TARA VANFLOWER

Entrevista

Por Sean Tobin. Tradução: Rebeca Cordeiro.

 

Só para introduzir, os últimos dez anos tem sido agitados e interessantes para vermos Cristãos surgindo com maestria na música. Pessoas que apenas fazem o que fazem e são honestas em relação a sua fé, mesmo que isso seja considerado atrasado. Mas como uma pessoa que é mais interessada em subcultura do que em uma tendência, eu achei particularmente interessante saber sobre artistas como Tara Vanflower que “aparece fora da escuridão” segurando uma luz, até mesmo compartilhando suas jornadas e reflexões espirituais em seus trabalhos sem deixar de lado a cena musical, e colocando a baixo algumas gravadoras cristãs (com todo respeito às gravadoras Cristãs).
Eu tive algumas vezes conversas breves com Tara via e-mail, e ela foi muito responsiva; tão atenciosa. Ela esteve quieta, musicalmente, por um longo tempo então eu fui desafiado a descobrir como ela estava, tanto criativa como pessoalmente, e descobrir mais sobre a garota atrás do “Ambiente Dark/Darkwave” projeto solo, ‘This womb like liquid honey”e infelizmente fora do extinto Lycia, iniciado por Mike VanPortfleet.
Então, por mais de três ou quatro entrevistas através de e-mail, nós conversamos sobre sua fé, sua música, seu livro, suas bonecas caseiras, seus sonhos, suas influências, seu trabalho tempo integral e mais.

- Olá Tara, obrigado por concordar com essa entrevista. Depois que você aceitou a entrevista, eu decidi fazer um trabalho extra e dar uma procurada em outras entrevistas que você deu antes. Eu fiquei feliz em não achar nenhum material nesse estilo desde mais ou menos o ano de 2000, significou que eu teria que pescar muitas coisas.
Qual é a história por trás do nome “Vanflower”? Qual é o seu nome original?
Tara: Na verdade isso começou como uma brincadeira. Eu não queria usar o meu nome “verdadeiro” então eu mudei. Nós achamos que seria engraçado colocar “Van” na frente.

- Você é casada com Mike VanPortfleet?
Tara: Sim! ;)

- Seu primeiro solo (This Womb Like Liquid Honey) foi lançado em 1999, então me diga qual o motivo da demora do seu novo álbum? Eu li várias informações interessantes que você deu há uns anos atrás dizendo como seu próximo álbum seria; ele seria mais cru, menos eletrônico, usando vários instrumentos manuais. Ainda é assim?
Tara: O atraso é devido a vida entrando no caminho, e o fato de eu não estar concentrada o suficiente. Eu estou constantemente trabalhando em um romance, que eu pretendo terminar dentro dos próximos meses aí sim vou para o álbum solo. O próximo álbum será mais orgânico em uma maneira eletrônica provavelmente durante as linhas das músicas como “The Old Hag” e “This Womb Like Liquid Honey”. Mas durante todo o processo, tudo pode mudar. Eu apenas tenho que ver como o trabalho vai fluir quando a hora chegar.

- Uau, poderia nos dizer sobre o livro?
Tara: O título até agora é Kerosene. Não existem outros planos por trás de mim, apenas terminar o livro. Se tudo der certo, eu poderei encontrar uma publicadora para o livro, do contrário, eu provavelmente vou acabar postando no meu site. Eu prefiro não falar da história por agora.

- Eu sei que The Cure e Swans estão entre as suas maiores inspirações na música. Alguma outra? O que você tem escutado nos últimos meses?
Tara: Nos últimos meses, primariamente eu tenho escutado Type O’ Negative, Stone Breath, Death in June, o álbum solo do Mike (Beyond the Horizon Line) e ao The Current 93. Eu não diria que algum artista e/ou banda inspira a minha música...Eu tento fazer o meu próprio som...Mas certamente alguns artistas tocam em um certo ponto em mim que me faz pensar que eu deveria estar trabalhando, ou uma completa e total falha.

