Novembro de 2004

quinta-feira, 04 de novembro de 2004

(LOVE) O Amor, com sua tranqüilidade inexata e incompreensível, passeia pelo azul do céu estrelado e pelo vermelho ardente do inferno, levando um pouco de sentido a existência de todos os seres. Sim, o Amor que não vê diferenças entre o humano e o divino, se impõe a todos da mesma forma, mesmo àqueles relutantes e que fingem não ser afetados... O único que entende nossa pérfida condição de impotentes ante a força do turbilhão de idéias que somos obrigados a engolir. O Amor que conhece tanto nossas mentes quanto nossos corações, passeia ao meu lado, sorrindo e cantando com sua voz rouca, fazendo sentido no vazio daquilo que quase me esqueço que sou. Não deixa de ser ele também aquele que me cobriu de maneira indecente, me tornando escrava eterna cujas únicas ordens obedecidas são as dele...
Amor, Amor, tão lindo amor de olhos cor do céu noturno e que me maltrata com sua ausência, eu o desejo! Talvez por conhecer seu rosto e seu modo de ser e agir, eu desejo acompanhá-lo ao infinito no firmamento e aos confins dos confins dos confins da terra em seus passeios de arrebatamento.
E não é uma metáfora.


Persephone

segunda-feira, 08 de novembro de 2004

Há muitos séculos, naquele jardim pelo qual eu passava, acontecera uma cena que jamais pude esquecer: eu, ainda tão jovem e tola quanto seria capaz de ser, observando Atena brincar, e Eros sentado ao meu lado. Meu pensamento estava nos filhos que tivera e que foram tirados... e Zeus, que naquele momento havia se aproximado pegando a pequena Atena no colo. Seria capaz de tirá-la de mim também? Não seria tão cruel, posto que sabia que, embora eu não tivesse gerado, Atena era (e ainda é) tudo que mais amei na existência. “Vou ficar com ela hoje. Não precisa se preocupar, ao cair da noite ela já estará em sua casa novamente”. “Méter...”-ela ainda estendera os braços para mim, mas ao ver o olhar severo do pai, se calara e fizera um acenozinho. Eros, assim como eu, ficara calado, olhando o rei levar a filha embora, e fora eu a primeira a quebrar o silêncio: não poderei ter mais filhos, eu não agüentaria ver outro ser que amo sendo tirado de mim...”. E Eros havia segurado minha mão e dito: “Tenha um filho meu e eu prometo que ninguém o tirará de você.”Aqueles olhos de inexplicável ternura infinita me enfeitiçando. Eu não tivera ou não quisera a oportunidade de recuar quando seus lábios encostaram nos meus. Teria eu coragem de tentar novamente? Todo o meu ser exigia a união com Eros, mas meu sentimento, por de mais machucado, me fizera repelir o mais belo dos deuses. Eu havia corrido desesperadamente, os olhos embaçados pelas lágrimas, tudo porque eu prometera a Hades que, quando eu estivesse recuperada, seria com ele com quem eu haveria de ficar...
O jardim continuava o mesmo: belo e florido. Mas a situação havia mudado bastante. Filhos, eu os tive. Muitos. Com Eros, com Hades também e com outros. Depois de muitos acontecimentos, voltas e reviravoltas, eu estava naquele jardim lembrando de algo tão pequeno... Agora, casada com Hades, sendo que esse é o segundo casamento dele, eu já podia ter esquecido. Afinal, não era o Ruivo que eu queria?
Caminhei para o palácio e no meio do caminho encontrei Eros. E os mesmos olhos enfeitiçantes de sempre.
- Vem comigo, Níke.- Disse sem nem mesmo me cumprimentar.Segurou minha mão e me guiou até o seu quarto.
