.stephenkasner.com
).
- Me diga como você se tornou uma Cristã:
Tara: É uma longa história. Eu ia para a igreja com
a minha família quando eu era bem pequena. Eu sempre acreditei
bastante na Bíblia e nas coisas associadas a ela, mas as
coisas em que eu acreditava eram ainda muito vagas. Eu tinha a crença
de que todos os caminhos levam ao céu. Naquela época
eu me envolvi com ocultismo e estava levando a vida de uma maneira
bem destrutiva. Eu estava imersa em negativismo de todos os ângulos.
Eu estava indo à escola de cosmologia e essa garota se aproximou
e me deu um bilhete dizendo: ‘Deus tem coisa melhor para você’.
Então eu pensei que ela deveria me achar uma satanista ou
algo do tipo, porque eu estava vestida de preto etc. Puxei ela de
lado e conversei com a menina. Ela não de confrontou de maneira
alguma e tudo o que ela disse foi: ‘Eu apenas passei a mensagem
pra frente’. Alguns dias depois, ela me convidou para ir ao estudo
bíblico na casa do seu pastor e eu por ser aquela pessoa
‘cabeça-aberta’, concordei em ir. Eu me senti tão
nervosa, absurdamente nervosa, de uma maneira fora do comum. Então,
no caminho para a casa do pastor, eu ficava mentalizando pra mim
mesma que não havia motivos para ficar nervosa nem deixar
que o nervosismo se instalasse em mim. Eu senti aquele poder irresistível
quando cheguei na casa do pastor. Era muito mais poderoso do que
qualquer coisa eu já havia sentido espiritualmente. Eu me
sentei no estudo bíblico, e afugentando pensamentos que estavam
dizendo pra que eu fugisse dali e vários outros pensamentos
maliciosos até mesmo sobre o pastor que havia sido super
agradável e não foi ameaçador em momento algum.
O meu cérebro racional me dizia “Não tem nada de errado.
Você está apenas em um estudo bíblico. Não
existe nada a temer.’ E outra parte de minha mente estava pensando
em coisas malignas e dizendo pra que eu saísse dali. Isso
pareceu muito estranho pra mim, mesmo porque eu nunca havia tido
essa experiência antes. Quando estava na hora de deixarmos
a casa do pastor, ele me perguntou se poderia orar por mim. E eu
como era daquelas que nunca recusava qualquer coisa boa, concordei.
Ele me disse que eu teria que enfrentar um tempo muito difícil
e que existiam escolhas que eu deveria fazer. Ele me fez pensar.
Alguns dias depois, eu fui convidada pelo pastor para fazer um atendimento
em uma igreja em Columbus, Ohio, que estava umas duas horas de distância.
Eu concordei, como eu disse antes, eu era o tipo de pessoa ‘cabeça-aberta’.
Quando a gente chegou à igreja, ninguém apareceu!
As únicas pessoas que estava na igreja era o pastor de lá,
com mais duas senhoras, a garota que eu tinha ido e o Pastor de
sua igreja. Eles se assentaram e começaram a conversar sobre
várias coisas, e eu me assentei lá em um tormento
completo e infundável. Aquelas pessoas eram boas e gentis
e não me ameaçavam de maneira alguma, eu não
conseguia entender o por quê da minha reação.
Eu também havia arranhado tanto o meu braço por causa
do nervosismo, que já estava até sangrando. Finalmente
uma das senhoras disse: ‘E você? Qual é a sua história?’.
Eu não conseguia falar. Mesmo porque nenhuma palavra sairia
da minha boca. O pastor sentindo a minha apreensão, ou o
que quer que eu estava sentindo, disse ‘Ela ainda está tomando
algumas decisões’. E tudo o que eu consegui dizer foi ‘Eu
decidi’. Então nós oramos e eu senti que tudo aquilo
que havia estado em mim, tinha ido embora. Eu era literalmente uma
nova pessoa. Todas as vezes que tenho questionamentos sobre a minha
fé, eu volto um pouquinho para aquele momento. Não
existe nenhuma explicação em palavras para o que aconteceu
ali. Eu não posso negar o que aconteceu. È por isso
que eu acredito no que eu acredito, porque se provou por Ele mesmo
pra mim.