- Qualquer artista de outras disciplinas te inspira, você diz compositores ou artistas visuais?
Tara: Nenhum artista ou compositor me inspira na maioria das vezes. Será que isso me faz não ser intelectual? É mais ou menos como música, algo que ressoa dentro de mim, mas não necessariamente me inspira a criar. A vida e o mundo a minha volta me inspiram mais do que qualquer coisa.

- Se forçado a fazer comparações (o que eu estou fazendo comigo mesmo), eu diria que a sua música soa algo como His Name Is Alive, vai de encontro ao Cure, ao Glove, ao Hallou, ao Visage, ao Insides, ao Violet Indiana, ao Luna Sect, vai de encontro a coisas que eu nunca ouvi antes e outras que eu talvez nem possa imaginar. Com quem mais você já foi comparada? Como você se sente com essas e outras associações e você acha que o próximo álbum vai ser mais ou menos a mesma história?
Tara: As únicas bandas da sua lista que eu já ouvi é o The Cure e o Glove! Sim, eu sou fraquinha nisso! Eu fui comparada (Apesar de eu nunca ter sonhado ter o mesmo talento), ao Jarboe, Daisy Chainsaw e Syd Barrett (apesar de que isso foi considerado como um insulto!?!?). Eu diria que a comparação com o Jarboe talvez esteja ligeiramente correta. Eu honestamente não sei onde a minha música se encaixa. Talvez no mesmo ramo de uma das bandas World Serpent...

- Quais outros artistas que atualmente você sente que estão explorando coisas similares a você?
Tara: Eu não tenho idéia. Por agora, eu sinto uma verdadeira afinidade com Timothy Renner do Stone Breath. Eu acho que nós estamos no mesmo patamar. E claro o meu marido. Nós saímos do mesmo anglo em quase tudo.

- Me fale sobre a afinidade que você sente com Timothy Renner.
Tara: Bem, sua música soa muito ‘americana’ pra mim. Ele é uma pessoa profundamente espiritual e parece vir dos mesmos contextos de vida e crenças. Ele usa instrumentos bluegrass que estão bem próximos dos meus sentimentos, como eu cresci indo a shows de bluegrass e o meu avô tocava rabeca. Ele me lembra o Current 93...apenas sua música tem uma vibração folclórica rural americano nela. Ele e eu temos conversado sobre alguns planos vagos de fazermos uma parceria no futuro o que eu realmente quero!

- Qual é o seu top 10 com os melhores álbuns de todos os tempos?
Tara: Oh meu Deus! Agora, deixe-me dizer uma coisa, esses é o MEU top 10, e eu não considero estes álbuns os melhores de todos nunca (apesar de que isso poderia ser discutido também). Sem ordem particular:
1) Disintegration - The Cure
2) Ionia - Lycia
3) October Rust - Type O Negative
4) Nada! - Death In June
5) The Burning World - Swans
6) The World Of Skin
7) Taxidermy - Queen Adreena
8) Venemous Eve - Trance To The Sun
9) Adore - Smashing Pumpkins
10) Filth - Swans
Garanto que existem outros zilhões que eu poderia listar – mas essa é uma boa amostra.

- Existe algo no mercado alternativo cristão (ou artistas que você sabe que são cristãos professos) que você se dá bem?
Tara: Alguns anos atrás eu tinha mais contato com artistas cristãos do que eu tenho agora. Eu me dou bem com a maioria das pessoas com quem eu encontro. Existem muitas pessoas...Muitos nomes mesmo.

- Tem algum artista cristão que você gosta de ouvir?
Tara: Deixe-me adiantar isso dizendo que eu não escuto muita música e as músicas e CDS que eu escuto tendem a ser cds que eu escuto nos últimos dez anos. Além do Stone Breath eu não consigo pensar em outra banda ‘cristã’ que eu escute e eu não acho que o Timothy (Stone Breath) considere sua banda uma banda cristã.