- Nossa, o que é tão urgente para me trazer ao seu quarto?
- Veja.- ele me mostrou um vaso com um belo arranjo de flores.
- É lindo!- exclame maravilhada. O tom de lilás e amarelo era tão bem combinado que parecia ter sido sempre daquelas cores.
- Eu fiz pra você, mas lembrei que essas coisas não sobrevivem no Tártaro (o que Hades faz com aquelas rosas?) e queria que você pelo menos visse.
- Obrigada.- abaixei a cabeça encabulada com o meio presente.- É o arranjo mais lindo que eu já vi.
- Não mais lindo do que você.- ele deixou escapar.- Ah, desculpa...
- Você nunca me pede desculpas quando diz essas coisas...
- É que... eu estive pensando... eu não deveria deixar tão explicito o que eu sinto por você... Todos sabem, e não foram poucas as vezes que ouvi comentários do tipo: “quem ela está fazendo de idiota dessa vez?”
- Você não é idiota. – passei a mão no seu rosto, e a pele queimada de sol é macia. É melhor do que todos eles.
Silêncio. Meu sorrido morreu quando percebi a mesma sensação se séculos atrás... mas não conseguia desviar os meus olhos do rosto dele, hipnotizada quase ou totalmente, a ponto de não ter reação quando ele se aproximou cerrando os olhos e roçando seus lábios nos meus, exatamente como a séculos atrás.
- Não! Gritei ao me afastar.
As lágrimas ainda lavavam o meu rosto quando cheguei no Tártaro. Eu soluçava como se tivesse perdido outro filho.
- O que foi, Níke? – Hades perguntou preocupado.
- Nada, por favor, me deixa sozinha.
- Como assim? Sou seu esposo, tenho dever de ajudá-la...- disse com doçura tentando me abraçar, mas eu tentei me desvencilhar de seus braços fortes.
- Estou indo embora.- respondi com voz entrecortada. – não sou digna do seu amor.
- Níke, o que você fez?- sua compreensão sumira naquele instante, e me puxou para junto de si bruscamente.- Esse cheiro... esteve com Eros. Mas...
- Não tivemos culpa...
- Você realmente me traiu?- sua voz estava mais grave e séria do que de costume.
- Não! Mas não posso continuar, eu... eu me odeio! Tenho que deixá-lo...
- Você não vai a lugar nenhum, Níke.- estreitou os olhos, demonstrando claramente que não estava para brincadeira. Também não pude evitar seu beijo violento e dominador.- Você é minha! Demorei muito tempo para... por tudo que mais prezo! Você pretende ver qual dos dois você vai enlouquecer primeiro?
- Não...- murmurei assustada. – Você está me machucando...
Hades me soltou.
- Pode ir. Vou esperar até que mude de idéia, como ele tem esperado por todos esse tempo.
Caí de joelhos no chão chorando ainda mais. Uma confusão, de lágrimas, sentimentos e vontades, me tomava. Hades, em pé, me olhava com uma frieza forçada. Depois, quando a torrente diminuiu, me abraçou e sussurrou:
- Vamos, pare com isso, você não é uma deusa fraca.- me pegou pelos cabelos e me beijou novamente. E eu, ainda mais confusa, dessa vez correspondi. – mudou de idéia rápido... como eu disse: você é minha.- rasgou minha túnica e me fez deitar no chão colocando seu peso sobre mim.
E ao contrário do que estou acostumada, Hades me dominou completamente.


Acho que andei mesmo deixando um certo deus muito puto... mas não fiz nada! Sou inocente!!!!!

Só pra constar, o Hades, anda mais calminho... graças ao Grande Espírito! Se continuasse daquele jeito eu não teria como voltar pra Terra...