- Me diga o que você acha sobre o Espírito Santo, o
mundo Espiritual e a Guerra Espiritual:
Tara: Eu acho que o Espírito Santo é bem real, e Ele
sempre me faz rir ou chorar. Eu acredito que também exista
um mundo espiritual e nós não controlamos nada dele.
Qualquer um que ache que pode controlar, está iludido.
- Qual sua opinião sobre o que a Bíblia diz em relação
à música e outras expressões artísticas?
Tara: Eu acredito que Deus me deu o que quer seja isso que me guia.
Eu não necessariamente uso isso pra valer, a todo momento.
Mas eu sei que é algo que não vem de mim.
- Você mencionou que as suas criações não
vêm de você mesma. Isso é espiritual?
Tara: Eu não sei se a minha música é espiritual,
isso realmente é uma definição exagerada. Eu
acho que o ‘espiritual’ me moveu de alguma forma, se é puramente
espiritual ou não, depende da interpretação.
Eu não sei o bastante e também nem passei tempo suficiente
para descobrir isso. Eu apenas faço o que faço. Eu
sei que eu não controlo o que vem da minha cabeça
porque a maneira como geralmente isso surge é ao acaso. Como
você pode controlar o acaso?
- Eu acredito que você costumava estudar o oculto. Você
enfrentou muitas batalhas e lutas espirituais para se livrar daquilo?
Tara: Minha resposta é curta e grossa: sim e sim.
- Você freqüenta alguma Igreja? Poderia nos falar sobre
isso?
Tara: Eu freqüento sim, apesar de não ser regularmente.
Eu vou provavelmente duas vezes ao mês. Eu vou sozinha, isso
pode ser meio estranho pra mim. É uma grande igreja interdenominacional
cheia de pessoas de coração bom. Do contrário
eu não iria de maneira alguma.
- Você já teve algum envolvimento com grupos como o
Sanctuary, você conhece o ministério Gótico
cristão?
Tara: Somente tenho amigos que pertencem. Não vou dizer que
eu não me envolveria, mas é que eu não tive
propostas.
- Quais são os maiores conflitos que você teve em seu
trabalho por ser Cristã?
Tara: Provavelmente ser respeitada. Muitas pessoas te cortam automaticamente
se eles descobrem que você é cristão, porque
obviamente se você é um cristão, isso faz com
que você seja ridículo e ingênuo. É mais
ou menos da mesma maneira com que eles vêem um Republicano.
A outra coisa que é bem difícil pra mim, é
exatamente ser pega no negativismo, ou pessimismo. É algo
que eu realmente não gosto e tenho uma certa tendência
a sentir isso. Tem o outro lado também, cristãos me
julgam um pouco mais severamente porque eu falo ‘foda-se’ muito
e também escrevo algumas vezes sobre temas de fantasia dark
(fadas, etc). Então pode ser uma espada de dois gumes. Eu
acredito no que eu acredito porque se confirmou para mim, eu não
me importo com o que as pessoas têm a dizer sobre isso.
- Como você lida com influências ocultistas/satânicas
que por você estar num meio que é bastante influenciado,
automaticamente pode estar à sua volta?
Tara: Eu não deixo com que isso me afete. Eu fico ofendida
com coisas que são diretamente anticristãs, mas ao
mesmo tempo, eu tento saber de onde essas pessoas vêm e acho
também que elas têm o direito de pensar como elas querem.
Não é como se eu não estivesse lá, eu
nunca escondi o que eu sou e acredito. E olha que eu já estive
bastante no meio de gente que não compartilha da mesma fé
nem das mesmas coisas que eu acredito de maneira alguma. Desde que
exista um respeito mútuo, não terá problema.
As pessoas são livres para fazerem as suas próprias
mentes.
- Como você se mantém concentrada?
Tara: Eu não tenho certeza de que eu fico concentrada! De
verdade, eu acredito no que eu acredito, mas eu sou uma pessoa cheia
de falhas sim.
- Quais são as maiores perguntas que você ainda não
achou resposta?
Tara: Por que muitas acontecem como elas acontecem? Eu fico muito
brava quando eu sei que as poderiam ser mudadas num piscar de olhos
e ainda assim nada acontece.
- Quais histórias, ou personagens, ou poesia da Bíblia
são os mais poderosos pra você? Quais partes da Bíblia
que você se sente mais impulsionada a dividir com o mundo?