- Você já encontrou outros cristãos que você pôde ter um nível profundo de relacionamento verdadeiro?
Tara: Claro!

- Quantas vezes você esteve no Cornerstone e o que você achou disso, ou outros eventos parecidos de música cristã?
Tara: Eu só toquei lá uma vez e só participei dessa vez. Eu achei que ele foi de longe muito mais aberto do que qualquer outro festival secular que eu já estive. As pessoas simplesmente te aceitavam como você é. E tinham umas bandas experimentais bem interessantes também. Parecia de longe muito mais saudável do que a cena de música regular na minha opinião. Tinham alguns não-cristãos comigo e nenhum deles foi ameaçado em maneira, forma nenhuma. Eu realmente tive um momento ótimo eu gostaria de tocar novamente por lá algum dia.

- Quando foi a última vez que você ouviu o seu álbum solo? Qual é a sua própria e pessoal crítica do álbum agora que já se passaram 4-5 anos? O que você faria diferente? Como suas próprias lições ou evoluções afetaram a maneira como você está trabalhando com o seu próximo álbum?
Tara: Eu não ouvi o álbum durante anos. Pra ser exata eu nem sei se eu tenho a cópia dele. Eu tiraria as músicas dançantes. Eu acho que o álbum como um todo, deveria ter mais músicas do tipo ‘The Old Hag’ e ‘This Womb...’Eu não estou certa do que eu estaria pensando naquela época. Eu não sei o por que de eu querer aquelas dançantes no álbum. Eu acho que é porque a gente tinha passado muito tempo naqueles clubes estúpidos. Eu também mudaria o trabalho de arte. Não é o que eu realmente queria. Meu próximo álbum será ambientado bem amarrado, baseado num material bem cru. E eu nunca mais permitirei que qualquer pessoa controle a maneira como o pacote fique de novo.

- Fale sobre a banda que você fazia parte antes de se juntar ao Mike no Lycia. Qual era o seu paradigma artístico e o que mudou desde então?
Tara: Oh Senhor! A diferença é que o Lycia era profissional e realmente conseguiu os seus objetivos. Eu era muito nova pra conseguir ter seriedade naquele tempo. Nós escrevemos músicas muito boas, mas nós éramos muito sem conhecimento sobre gravar e também sair e também éramos muito ‘patetas’ para realmente ter algo feito. Eu não tinha regras artisticamente falando até então, isso pode ser uma coisa boa, mas existe a necessidade de ter algum tipo de controle para que as gravações corressem da melhor maneira e ter músicas que funcionassem em um nível matemático. E também eu era muito nova, eu não era capaz de capturar o que eu realmente queria capturar. Eu não tinha controle sobre minhas emoções.

- Diga o que você acha do inevitável rótulo de Góticos que você freqüentemente é taxada:
Tara: Mike e eu não somos góticos. Sim, eu entendo como que as pessoas podem achar que a nossa música seja do gênero, (assim como eles acham dos Swans, Killing Joke, This Mortal Coil etc, encaixando no gênero gótico), mas nós mesmos não somos góticos. O Mike se parece com o seu professor de ciências do ginásio. Eu não estou certa do que eu pareço! Mas não é especificamente gótico. Nós nunca tivemos problemas com góticos, foi mais o fato de que nós fomos unicamente empurrados para aquele mercado que não estava apropriadamente completo. Falaram com a gente ‘góticos gostam de vocês, isso faz com que vocês sejam góticos’. Hmm, então eu acho que também faz do Johny Depp um gótico, a partir do momento que góticos gostam do Edward Mãos de Tesoura? De qualquer maneira, eu gosto de góticos, eu tenho muitos amigos góticos, mas nós nunca pedimos pelo rótulo.