Persephone

terça-feira, 09 de novembro de 2004

Danielzinho, Dan, Danzinho. Tudo o que sei é que não tenho sido uma boa mãe. Não tenho sido boa em nada, mas como mãe tenho sido pior... Será que ele sabe? Será que ele sabe que eu o amo mesmo sendo uma mãe relapsa? Talvez. O que ele pensa, o que sente... eu não sei. Dele recebo sorrisos e aquele brilho eterno nos olhos azuis. Azul gelado. Anjo gelado. Eu deixei que Lúcifer lhe desse o nome hebraico. Deixei que o pai o levasse para as férias. Deixei que os irmãos o arrastassem para a destruição. Deixei que morresse. E preciso pedir perdão a ele, meu filho, meu anjo, meu neto. Daniel.
Muitas vezes eu me pergunto: o que ele pensa? Sobre mim, sobre o universo... Só sei que ele conversa muito com o Lú. E o Lú é sempre uma ótima companhia. X-(

Persephone

quarta-feira, 10 de novembro de 2004

Urânia
O que eu sou?
Sou libido que transborda e espuma.

Persephone

quinta-feira, 11 de novembro de 2004

Fragmentos
Antigamente, os homens temiam os deuses. Hoje, eu temo os homens.

Sou uma farsa, para mim mesma. Boicoto meu próprio futuro, não tenho feito nada como deveria fazer.

Onde está a minha autoconfiança? Onde está a minha certeza de que tudo vai dar certo? Tudo tem que dar certo, mas não faço nada direito.

Já não tenho certeza se acredito em mim. Não me sinto mais limpa.

Estou cansada daqui. Os humanos me enlouquecem, não tenho paz.

EROS!!!!! Onde você está? Se você não disser que vou conseguir, tenho certeza de que vou fracassar.

Tenho medo da derrota. Pode a Vitória ser derrota? Estou me derrotando.

Amor? Muitas vezes penso se realmente sou capaz de amar.

Tenho mesmo que aprender alemão. E me esforçar. Tenho me esquecido que aqui tudo depende do meu esforço.

Dormir. Como posso achar que tenho cumprido com o meu dever se durmo mais do que vivo? Dormindo estou com aqueles que amo, meu povo, minha família... e não estudo.

A humanidade está me deixando confusa.


Persephone

terça-feira, 16 de novembro de 2004

“Ele tem um sorriso lindo.”- pensei assim que eu o avistei lá longe, vindo ao meu encontro, sorrindo docemente, com calma. Há quanto tempo eu não o via calmo? Há quanto tempo eu não o via sorrindo? Há quanto tempo ele não me parecia tão belo? Sorri em resposta e o abracei com força quando chegou.
- Olá, jovem Karl.- eu o cumprimentei da mesma força de sempre. – Você está ótimo!- passei a mão em seu rosto.
- Obrigado, tenho que fazer justiça à fôrma, não é? – picou, e segurou minhas mãos com firmeza.
Virei o rosto num sorriso encabulado. Depois tornei:
- E a sua mãe como está?
- Muito bem, pelo que estou vendo... – ele riu – ou não sabe nem como você está?
- Seu bobo!- ri também.- Estou falando da Natássia!
- Ah, mamãe está ótima também... às vezes reclama que se sente sozinha, pergunta se eu sei quando você irá vê-la...
- Qualquer dia eu vou... e o seu pai?
- Ah, o putão está bem... – deu de ombros, mas não parecia estar mais chateado com o pai.
- Por que “putão”? O que ele tem aprontado?
- Nada. Anda até bem sério...
- Hum... e você, como está se sentindo?
- Vazio...
Seus olhos eram puro gelo.
- Que pena...- murmurei com tristeza.
- Pedi ao Ágnis para me deixar algum tempo sozinho. Acho que preciso disso, para pensar e saber quem eu sou depois de tudo que aconteceu.
- Você sabe que já se passaram quase seis anos depois que soubemos da verdade?
- Tempo humano? – riu com desdém dessa vez. – Você está muito entrosada com os humanos...
- E isso e ruim?
- Não sei... você faz alguma coisa ruim?
- Você sabe que sim.
- Eu não me importo. – sua voz denotava sinceridade. E ele me encarou fazendo meu coração acelerar de repente.
“Por todos os deuses! Ele está muito mais homem... e muito mais belo!”- retirei minhas mãos das suas, me sentindo perturbada.
- Sabe Níke, acho que tenho que tratar de assuntos mais concretos... – ele percebeu meu mal-estar. – Quero saber onde está meu filho...
- Nosso filho, o Daniel, deve estar ajudando o Lú nas tarefas dele, ou em seu quarto...
- Quero levar o nosso filho para passar um tempo comigo. Às vezes penso que ele deve ter sido muito afetado com a nossa história complicada: e eu só pensei em mim...
- Não se culpe, Karl.
- Vou tentar.
Silêncio, nós dois nos encarando.
- Eu sei que você não tem a noite inteira para passar comigo, - ele quebrou o silêncio com mais uma frase irônica – então, estou indo...
- Fala pro Dan vir se despedir de mim antes de ir.
- Falo sim. – nossos olhares se cruzaram novamente e ele me beijou no rosto, bem próximo aos lábios. Sorriu com malicia e continuou seu caminho, onde poucos segundos depois se deparou com Hades. – Olá meu padrasto, não vou perguntar se está bem porque sei que está... como poderia ser o contrário?
- Olá Karl.- O_o, Hades respondeu educadamente, mas quando chegou do meu lado, perguntou: - o que fez esse menino ter sempre um tom tão irônico na voz?
Suspirei tristemente ao responder:
- A dor.