Tara: Eu não sei. Existem muitas passagens na Bíblia
que batem comigo, depende do que está acontecendo na minha
vida. Eu não sou perfeita de maneira alguma, eu luto todos
os dias para tentar acertar e ‘entrar na linha’. Não é
fácil. As pessoas que acreditam que ser um cristão
vai facilitar a vida ou que você tem que andar por aí
sorrindo o tempo todo estão enganados. Ser cristão
faz de você responsável por cada pensamento e cada
ação, não é fácil, principalmente
para uma pessoa que tende a ser (extremamente) crítica com
os outros.
- Como você concilia ser um Cristão e perceptivelmente
ter uma ‘atração’ por coisas consideradas Darks?
Tara: Porque a vida é um saco. Isso é realista. Não
é anticristão ver as coisas como elas são.
Jesus chorou lágrimas de sangue porque Ele sentiu o pavor
da cruz. Eu diria que isso é bem dark. A Bíblia sagrada
é dark. Não é tudo um mar de rosas e raios
de Sol. Como eu já disse anteriormente, eu acho que Deus
direciona as nossas personalidades para um parâmetro. Nós
somos quem somos por um motivo. E além do mais, se você
fosse uma pessoa que estivesse a ponto de se matar, em quem você
confiaria mais? Alguém que sabe de onde você veio ou
a Mary Poppins?
- Quais outros trabalhos você teve durante os anos? Você
ainda é um músico tempo integral?
Tara: Eu já trabalhei num parque temático (Geauga
Lake for you Ohioans), limpei quartos de hotel, trabalhei em algumas
fábricas, trabalhei para uma distribuidora musical, trabalhei
em uma casa que transformava pele de animal em couro (NOSSA COMO
ISSO É GÓTICO!), e para uma grande empresa de seguros.
Eu não tenho sido um músico em tempo integral durante
anos, ter que ter seguro de saúde muda muito a idéia
das pessoas.
- Então atualmente você está trabalhando numa
empresa de seguros?
Tara: Sim eu estou. Nós vivemos no mesmo mundo que você
vive! ;)
- Descreva um dia de semana normal e um fim de semana na vida de
Tara...
Tara: Muito chato! Eu acordo às 5:40 da manhã e checo
meus e-mails. Vou para o trabalho (De carro dá uns 40 minutos.).
Volto pra casa. Faço exercícios por volta de 30 minutos.
Trabalho nos meus e-mails. Assisto alguma coisa na Televisão
e janto e depois começo a escrever. Geralmente eu estou na
cama lá pelas 10:00 da noite. Nos fins de semana Mike e eu
não fazemos muita coisa. Nós geralmente acordamos
cedo pra tomar chá, e passamos o resto do dia trabalhando
na casa ou em melhoramentos para ela (Como pintar o quarto de vermelho
escuro, isso teve que ter 8 demãos, e sim, isso foi a primeira
vez!) e depois apenas andar por aí um pouco. Às vezes
nós vamos jantar fora uma vez por semana, outras vezes vamos
visitar a família. Às vezes nós fazemos trilhas
no deserto ou apenas saímos para longos passeios de carro.
Apenas as mesmas coisas chatas que todos fazem.
- Me fale sobre as suas bonecas caseiras:
Tara: Eu não fiz nenhuma boneca em anos! Elas eram feitas
de retalhos de pano e fios, decorada com o cabelo do Mike (de quando
nós raspamos todo o seu cabelo), e tinha olhos de botões
e geralmente flores e xuxinhas em seu cabelo.
- Quais sonhos e ambições você tem atualmente
para sua vida?
Tara: Meu objetivo é viver de compor e tocar música.
Isso é possível? Claro, por que não? Se eu
estou contando com isso? Não muito. Eu apenas quero estar
completa com o lugar onde eu estou. É uma batalha sem fim
eu acho.
- Me conte um pouquinho sobre sua infância, sua criação,
sua vida escolar como tudo isso te fez ser a pessoa e a compositora
que você é:
Tara: Eu diria que a minha infância foi bem normal. A minha
família é toda do Oeste da Virgínia, mas nos
mudamos para Ohio depois que o meu irmão nasceu. Eu nasci
seis anos depois. Nós éramos classe média baixa,
mas eu tinha tudo o que precisava. Eu amava ser criança.