- Essa taxação te afeta?
Tara: Nós apenas fazemos o que fazemos. Não existe nenhum esforço consciente para dizer ‘Eu vou mostrar a eles! Olhem o quanto Anti-Gótico eu sou!’. Nós apenas fazemos o que fazemos, e tentamos com todo esforço, nos mostrarmos verdadeiramente como somos. As pessoas podem achar o que elas quiserem achar, elas irão apesar de tudo, e se matar, gritar e lamentar sobre isso não vai mudar nada.

- Quais são as músicas que empacam na sua cabeça na maioria das vezes?
Tara: Das minhas? NENHUMA! Eu tenho um monte de músicas bobas na minha cabeça como Jingles de TV ou então Total Eclipse Of The Heart. Ultimamente eu tava com A Thousand Years by World of Skin na minha cabeça.

- Em qual processo de composição ou de arranjo você tem estado? Existe um padrão? E este processo está mudando?
Tara: Geralmente alguma coisa apenas aparece na minha cabeça e será a base para todo o resto que será envolvido. Às vezes é uma frase, outras é uma melodia ou até mesmo apenas um som. Tudo depende e geralmente nunca é o mesmo.

- O que mais você pode nos falar do seu mais novo álbum? Temas, estilo, etc. e quando será lançado e ainda será sobre o selo Projekt?
Tara: Nós estamos fora da Projekt. E como eu respeito imensamente Brian John Mitchell e como nós estamos no mesmo nível em termos de visão e de como nós conduzimos nossas vidas, eu acho que a Silber vai querer lançar o álbum. Eu ainda não tenho um tema planejado para o álbum ainda, apenas sei que ele será provavelmente mais orgânico e sensual.

- Você já está em negociação com Brian? Quais são os passos que você deve dar pra chegar até lá? Eu sei o último álbum do Mike foi lançado pela Silber.
Tara: Nós ainda não discutimos sobre isso, apenas o deixamos sabendo que eu vou estar trabalhando em algo. Uma vez que o álbum estiver terminado, eu vou oferecer a ele e se ele sentir que está de acordo com sua listagem, acho que felizmente ele lançará o álbum. Do contrário, eu acho que a caçada por uma gravadora estará aberta! BJM (Brian John Mitchell), é um amigo primeiro, e em segundo lugar o administrador de uma gravadora. Na maioria das vezes eu me refiro a ele num nível de amizade, negócios geralmente nunca surgem no assunto.

- Existe alguma tecnologia musical que você gostaria de trabalhar? Como você se entende com esse tipo de coisa?
Tara: Eu não daria nada em relação a equipamentos. É o significado de um fim pra mim. Nenhum de nós é algum tipo de expert em tecnologia. Nós temos o mínimo e mais barato tipo de equipamento. O Mike sempre diz ‘use o que você tem, e conheça o que você tem’.

- Você está em qual estágio na preparação do seu álbum? Quantas faixas? Demos? Quer sugerir algum nome ou título do álbum? Temas?
Tara: Eu estou apenas no estágio vago de formar e deduzir algumas idéias, se isso já te diz o quanto infantil o projeto está. Eu tenho uma música que é bem curta terminada. Essa é realmente a única informação que eu posso te dar. Apesar de eu talvez estar usando para o álbum alguns trabalhos artísticos de Stephen Kasner. ( http://www.stephenkasner.com ).