Abuse Me-Silverchair
Need to ask a question
Calling out my name
Nothing seems to bother
Wish I had a clue
C'mon abuse me more I like it
Well I don't think you like me
Well I hate you as well
No one seems to like you
Wish I couldn't tell
C'mon abuse me more I like it
C'mon keep talking 'cause it's true
Throw the sailors overboard

Persephone

quarta-feira, 17 de novembro de 2004

Em primeiro lugar, meu nome é NÍKE, FILHA DE ESTIGE, IRMÃ DA BIA, DO CROTOS E DO ZELO. Portanto, NÃO SOU FILHA DE DÉMETER E DE ZEUS PORRA NENHUMA! Agora senhora Acaice, se quer tanto ser rainha do mortos, que seja... eu quero a vida. Eu amo a vida e o amor, embora tenho vivido para a guerra e por isso estou aqui. E eu amo os humanos. A divindade se faz dessa forma pela utilidade e amor.

Estranho, seu nome não consta na Teogonia... Tanto não tem nada a ver com a humanidade que usa internet... fala sério, não tem mais o que fazer da vida, né? É cada uma que me aparece...

Persephone

segunda-feira, 22 de novembro de 2004


Suas respostas aqui:
Estou esperando a visita... eu acho muito melhor resolver as coisas cara a cara e responder como se deve. Não sou divindade de me esconder atrás de computador, mas já que não tem jeito...
1- A Leuce é minha tia, deixe-a em paz, que quando ela morreu eu era muito pequena, tá? Minha mãe diz que ela era muito bonita e eu acredito, afinal o Hades não ia transformar qualquer uma em choupo branco...
2- Deixe a Mente em paz também, coitada... a Core tanto fez que essa foi outra que virou plantinha...
3- Faz favor, né? Qual líquido da Juventude que ´cê quer saber? Do néctar ou da água da fonte que a Afro fez a Psiquê perdir pra Core?
4- Como não vê ligação? Apolodoro na Biblioteca Histórica cita minha mãe como a mãe da esposa de Hades... oras! A Bia não sai do Olimpo, e a Core é filha da Deméter... então a esposa sou eu... Que coisa! ;-)
5- Não gostou das histórias? Simples: é só clicar no x ali em cima...


