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REVELAÇÕES
DE UMA EX-SATANISTA
A
impressionante história de Bárbara
Texto escrito
e cedido gentilmente pela autora, em 20 de Novermbro de 2005
Meu
nome é Bárbara. Nasci no ano de 1985. Sou filha de
pais evangélicos e inclusive o meu pai é pastor. Antes
de fazer um ano de vida, meus pais se mudaram para uma cidade no
interior de Minas Gerais. Lá, o meu pai pastoreava uma igrejinha
com pouco mais de cinqüenta membros.

A minha infância foi sempre vivida à sombra da Bíblia
e dos ensinamentos sobre Deus e Seu amor. Sempre fui aplaudida por
avós, avôs, tios e tias quando perguntada sobre algo
da Bíblia e respondia com esperteza e inteligência,
não porque meus pais me cobravam, mas porque eu achava que
deveria saber.
Aos sete anos perdi a minha avó paterna e vinte dias depois
perdi os meus avós maternos em um acidente de carro, na época
por eu ser ainda pequena demais, não avaliava o que era a
morte e também não sabia as conseqüências
dessa perda que me afetou tanto. Aos oito anos em uma viagem, juntamente
com os meus pais dentro do carro, eu orei em voz alta aceitando
Jesus como meu Salvador. E sempre vivenciei isso, ainda que pequenina
demais.
No ano de 1995, mudamos para o interior de São Paulo em uma
cidade com mais de 500.000 habitantes. A Igreja que o meu pai estava
pra pastorear tinha mais de trezentos membros. A igreja em si, estava
em uma situação caótica, completamente desestruturada,
arrombada e depredada por Satanás e pessoas usadas por ele.
E coube ao meu pai, sozinho, a tarefa de arrumar a casa.
Ele sempre se dedicou muito ao trabalho da Igreja, e realmente honra
o chamado de Deus para um ministério, mas naquela época,
ele se dedicou mais do que poderia. Aí começaram os
problemas.
Devido ao esforço exacerbado, o meu pai entrou em uma profunda
crise de Stress. Tanto o seu físico como o seu emocional
foi abalado. Eu olhava tudo aquilo e via o meu pai prostrado, entregue
à sua doença e à cama. Em momentos críticos,
ele perdia a paciência muito fácil, e por sermos muito
parecidos um com o outro, ele sempre descontava em mim. Eu era sempre
a atingida, era eu quem sempre saía chorando para o quarto.
Tudo isso foi sendo marcado dentro de mim, cada palavra jogada,
cada gesto raivoso foram tomando conta do meu coração.
A revolta crescia cada vez mais e o rancor se arraigava e ganhava
espaço. A minha irritação e revolta foram sendo
direcionadas contra Deus, afinal eu pensava: Que Deus era aquele
que quase matava o meu pai e destruía a minha família?
Que amor é esse que Ele sentia por mim pra me deixar sofrer
daquele jeito? No meu ponto de vista, o meu pai havia se tornado
um fanático religioso, e eu estava vendo a hora de ele morrer
por causa daquela maldita igreja. Eu tinha que fazer algo contra
esse Deus.
Foi então que o diabo começou a mover as suas peças
no jogo. Nessa época eu estava na oitava série do
ginásio, e tinha uma menina que era muito minha amiga, se
chamava Flávia. Ela começou a me apresentar algumas
idéias relacionadas ao Ocultismo, vidas passadas e ao sobrenatural.
E eu sempre me senti muito atraída a isso, sempre gostei
de ver filmes, ler livros ou até mesmo pesquisar sobre esses
assuntos. Flávia, com sua conversa serena foi ganhando espaço
em meu coração, afinal, eu queria algo que fosse diretamente
contra aquele Deus carrasco que eu havia conhecido.