- Me diga como você se tornou uma Cristã:
Tara: É uma longa história. Eu ia para a igreja com a minha família quando eu era bem pequena. Eu sempre acreditei bastante na Bíblia e nas coisas associadas a ela, mas as coisas em que eu acreditava eram ainda muito vagas. Eu tinha a crença de que todos os caminhos levam ao céu. Naquela época eu me envolvi com ocultismo e estava levando a vida de uma maneira bem destrutiva. Eu estava imersa em negativismo de todos os ângulos. Eu estava indo à escola de cosmologia e essa garota se aproximou e me deu um bilhete dizendo: ‘Deus tem coisa melhor para você’. Então eu pensei que ela deveria me achar uma satanista ou algo do tipo, porque eu estava vestida de preto etc. Puxei ela de lado e conversei com a menina. Ela não de confrontou de maneira alguma e tudo o que ela disse foi: ‘Eu apenas passei a mensagem pra frente’. Alguns dias depois, ela me convidou para ir ao estudo bíblico na casa do seu pastor e eu por ser aquela pessoa ‘cabeça-aberta’, concordei em ir. Eu me senti tão nervosa, absurdamente nervosa, de uma maneira fora do comum. Então, no caminho para a casa do pastor, eu ficava mentalizando pra mim mesma que não havia motivos para ficar nervosa nem deixar que o nervosismo se instalasse em mim. Eu senti aquele poder irresistível quando cheguei na casa do pastor. Era muito mais poderoso do que qualquer coisa eu já havia sentido espiritualmente. Eu me sentei no estudo bíblico, e afugentando pensamentos que estavam dizendo pra que eu fugisse dali e vários outros pensamentos maliciosos até mesmo sobre o pastor que havia sido super agradável e não foi ameaçador em momento algum. O meu cérebro racional me dizia “Não tem nada de errado. Você está apenas em um estudo bíblico. Não existe nada a temer.’ E outra parte de minha mente estava pensando em coisas malignas e dizendo pra que eu saísse dali. Isso pareceu muito estranho pra mim, mesmo porque eu nunca havia tido essa experiência antes. Quando estava na hora de deixarmos a casa do pastor, ele me perguntou se poderia orar por mim. E eu como era daquelas que nunca recusava qualquer coisa boa, concordei. Ele me disse que eu teria que enfrentar um tempo muito difícil e que existiam escolhas que eu deveria fazer. Ele me fez pensar. Alguns dias depois, eu fui convidada pelo pastor para fazer um atendimento em uma igreja em Columbus, Ohio, que estava umas duas horas de distância. Eu concordei, como eu disse antes, eu era o tipo de pessoa ‘cabeça-aberta’. Quando a gente chegou à igreja, ninguém apareceu! As únicas pessoas que estava na igreja era o pastor de lá, com mais duas senhoras, a garota que eu tinha ido e o Pastor de sua igreja. Eles se assentaram e começaram a conversar sobre várias coisas, e eu me assentei lá em um tormento completo e infundável. Aquelas pessoas eram boas e gentis e não me ameaçavam de maneira alguma, eu não conseguia entender o por quê da minha reação. Eu também havia arranhado tanto o meu braço por causa do nervosismo, que já estava até sangrando. Finalmente uma das senhoras disse: ‘E você? Qual é a sua história?’. Eu não conseguia falar. Mesmo porque nenhuma palavra sairia da minha boca. O pastor sentindo a minha apreensão, ou o que quer que eu estava sentindo, disse ‘Ela ainda está tomando algumas decisões’. E tudo o que eu consegui dizer foi ‘Eu decidi’. Então nós oramos e eu senti que tudo aquilo que havia estado em mim, tinha ido embora. Eu era literalmente uma nova pessoa. Todas as vezes que tenho questionamentos sobre a minha fé, eu volto um pouquinho para aquele momento. Não existe nenhuma explicação em palavras para o que aconteceu ali. Eu não posso negar o que aconteceu. È por isso que eu acredito no que eu acredito, porque se provou por Ele mesmo pra mim.

- Me diga o que você acha sobre o Espírito Santo, o mundo Espiritual e a Guerra Espiritual:
Tara: Eu acho que o Espírito Santo é bem real, e Ele sempre me faz rir ou chorar. Eu acredito que também exista um mundo espiritual e nós não controlamos nada dele. Qualquer um que ache que pode controlar, está iludido.

- Qual sua opinião sobre o que a Bíblia diz em relação à música e outras expressões artísticas?
Tara: Eu acredito que Deus me deu o que quer seja isso que me guia. Eu não necessariamente uso isso pra valer, a todo momento. Mas eu sei que é algo que não vem de mim.