Persephone

terça-feira, 23 de novembro de 2004

ACAICE, HENRIQUE E QUEM MAIS ESTIVER INTERESSADO: as respostas estão no post abaixo (no dia 22/11)
Ai, ai... acho que o Hades tem razão... estou muito encrenqueira... Mas eu queria saber que raio que está acontecendo aqui: dá onde tá saindo tanto deus? E, fala sério, ninguém merece a Core cutucando também... Então, olha aqui Core, não tenho ciumes de planta não, e se quer saber todo e qualquer chifre que o Hades tenha te colocado é muito bem-feito! E quanto a minha tia... como eu vou ter ciumes de alguém que ele amou na época em que eu mal arrastava a espada no chão? E outra coisa: abriram uma Lan House no Olimpo? Vou ter que ter um aconversa séria com a Atena...
Mas chega de confusão... vou colocar um texto que já estava pronto e não coloquei por causa da bagunça que virou esse blog...


Disse uma serva do palácio:
- Vê se precisa fazer tanto escândalo?! Tudo bem , ela é miudinha e ele, gigantesco... mas não precisa fazer todo o Tártaro saber o que eles fazem naquele quarto... No tempo da branquicela não era assim não...
Hehehe, ela não sabia que a “miudinha” estava passando por ali naquela hora...
Disse um servo:
- Nosso “déspota” está cada dia mais eficiente... Se antes nós o temíamos, imagine agora que está muito mais seguro de si, ainda mais enérgico nas suas decisões... Arre! O que não faz ter uma baixinha na cama...
Huahuahua, ele não sabia que a “baixinha”estava passando por ali naquela hora...
Disse o Ícaro, um de meus filhos:
- Mãe, o pai ficou doido!
- Ah é, é? O que ele fez?
- Ele enfrentou três líderes humanos, e quase queimou todo mundo da reunião...- Gwydion respondeu pelo irmão.
- E aí? Não é normal ele ir contra as decisões dos líderes?
- É, mas não daquele jeito... só faltou dizer que quem manda aqui é ele e que se quiserem se rebelar que o façam! Ele está confiante como eu nunca tinha visto antes... – Ícaro retomou a palavra.
- Tem que ser assim mesmo. Se ele não tiver pulso forte isso aqui vira zona... –argumentei.
- Pois é, e dizem por aí que a culpa é sua, mamãe...
- Minha, Gwydion? Se tem uma coisa que não faço é me intrometer nos assuntos do reino...
- É, mas gente feliz trabalha mais e melhor, dizem os japoneses... – disseram juntos.
- Ah, meninos! – dei um selinho em cada um.- Mas conheço uns moleques que são até bem felizes, mas não parecem estar muito afim de trabalhar... andem, andem...- saí dando tapinhas nas nádegas deles.- Chispa, chispa!
- Ai mãe!!!- eles saíram correndo para fugir dos tapas.
- Tchau, bom serviço, meus amores! – me despedi e me dirigi ao escritório do Hades.- Oiiii...- coloquei a cabeça para dentro da sala - o que está fazendo?
- Oi, minha amada. Vem aqui, estou fazendo o relatório da reunião da qual acabei de sair...
- Hum... – me aproximei e dei uma espiada no relatório escrito a pena antes de lhe dar um beijo cinematográfico. Depois resolvi encher o saco: - puxa Hades, escrevendo a pena ainda? Você pode usar computador, a Atena tem um modelo novo ótimo que ainda nem mandou pros japoneses...
- Eu não quero usar computador, Níke... – ele riu e colocou a pena no tinteiro.- Gosto de mandar os relatórios com a minha própria letra...
- Pelo menos usa alfabeto romano... Hum... Esperanto????- O_o Olhei espantada.- Alguém tinha que usar essa língua, não é?- fiz gracinha.
- Bobinha! Vem aqui. – me puxou para seu colo e me deu outro beijo.
- Andam falando de mim por aí...- informai assim que seus lábios se afastaram dos meus.
- O que falam? – ele afastou uma mecha de cabelo que caia no meu olho.
- Que sou a causa de todas as mudanças desse reino...
- Exagero... É a causa de todas as mudanças rei desse reino.
- Pois é, os meninos me contaram o que fez nessa ultima reunião.
- É mesmo? Acho melhor recontar, sei como eles são... Os líderes estavam ameaçando se rebelar, eu disse que não cederia e que tinha apoio dos planos elevados. Então, eles se levantaram para me atacar e eu criei uma chama em minha destra...
- E então...
- E então, devo dizer que eles voltaram aos respectivos lugares na mesa e se calaram. Acha que me excedi?
- Não. E estou orgulhosa de você.- outro beijo.- Mas tenho que deixar você trabalhar. Vai estar aqui quando eu tiver que voltar pra Terra?
- Receio que não. Assim que eu terminar o relatório tenho que fazer uma ronda e ir para outra reunião...
- Que pena. Reserva um tempinho pra mim, tá bom?- deslizei meus dedos pelo seu rosto e entreabri sua boca com a minha. – Eu o amo, Hades.
- Você sabe que, se você quiser, eu largo tudo só para ficar com você, não sabe?
- Sei.- ri com aquela felicidade suave de quem tem o seu amor correspondido.- Mas não quero fazer de você um rei tão irresponsável quanto seu irmão... já me chamam de escandalosa, não quero que me chamem de corruptora também.
Saltei do seu colo e ele segurou meu pulso com suavidade. Seus olhos de esmeralda, que sempre refletiam a profundidade de sua personalidade, dessa vez também refletiam contentamento.
- Eu a amo mais do que tudo, Níke. E por mais ocupado que eu seja, vou dar um jeito de fazê-la feliz.
- Você já me faz feliz, Hades.- levei sua mão até meus lábios e ele fez o mesmo com a minha. – Até logo, meu ruivo.
Não importa o que digam por aí, encontramos a felicidade um no outro e não há nada que possa nos separar.