Mas
já era o fim do ano, e meus pais decidiram me mudar de escola
pois a escola pública não me daria condições
de passar em um vestibular. Sendo assim, me colocaram em uma escola
particular de classe média alta. Eu fiquei completamente
frustrada, justamente na hora em que eu estava pronta pra descarregar
toda a minha fúria contra Deus, sem que eles soubessem, haviam
desmanchado todo o meu plano. Mas eu estava enganada.
Logo no primeiro dia nessa escola particular, uma menina veio até
mim e se mostrou super interessada em me conhecer. Ela era de fato
muito legal e carinhosa. O seu contexto de vida era completamente
sem pé nem cabeça, pais ricos que dão mais
importância ao dinheiro do que a própria filha. E esta
por sua vez, amava mais o cartão de crédito do pai
do que o próprio.
Uma certa vez, quando já éramos muito amigas, ela
me chamou pra ir até a casa dela, passar uma tarde conversando
e fazendo companhia uma a outra. Sem nem pensar duas vezes eu aceitei,
e logo depois da aula liguei pra minha mãe e disse que ia
pra casa dessa minha amiga. A minha mãe sem nem suspeitar
do que me aguardava, deixou sem problemas.
Chegando em sua casa, eu vi várias pessoas entrando, de todas
as idades, de todos os tipos e aparência. Aparentemente pessoas
normais, iguais a todas as outras que nós trombamos na rua
por acaso. Eu olhei para minha amiga com uma certa curiosidade sobre
quem eram aquelas pessoas. Ela sorrindo e vindo ao meu encontro
me explicou do que se tratava. Ela se virou e disse: - Fazemos parte
de um grupo seleto. Uma sociedade oculta e secreta, e vamos ter
uma reunião hoje aqui em casa. Você quer participar?-.
O meu coração relutava em ficar ali, alguma coisa
estava me deixando inquieta, mas eu ignorei e aceitei o seu convite.
Ao entrar na sala de sua casa, as pessoas me olharam com um jeito
ameaçador. Pessoas de todas as idades, desde 13 ou 14 anos
até 25 ou até mesmo 30 anos. Isso me intrigou bastante.
No meio da sala estava um tapete de seda preta, com um pentagrama
bordado com linha prata. Muito bonito por sinal, a sala era toda
iluminada por velas em castiçais lindos de prata, ao centro
do pentagrama no chão, havia uma única vela grande
e vermelha, tão vermelha que a parafina quando escorria derretida
se parecia com sangue. Eu já desconfiava sobre tudo aquilo
e me dei um tanto quanto por satisfeita de estar ali. A minha revolta
contra Deus estava sendo executada através de meus atos naquele
lugar. Ali estava se iniciando um ritual Wicca. Bruxaria em outras
palavras.
A minha amiga era a sacerdotisa, seu namorado era o símbolo
do deus cornífero (nada mais do que um Bode). E foi naquele
mesmo dia, que eu fui iniciada nesse grupo, chamado como Coven.
O tempo foi se passando, e eu fui sendo inserida em outras facções
do ocultismo, passando da bruxaria, vampirismo e chegando ao puro
e cru satanismo.
Desde o primeiro dia em que eu coloquei os meus pés naquele
lugar, minha amiga sempre me dizia que eu era especial, que eu tinha
uma sensibilidade extra e que isso deveria ser aproveitado. As pessoas
eram carinhosas, receptivas e muito bem dispostas. Ali, eu havia
conseguido ter a atenção que eu sempre quis que o
meu pai tivesse com a minha família. Naquele meio, eu me
senti especial, mas ao mesmo tempo igual aos outros, coisa que na
igreja eu não conseguia, pois muitas pessoas me cobravam
ser a melhor por ser filha do pastor. Lá, eu não precisava
lutar pra ser melhor, eu apenas era especial.
Depois de quase 1 ano e meio dentro daquele grupo, sendo testemunha
ocular de hostilidades e maldades indescritíveis, minha amiga
teve uma conversa muito séria comigo. Ela me disse que eu
era como uma princesa ali, e que ela estaria me preparando pra ocupar
uma função muito importante, por isso eu tinha que
tomar muito cuidado com o que eu via e ouvia fora dali, ou então
eu seria destruída.