Nós saíamos de casa quando o sol raiava pra brincar
e voltávamos apenas quando o Sol já estava se pondo.
Tinham muitas crianças na minha vizinhança. Mas ao
mesmo tempo eu tinha esses hábitos estranhos de assentar
e pensar em coisas mórbidas sobre a vida e a morte até
o ponto em que eu chorava. Eu me lembro de quando eu tinha uns seis
anos de idade, eu estava no meu armário chorando porque meus
pais morreriam algum dia, e eu também e com isso ninguém
saberia que eu havia existido. Então eu escrevi o meu nome
e a data na parede pensando que se alguma coisa acontecesse, alguém
descobriria o que eu tinha escrito e saberia que eu havia existido.
Eu também tinha sonhos apocalípticos quando eu era
pequena. O que eu mais me lembro bem, era o sonho em que eu me levantava
e tudo estava completamente parado. Eu não conseguia achar
ninguém e eu saí de casa e ouvia trombetas tocando
n céu e uma voz dizia ‘Eu volto pra você mais tarde!’,
coisas estranhas como essa. Mas na maioria das vezes eu era normal
como qualquer outra criança e muito feliz. Os anos da escola,
o ginásio, trouxeram toda hostilidade pra mim. Eu me tornei
uma pessoa bem brava e também foi a época que eu ouvia
músicas punks e depois comecei a ouvir músicas darks.
Eu acho que todas as experiências que eu passei transformou-se
no que quer que seja de criativo que eu estou trabalhando. Cada
experiência seja ela positiva ou negativa tem valor para definir
quem você é.

- O que te deixa pra baixo?
Tara: Você tem o resto da vida pra eu contar? ;) O estado
em que o mundo se encontra e todas as suas hipocrisias me deixam
pra baixo. O fato de o Mike ter problemas de saúde me deixa
pra baixo. Minhas próprias falhas e defeitos me deixam pra
baixo. Muitas coisas me deixam pra baixo. Mas eu não fico
andando por aí triste, acredite em mim, na maioria das vezes
eu ajo como uma pateta idiota.
- O que te deixa nas nuvens?
Tara: A vida cara, a vida. Tô brincando! ;) Muitas coisas.
Ver o Sol nascendo atrás das montanhas de manhã. Olhar
para minha gata adorável quando ela olha pra mim com nada
a não ser amor em seus olhos. O fato de eu ter encontrado
alguém que realmente me ama e me anima e me faz feliz. Meus
sobrinhos e sobrinhas. Compor. As pessoas maravilhosas que eu encontrei.
As experiências maravilhosas que eu tive. Muitas coisas me
fazem muito feliz.
- Qual é a coisa mais difícil da sua vida?
Tara: Lidar com o fato do Mike ter problemas de saúde que
nunca irão embora e perceber que o sonho de ser músico
já se foi na maioria das vezes. Isso é bem depressivo
não é?
- Qual é a coisa mais bonita na sua vida?
Tara: O sucesso de algumas coisas, não importa quão
pequenas são. Basicamente as mesmas coisas que eu respondi
algumas perguntas atrás.
- Países que você gostaria de morar?
Tara: Estados Unidos. Eu não tenho vontade de viver em outro
lugar, apesar de existirem lugares que eu adoraria visitar como
a Nova Zelândia e a Austrália. Eu realmente gosto de
ser americana, me desculpe se isso faz de mim um daqueles americanos
‘maus’.
- Pessoas que você gostaria de encontrar?
Tara: Hmm...Eu não sei! Provavelmente pessoas que compuseram
comigo mas que eu nunca vi face a face. Eu vou de verdade encontrar
Jarboe face a face pela primeira vez nesse outono quando ela visitar
Phoenix.
- Quais os ‘fenômenos’ que mais te aborrecem?
Tara: Toda aquela merda na MTV. Você sabia que Ashlee Simpson
é punk? Quer saber como eu sei? Porque ela tem uma blusinha
que diz ‘PUNK’ em letras de strass. A Wattie do Exploited não
tinha uma daquelas? Sim, eu sou muito esperta.
- Muito obrigada Tara por generosamente compartilhar com a gente
sobre todas as partes de sua vida. Tudo de bom para o álbum
e para o livro. Nós esperamos pelo lançamento. Deus
abençoe.

Fonte:
www.balaamsmiracle.com

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