Persephone

quinta-feira, 25 de novembro de 2004

Agora somos dois, e eu ainda não acredito que estou perdendo tempo com isso... vou trabalhar. Até logo.

Hades

sexta-feira, 26 de novembro de 2004

Tudo aquilo foi bom, mas ficou para trás. As meninas fazendo trancinhas nos cabelos do Hermes. A Ártemis atirando flechas nas folhas e nos insetos. A Atena criando coisas. O Ares destruindo coisas. O Apolo recitando, ainda sentado no meu colo. O Eroszinho dormindo depois de ter quase me enlouquecido de tanto fazer bagunça. O Endimion levando a culpa, como prova de amizade. A Afrodite dançando ao meu redor com uma coroa de flores. A Core rindo encabulada das gracinhas dos irmãos. O Dionísio bebendo todo o néctar do meu copo. A Psiquê roubando rosas do jardim do pai dela para me levar. O Daniel voltando feliz da Escola dos Anjos. Todos os filhos que pude criar no Olimpo às vezes me assaltam a memória como crianças. Eu os amo, não mais que do que aos outros, mas com a vantagem de ter essas coisas da infância deles para lembrar...

ACAICE, HENRIQUE E QUEM MAIS ESTIVER INTERESSADO: as respostas estão no post do dia 22/11


Eu mesma escrevo o grito que me sangraria a garganta: a primeira que eu vi um deles eu era muito, mas muito jovem. Tinha medo do escuro, e mais ainda porque geralmente era na falta de luz que via aqueles olhos, verdes como esmeraldas e profundos como a justiça. Depois, bem depois, é que perdi o medo, mas por influência de outro daqueles seres que só eu (umas poucas amigas) via. Mas esse era tão doce e diferente que eu não achava que fosse possível sua existência... muitas vezes me pergunto se realmente existe, duvido por estar afetada de mais pela racionalidade universitária e tenho medo daquilo que eu posso tocar mas que não tem o peso da carne. Passei a brincar com o que há de mais sagrado pra mim, e a me perder, tentar distanciar. Até onde pode ir uma brincadeira? Até onde eu preservei a minha identidade? Será que me negar a isso é ser eu mesma? Será mais alguém tem o direito de mexer nessas feridas além de mim? Ou essas feridas se revoltam e continuam sem cura? Vão estar em mim, mesmo que eu negue a elas esse direito.