- Você mencionou que as suas criações não vêm de você mesma. Isso é espiritual?
Tara: Eu não sei se a minha música é espiritual, isso realmente é uma definição exagerada. Eu acho que o ‘espiritual’ me moveu de alguma forma, se é puramente espiritual ou não, depende da interpretação. Eu não sei o bastante e também nem passei tempo suficiente para descobrir isso. Eu apenas faço o que faço. Eu sei que eu não controlo o que vem da minha cabeça porque a maneira como geralmente isso surge é ao acaso. Como você pode controlar o acaso?

- Eu acredito que você costumava estudar o oculto. Você enfrentou muitas batalhas e lutas espirituais para se livrar daquilo?
Tara: Minha resposta é curta e grossa: sim e sim.

- Você freqüenta alguma Igreja? Poderia nos falar sobre isso?
Tara: Eu freqüento sim, apesar de não ser regularmente. Eu vou provavelmente duas vezes ao mês. Eu vou sozinha, isso pode ser meio estranho pra mim. É uma grande igreja interdenominacional cheia de pessoas de coração bom. Do contrário eu não iria de maneira alguma.

- Você já teve algum envolvimento com grupos como o Sanctuary, você conhece o ministério Gótico cristão?
Tara: Somente tenho amigos que pertencem. Não vou dizer que eu não me envolveria, mas é que eu não tive propostas.

- Quais são os maiores conflitos que você teve em seu trabalho por ser Cristã?
Tara: Provavelmente ser respeitada. Muitas pessoas te cortam automaticamente se eles descobrem que você é cristão, porque obviamente se você é um cristão, isso faz com que você seja ridículo e ingênuo. É mais ou menos da mesma maneira com que eles vêem um Republicano. A outra coisa que é bem difícil pra mim, é exatamente ser pega no negativismo, ou pessimismo. É algo que eu realmente não gosto e tenho uma certa tendência a sentir isso. Tem o outro lado também, cristãos me julgam um pouco mais severamente porque eu falo ‘foda-se’ muito e também escrevo algumas vezes sobre temas de fantasia dark (fadas, etc). Então pode ser uma espada de dois gumes. Eu acredito no que eu acredito porque se confirmou para mim, eu não me importo com o que as pessoas têm a dizer sobre isso.

- Como você lida com influências ocultistas/satânicas que por você estar num meio que é bastante influenciado, automaticamente pode estar à sua volta?
Tara: Eu não deixo com que isso me afete. Eu fico ofendida com coisas que são diretamente anticristãs, mas ao mesmo tempo, eu tento saber de onde essas pessoas vêm e acho também que elas têm o direito de pensar como elas querem. Não é como se eu não estivesse lá, eu nunca escondi o que eu sou e acredito. E olha que eu já estive bastante no meio de gente que não compartilha da mesma fé nem das mesmas coisas que eu acredito de maneira alguma. Desde que exista um respeito mútuo, não terá problema. As pessoas são livres para fazerem as suas próprias mentes.

- Como você se mantém concentrada?
Tara: Eu não tenho certeza de que eu fico concentrada! De verdade, eu acredito no que eu acredito, mas eu sou uma pessoa cheia de falhas sim.

- Quais são as maiores perguntas que você ainda não achou resposta?
Tara: Por que muitas acontecem como elas acontecem? Eu fico muito brava quando eu sei que as poderiam ser mudadas num piscar de olhos e ainda assim nada acontece.

- Quais histórias, ou personagens, ou poesia da Bíblia são os mais poderosos pra você? Quais partes da Bíblia que você se sente mais impulsionada a dividir com o mundo?
Tara: Eu não sei. Existem muitas passagens na Bíblia que batem comigo, depende do que está acontecendo na minha vida. Eu não sou perfeita de maneira alguma, eu luto todos os dias para tentar acertar e ‘entrar na linha’. Não é fácil. As pessoas que acreditam que ser um cristão vai facilitar a vida ou que você tem que andar por aí sorrindo o tempo todo estão enganados. Ser cristão faz de você responsável por cada pensamento e cada ação, não é fácil, principalmente para uma pessoa que tende a ser (extremamente) crítica com os outros.