Eu vivia uma vida dupla, freqüentava a igreja porque os meus
pais me obrigavam. Fiz parte da liderança dos adolescentes,
cantei em um grupo de louvor e até fazia devocionais em reuniões.
Eu havia me tornado tão fria e cética que tudo aquilo
pra mim não passava de um grande teatro na qual eu fazia
parte. Ao mesmo tempo em que eu estava em um culto na igreja, as
pessoas do meu coven estavam fazendo rituais, bebendo sangue de
animais, sendo possuídos e fazendo toda e qualquer sorte
de coisas pervertidas em adoração ao demônio.
E mesmo dentro da igreja, eu sempre me senti vigiada por eles. Era
como se eu sentisse os olhos de cada um me observando, vigiando
cada passo que eu dava.
A estrutura desse grupo era completamente e exageradamente organizada.
Todos tinham consciência de sua função e davam
cabo dela, pois sabiam que se não o fizesse, a líder
(no caso a minha amiga), daria cabo deles. Treinavam pessoas especificamente
pra se infiltrar dentro de igrejas, os chamados Lobos. Pessoas que
semeariam discórdia, hipocrisia, discussão e paradigmas
errôneos. O grupo fazia um tipo de vigília contra igrejas,
liderança, pastores e suas famílias. E tudo o que
era feito ali, era extremamente sigiloso, se alguém contasse
a qualquer outra pessoa que não fosse membro do coven, poderia
até ser morta.
Morte. Era o que era mais presente ali. A minha estadia nesse grupo,
já estava beirando os três anos. E foi na Páscoa
do terceiro ano que eu vi o limite da perversidade e maldade do
homem conjugada com o escárnio e o mal vindo do diabo. Existiam
as Matrizes, mulheres cuja função era exatamente engravidar
pra que pudesse abortar, a fim de usarem os fetos para rituais sanguinários.
Em plena Páscoa, enquanto todos cristãos comemoram
a ressurreição do filho de Deus, eles riam e agiam
com escárnio sobre esse acontecimento. Crucificavam fetos
em pequenas cruzes de madeira de tal maneira que o sangue escorria
pela boca daquele pequeno corpo, e caía em uma taça
onde todos, em meio a risadas e piadas alusivas a Jesus, tomavam
passando de mão em mão. E eu, sempre fria, sem sentimentos
nenhum não importava a situação. Além
de estar olhando imparcial a tudo aquilo que acontecia, o meu coração
havia se tornado um coração de pedra, cujo único
sentimento que residia nele era o meu rancor juntamente com a minha
amargura.
Eu sempre fui protegida por minha amiga em meio às outras
pessoas. Isso gerou uma inveja muito grande por parte dos outros
membros. Afinal, eu sempre conseguia as coisas muito fáceis
ali dentro. A minha amiga satisfazia as minhas vontades exatamente
pra que eu não quisesse sair dali. Ninguém me questionava,
ninguém poderia dizer uma letra contra a minha pessoa, ou
então, correria o risco de ser até morto. E isso estava
começando a irritar muita gente ali dentro.
Quase no fim desse terceiro ano meu ali, caminhando pro quarto,
recebi um telefonema de uma menina do grupo me dizendo que a líder
havia convocado uma reunião em um local perto da casa dela.
E ela estava mandando que eu fosse imediatamente até aquele
local. Desliguei o telefone, arrumei alguma desculpa pros meus pais
e fui de ônibus até o local marcado.
