O
grande e esperado dia estava chegando... não mais a
distância, mas a partir de agora eles se uniriam para
sempre.
Ele
cuidou de todos os detalhes para que tudo fosse perfeito,
e a única coisa que pediu a ela foi que cuidasse de
si mesma, para que nada saísse do planejado.
Ela
não podia ajudá-lo, sua vida era corrida, não
tinha tempo, sequer, pra si mesma. Ela não sabia
nem se poderia atender ao pedido do noivo, e depois de um
tempo acabou por esquecer-se.
Ele
a lembrava às Vezes.
Ela
não levava em consideração, os traços
de morte começaram a corroê-la, de dentro para
fora.
Algumas
feridas começaram a sair por todo o seu corpo, e seu
rosto já estava envelhecido, não havia nele
brilho algum.
Ele
percebeu isso, mas ela não, mesmo que ele dissesse,
ela não conseguia ver.
Ela
achava que, já que seu noivo preparava as coisas de
forma tão perfeita, ele provavelmente a amava, não
importava o resto, ele a aceitaria como estava.
Enfim,
o grande dia chegou, estava tudo preparado conforme o desejo
do coração dele.
Em
largos passos decididos ele caminhou até o altar; em
seguida, as portas se fecharam. Ela estava por chegar.
Ela
se vestiu, e já não era tão bela quanto
antes, naquelas vestes brancas. Sua face já era pálida
e triste.
Todos
os convidados se levantaram e os músicos se prepararam,
ela chegou e...
Finalmente,
as portas se abriram. Em dolorosos passos ela caminhava, sobre
seu vestido as manchas do sangue que escorria cada vez mais
de suas feridas, seu rosto parecia envelhecer a cada passo
e ela se sentia fraca para dar mais um ou dois passos...
Ele
com os olhos cheios de lágrimas não suportava
ver sua amada noiva caminhando daquela forma, ela não
havia dado ouvidos a nenhuma de suas palavras.. O coração
dele doia cada vez mais, e em sua memória a lembrança
de quantas vezes ela disse que o amava, mas nunca o amou,
de fato.
Ela
tentava caminhar, mas seu corpo já não aguentava
mais ficar em pé, e ela caiu...
Sentindo
o sangue escorrendo e levando consigo a vida, ela olhou para
seu noivo. Seu ar era de tristeza, mágoa, rancor...
impossível descrever. Sem poder dizer nada ela apenas
se lembrou e viu se repetir várias vezes em sua memória
quantas vezes ele havia repetido um único pedido...
até que tudo se tornou vago na cabeça dela...
Neste
momento quatro criaturas se ergueram dos quatro cantos da
Terra e mataram sua sede pelo sangue... pelo sangue da fúnebre
noiva...
A
fúnebre noiva do cordeiro.

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