- Como você concilia ser um Cristão e perceptivelmente ter uma ‘atração’ por coisas consideradas Darks?
Tara: Porque a vida é um saco. Isso é realista. Não é anticristão ver as coisas como elas são. Jesus chorou lágrimas de sangue porque Ele sentiu o pavor da cruz. Eu diria que isso é bem dark. A Bíblia sagrada é dark. Não é tudo um mar de rosas e raios de Sol. Como eu já disse anteriormente, eu acho que Deus direciona as nossas personalidades para um parâmetro. Nós somos quem somos por um motivo. E além do mais, se você fosse uma pessoa que estivesse a ponto de se matar, em quem você confiaria mais? Alguém que sabe de onde você veio ou a Mary Poppins?

- Quais outros trabalhos você teve durante os anos? Você ainda é um músico tempo integral?
Tara: Eu já trabalhei num parque temático (Geauga Lake for you Ohioans), limpei quartos de hotel, trabalhei em algumas fábricas, trabalhei para uma distribuidora musical, trabalhei em uma casa que transformava pele de animal em couro (NOSSA COMO ISSO É GÓTICO!), e para uma grande empresa de seguros. Eu não tenho sido um músico em tempo integral durante anos, ter que ter seguro de saúde muda muito a idéia das pessoas.

- Então atualmente você está trabalhando numa empresa de seguros?
Tara: Sim eu estou. Nós vivemos no mesmo mundo que você vive! ;)

- Descreva um dia de semana normal e um fim de semana na vida de Tara...
Tara: Muito chato! Eu acordo às 5:40 da manhã e checo meus e-mails. Vou para o trabalho (De carro dá uns 40 minutos.). Volto pra casa. Faço exercícios por volta de 30 minutos. Trabalho nos meus e-mails. Assisto alguma coisa na Televisão e janto e depois começo a escrever. Geralmente eu estou na cama lá pelas 10:00 da noite. Nos fins de semana Mike e eu não fazemos muita coisa. Nós geralmente acordamos cedo pra tomar chá, e passamos o resto do dia trabalhando na casa ou em melhoramentos para ela (Como pintar o quarto de vermelho escuro, isso teve que ter 8 demãos, e sim, isso foi a primeira vez!) e depois apenas andar por aí um pouco. Às vezes nós vamos jantar fora uma vez por semana, outras vezes vamos visitar a família. Às vezes nós fazemos trilhas no deserto ou apenas saímos para longos passeios de carro. Apenas as mesmas coisas chatas que todos fazem.

- Me fale sobre as suas bonecas caseiras:
Tara: Eu não fiz nenhuma boneca em anos! Elas eram feitas de retalhos de pano e fios, decorada com o cabelo do Mike (de quando nós raspamos todo o seu cabelo), e tinha olhos de botões e geralmente flores e xuxinhas em seu cabelo.

- Quais sonhos e ambições você tem atualmente para sua vida?
Tara: Meu objetivo é viver de compor e tocar música. Isso é possível? Claro, por que não? Se eu estou contando com isso? Não muito. Eu apenas quero estar completa com o lugar onde eu estou. É uma batalha sem fim eu acho.