Enquanto todas essas coisas aconteciam comigo, os meus pais em casa,
tinham a certeza de que algo diferente estava acontecendo. A minha
família estava sob uma intensa opressão diabólica,
meu pai sofria investidas constantes do diabo até mesmo durante
o seu sono. Os meus irmãos por sua vez, começaram
a ficar com medo de dormir a noite, pois viam vultos pretos andando
no telhado do vizinho e não conseguiam dormir, escutavam
pessoas correndo na casa, eles acabavam sentados ao lado da cama
dos meus pais encolhidos e deitados no chão com medo do que
eles não conseguiam ver..Mas sentiam que estava ali. Minha
mãe, freqüentemente encontrava cartas que eu escrevia
me referindo ao suicídio...Cartas cheias de ódio,
rancor e revolta. Quando eu era perguntada sobre essas cartas eu
dizia que eram apenas traduções de músicas,
e por aí ficava.
No mês de novembro do meu terceiro ano no coven, eu fui chamada
à tal casa. Fui o mais rápido que eu consegui. Chegando
lá, entrei e olhei a minha volta e vi apenas uma menina.
E procurando pela amiga, não havia encontrado. A porta atrás
de mim foi fechada e trancada sem que eu percebesse. A sala estava
escura, e só conseguia enxergar a menina segurando uma vela
e rindo diabolicamente pra mim. Tive medo...Muito medo. Naquele
momento percebi que eu havia caído em uma cilada, armada
por aqueles que não conseguiam me ver crescendo dentro do
grupo e eram devorados pela inveja e a raiva.
Sem que eu conseguisse pensar em uma maneira de sair, imagino que
fossem cinco meninos me derrubaram no chão, e me seguraram
pelos braços e pelas pernas. Me arranhavam, riam, caçoavam
e as minhas lágrimas escorriam. Não podia gritar,
não haviam vizinhos ou qualquer outra pessoa que pudesse
me ajudar, não adiantaria de nada. Enquanto os meninos se
certificavam que eu estava bem presa, mais velas foram acesas e
eu vi mais cinco ou seis garotas chegavam mais perto de mim, e lentamente...foram
tirando a minha roupa sem que eu tivesse a chance de reagir de alguma
forma. Fizeram de tudo comigo. Me machucaram, bateram e o pior de
tudo, feriram a minha mente. Quando estavam pra consumir o estupro,
efetuar a relação em si, a porta se abre. A minha
amiga havia chegado. Como nunca havia visto antes, ela estava furiosa,
sua expressão era como a de um monstro.
Possuída, com apenas um tapa de sua mão, ela tirou
três meninos de cima de mim. Ela urrava, seu rosto havia se
transformado na própria imagem da besta. As pessoas que ali
estavam, inclusive eu, foram tomadas pelo medo e o desespero. Corriam
pela sala, fugindo do monstro que havia adentrado o recinto. As
pessoas correram como nunca correram em todas as suas vidas, foram
embora escoltadas pelas ameaças de minha amiga possuída.
Na sala só restava eu e ela.

O
tapete sobre o chão, velas e castiçais caídos,
eu num canto escuro me encolhendo de dor, vergonha e medo. Minha
amiga acendeu uma vela, e o seu semblante já havia se acalmado,
estava serena, calma e me olhando com uma certa pena. Ela se dirigiu
até mim, e eu fui tomada pelo medo outra vez, afinal, eu
sabia que apenas o corpo da minha amiga estava ali. O que ocupava
esse corpo não era ela. E eu sabia disso. Ela se agachou
na minha frente, pegou as minhas roupas me entregou, e disse em
voz baixa: - Eles vão pagar pelo que fizeram com você.
Você estará protegida desde que esteja do meu lado.
Você sabe, que é mais poderosa do que todos eles juntos,
e eles temem isso. Agora cabe a você, desenvolver esse poder,
esse potencial pra que você mesma faça a sua vingança
com as suas próprias mãos. E dizendo isso, me ajudou
a levantar. Esse dia foi uma sexta-feira. Cheguei em casa umas sete
horas da noite, me tranquei no quarto e chorei. Estava total e completamente
fragilizada, com nojo de mim mesma. A primeira coisa que eu fiz
foi tomar um banho. Era como se toda aquela sujeira fosse embora
com a água que escorria pelo ralo, juntamente com as minhas
lágrimas.
A partir daquele dia, Deus foi amolecendo o meu coração.
O que era pedra, de pouquinho a pouquinho, estava se transformando
em carne de novo. O sábado se passou e chega o domingo, dia
de ir à igreja. De manhã, as pessoas mais íntimas
me perguntava por que eu estava tão calada, ou até
mesmo triste. Eu sempre respondia com uma desculpa, ou era cólica
menstrual ou eu apenas estava mais quietinha do que o normal. E
se davam por satisfeitos com a minha resposta.
A noite havia chegado, e eu me preparava pra ir ao culto. Aquela
correria de tomar banho, trocar de roupa, o meu pai dizendo que
ele teria que chegar mais cedo porque ele iria pregar aquela noite
e meus irmãos rindo e se arrumando, experimentando roupas
e mais roupas até atingir a combinação certa.
Eu silenciosamente me trocava, evitava olhar pro meu corpo, com
nojo, com vergonha...Não conseguia conter as lágrimas
que caíam sem a minha permissão. Saímos de
casa. Chegamos na Igreja.
O culto se iniciou com o louvor, e as músicas que tocavam
eram quase todas falando sobre restauração. Nesse
dia, eu não cantei como nos outros, eu não bati palmas
como nos outros, eu apenas prestava atenção na letra.
Até que a última música antes do sermão,
falava do vale de ossos secos que Deus fez se transformar em um
exército. A música pedia que o Espírito de
Deus restaurasse as feridas não tratadas, tocasse os corações
e que estendesse a glória de Deus sobre toda a Terra. E foi
exatamente nessa música que Deus pontuou e silenciou a minha
revolta. Eu estava prostrada em espírito, a única
coisa que faltava era que eu me arrependesse e olhasse para a cruz
de Cristo. O sermão começa e o meu pai começa
a pregar.
O meu pai...Ele estava à frente do povo de Deus. E naquele
momento, Deus estava falando através dele. Eu prestei atenção
como nunca antes prestara atenção em qualquer sermão
na minha vida. Falava sobre Jó. E a maneira como meu pai
falava, foi causando um terremoto em meu coração,
era como se Deus estivesse chacoalhando toda minha estrutura, cada
palavra proferida da boca do meu pai, era como uma martelada quebrando
o gelo que envolvia o meu coração. Deus foi me mostrando
e falando comigo que todos passam por problemas, todos têm
perdas, mas nem por isso Deus deixa de nos amar. E foi como que
em fração de segundo, aqueles três anos passassem
na minha mente e ali, naquele momento, eu percebi e vi, que Deus
é Senhor até sobre o Inferno. E que esse mesmo Deus
tomou conta de mim e me protegeu até quando eu me afastei
Dele.
O apelo que o meu pai fez naquela noite, me trouxe de volta pros
braços de Deus. Sem que o meu próprio pai soubesse,
naquela noite ele havia recuperado a filha que tinha se perdido
durante três anos. O meu pai terminou o sermão em lágrimas
e eu recomecei a minha vida com Deus em meio a elas.
Não pense que depois disso foi tudo mais fácil...Porque
não foi. Pelo contrário, aí sim a perseguição
começou. Naquela noite, eu não consegui dormir. A
toda hora, via olhos me encarando e me culpando por quase ter desgraçado
a minha vida. Risadas e grunhidos ecoavam pelo meu quarto. Eu não
sabia o que fazer, pensava em Deus, mas não sabia como lutar
contra isso. Fiquei nessa luta incansável durante mais de
uma semana. A minha amiga me perseguia na escola, me ameaçava,
dizia que se eu saísse de vez do coven, ou eu ficaria louca
e perturbada ou eu acabaria me matando.