- Me conte um pouquinho sobre sua infância, sua criação, sua vida escolar como tudo isso te fez ser a pessoa e a compositora que você é:
Tara: Eu diria que a minha infância foi bem normal. A minha família é toda do Oeste da Virgínia, mas nos mudamos para Ohio depois que o meu irmão nasceu. Eu nasci seis anos depois. Nós éramos classe média baixa, mas eu tinha tudo o que precisava. Eu amava ser criança. Nós saíamos de casa quando o sol raiava pra brincar e voltávamos apenas quando o Sol já estava se pondo. Tinham muitas crianças na minha vizinhança. Mas ao mesmo tempo eu tinha esses hábitos estranhos de assentar e pensar em coisas mórbidas sobre a vida e a morte até o ponto em que eu chorava. Eu me lembro de quando eu tinha uns seis anos de idade, eu estava no meu armário chorando porque meus pais morreriam algum dia, e eu também e com isso ninguém saberia que eu havia existido. Então eu escrevi o meu nome e a data na parede pensando que se alguma coisa acontecesse, alguém descobriria o que eu tinha escrito e saberia que eu havia existido. Eu também tinha sonhos apocalípticos quando eu era pequena. O que eu mais me lembro bem, era o sonho em que eu me levantava e tudo estava completamente parado. Eu não conseguia achar ninguém e eu saí de casa e ouvia trombetas tocando n céu e uma voz dizia ‘Eu volto pra você mais tarde!’, coisas estranhas como essa. Mas na maioria das vezes eu era normal como qualquer outra criança e muito feliz. Os anos da escola, o ginásio, trouxeram toda hostilidade pra mim. Eu me tornei uma pessoa bem brava e também foi a época que eu ouvia músicas punks e depois comecei a ouvir músicas darks. Eu acho que todas as experiências que eu passei transformou-se no que quer que seja de criativo que eu estou trabalhando. Cada experiência seja ela positiva ou negativa tem valor para definir quem você é.

- O que te deixa pra baixo?
Tara: Você tem o resto da vida pra eu contar? ;) O estado em que o mundo se encontra e todas as suas hipocrisias me deixam pra baixo. O fato de o Mike ter problemas de saúde me deixa pra baixo. Minhas próprias falhas e defeitos me deixam pra baixo. Muitas coisas me deixam pra baixo. Mas eu não fico andando por aí triste, acredite em mim, na maioria das vezes eu ajo como uma pateta idiota.

- O que te deixa nas nuvens?
Tara: A vida cara, a vida. Tô brincando! ;) Muitas coisas. Ver o Sol nascendo atrás das montanhas de manhã. Olhar para minha gata adorável quando ela olha pra mim com nada a não ser amor em seus olhos. O fato de eu ter encontrado alguém que realmente me ama e me anima e me faz feliz. Meus sobrinhos e sobrinhas. Compor. As pessoas maravilhosas que eu encontrei. As experiências maravilhosas que eu tive. Muitas coisas me fazem muito feliz.

- Qual é a coisa mais difícil da sua vida?
Tara: Lidar com o fato do Mike ter problemas de saúde que nunca irão embora e perceber que o sonho de ser músico já se foi na maioria das vezes. Isso é bem depressivo não é?

- Qual é a coisa mais bonita na sua vida?
Tara: O sucesso de algumas coisas, não importa quão pequenas são. Basicamente as mesmas coisas que eu respondi algumas perguntas atrás.

- Países que você gostaria de morar?
Tara: Estados Unidos. Eu não tenho vontade de viver em outro lugar, apesar de existirem lugares que eu adoraria visitar como a Nova Zelândia e a Austrália. Eu realmente gosto de ser americana, me desculpe se isso faz de mim um daqueles americanos ‘maus’.

- Pessoas que você gostaria de encontrar?
Tara: Hmm...Eu não sei! Provavelmente pessoas que compuseram comigo mas que eu nunca vi face a face. Eu vou de verdade encontrar Jarboe face a face pela primeira vez nesse outono quando ela visitar Phoenix.

- Quais os ‘fenômenos’ que mais te aborrecem?
Tara: Toda aquela merda na MTV. Você sabia que Ashlee Simpson é punk? Quer saber como eu sei? Porque ela tem uma blusinha que diz ‘PUNK’ em letras de strass. A Wattie do Exploited não tinha uma daquelas? Sim, eu sou muito esperta.

- Muito obrigada Tara por generosamente compartilhar com a gente sobre todas as partes de sua vida. Tudo de bom para o álbum e para o livro. Nós esperamos pelo lançamento. Deus abençoe.

Fonte: www.balaamsmiracle.com

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