Na igreja, enquanto eu via pessoas discutindo sobre coisas tão
fúteis como, o volume da bateria, ou então quantas
músicas o louvor deve ter, eu percebia o diabo entrando pela
porta da frente e agindo ali no meio. A minha visão havia
mudado. Quando você conhece e vê o mal real, outras
coisas desnecessárias ou de pouca importância, se tornam
meros detalhes indignos de tanta importância.
Ao andar entre os membros da igreja, muitas vezes eu senti a presença
de alguém enviado ali no meio. É como se depois de
tudo o que eu passei Deus abriu os meus olhos para o mundo espiritual
como fez com o homem de Eliseu (2 Reis 6: 17).
Até hoje em dia, eu sofro investidas diretas do diabo. E
Deus veio me ensinando através de pessoas que eu converso,
como resistir a essas ciladas.
Uma noite me deitei pra dormir, e quando estava quase adormecendo,
eu ouvi uma gargalhada bem perto do meu ouvido. E como eu estava
de bruço, foi como se um bicho despencasse do teto do meu
quarto e caísse nas minhas costas cravando suas garras contra
os meus braços pra que eu não me mexesse. Aquele mesmo
desespero da noite em que eu fui violentada tomou conta de mim,
o medo ocupou a minha mente. Eu não conseguia gritar ou pedir
socorro aos meus pais, apesar do meu quarto estar ao lado do quarto
deles, eu estava com a porta fechada e minha voz não saía.
E a única coisa que me veio a cabeça foi DEUS. Eu
não sabia o que fazer, mas eu simplesmente pensei: - Senhor,
eu não sei o que ta acontecendo por aqui, não sei
o motivo...Eu só sei que o sangue de Jesus é mais
poderoso do que qualquer demônio mandado contra mim. Me ajuda...
– E em meio a lágrimas, assim que eu terminei de orar silenciosamente,
foi como se o quarto todo fosse inundado com uma paz inigualável
e a criatura que estava em cima de mim, desaparecesse como fumaça.
Me virei e olhei ao meu redor...Não vi nada. O meu coração
continuava acelerado, eu estava suando e ainda estava muito nervosa.
Mas assim que eu coloquei a minha cabeça no travesseiro,
orei agradecendo a Deus pelo livramento e algo me chamou a atenção.
Olhei no canto do meu quarto e vi uma silhueta de um homem...Da
cabeça até os ombros mais ou menos, depois o resto
do corpo se tornava invisível. E quando olhei pro rosto do
homem, eu senti um pouco de medo, pensei se não seria aquele
monstro outra vez. Mas não...Não era. O olhar da criatura
era tão doce, tão amável e seguro que me acalmou
no mesmo instante que eu levantei meus olhos até ele. Ele
estava com as mãos apoiadas em um cabo...Eu não conseguia
ver direito a continuação do mesmo. E eu senti Deus
falando comigo assim: - minha filha, agora você pode dormir,
pois eu mandei os meus anjos pra velarem por você durante
o seu sono...-. No mesmo instante, eu olhei de volta pra criatura
e vi que o cabo era o cabo de uma espada e que aquela criatura era
de fato um anjo. Adormeci.
Até hoje o diabo ainda me faz a mesma proposta pra retornar
ao que Deus interrompeu quase dois anos atrás. E eu sei que
eu tenho que estar sempre alerta porque ele não desiste nunca.
E procuro me fortalecer cada vez mais em Deus, não me importando
com conceitos, preceitos ou religiosidades. Apenas me preocupando
em viver a Palavra de Deus e tendo em mente que Deus permitiu que
eu passasse por tudo o que passei pra que eu pudesse me libertar
de imposições da minha própria mente e pra
que eu ajude e seja instrumento na vida de pessoas que estão
passando pelas mesmas coisas que eu passei tempos atrás.
O
presente texto foi escrito para ser parte integrante de um livro
de mesmo tema. Bárbara não é uma ficção,
é vítima de uma triste e cruel realidade.
As imagens são meramente ilustrativas.

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