Persephone

segunda-feira, 29 de novembro de 2004

ACAICE, HENRIQUE E QUEM MAIS ESTIVER INTERESSADO: as respostas estão no post do dia 22/11


Tenho precisado parar para pensar, organizar minha vida, meus sentimentos, meus pensamentos. A humanidade me faz quere congelar tudo como está e grita “pare o mundo que quero descer!” (Raul Seixas). Entretanto, eu não posso... já cantava o Cazuza que “o tempo não pára” e eu acrescento que a vida também não. A vida não pára de crescer, se modificar e me assustar.
Estou assustada de verdade. Com o rumo que minha tem tomado, principalmente: é muita responsabilidade para um único ser. Eu deveria ter só as responsabilidades normais de uma jovem humana, mas sabendo quem eu sou (acidentalmente) isso é impossível.
Busquei um dos meus antigos refúgios de isolamento. Uma das margens do rio de minha mãe, onde já não há a claridade olimpiana, mas também não há a escuridão do Tártaro. “A escuridão é ainda pior que essa luz cinza...” (Renato Russo).Sentei na margem e, lentamente, mergulhei os pés na água fria. Águas Perniciosas? Não para mim.
Fiquei algum tempo observando a correnteza. Pensei em coisas que os deuses sabem, que são tão certas quanto dois mais dois igual a quatro, que ninguém perde seu tempo pensando, embora os humanos desenvolvam teses e mais teses sobre esses assuntos. Pensei em minha mãe: Estige, a mais velha das Oceanidas, filha de Oceano. Eu jamais imaginaria a verdade sobre o meu nascimento, ela nunca me deixou perceber qualquer coisa de diferente ou que levantasse suspeitas... Pensei que talvez fosse um engano, bem que poderia ser...não. Eros diria: a Grande Mãe não se engana. Sem acrescentar que ele mesmo também não.
Meus pensamentos iam assim, como o rumo tortuoso do rio Estige, quando reconheci um perfume diferente no ar: amadeirado, masculino e olimpiano. Estranhei a presença do dono desse odor tão bom e característico, mas não me dignei a parar de observar meus próprios pés. Mesmo que eu o ignorasse ofensivamente, eu sabia que ele não se daria conta, e assim, veio ao meu encontro.
-O que faz aqui sozinha e triste, bela Níke? Não suporto vê-la assim.
-Não estou triste.- levantei a cabeça para encarar o recém-chegado.- Só estou pensativa - “e precisando ficar sozinha”, pensei, mas guardei as palavras. - E você, o que faz aqui, na fronteira dos reinos?
-O mesmo que você.
Achei que talvez ele estivesse fazendo gracinha, por isso fechei a cara, emburrada.
-É sério, Níke. - ele sentou ao meu lado ao dizer isso. E dessa vez não sorria, contrariando seu próprio costume. - Eu estava indo visitar meu irmão, seu esposo -fez uma careta de desagrado -tenho assuntos pra resolver com ele... mas tive vontade de olhar o curso do rio de sua mãe. Às vezes, também preciso de solidão.
-E mesmo assim não está sozinho.- olhei de esguelha e ele sorriu.
-Minha solidão pode esperar. Não todo dia que eu a encontro sozinha na margem de um rio... E eu gosto da sua companhia...
-Sei...- continuei de cara amarrada.
-Poxa Níke... eu sei que dei muitos motivos, mas será que você pode não encontrar malícia no que eu digo pelo menos uma vez?- sua voz grave me pareceu verdadeiramente chateada e eu o encarei pela primeira vez desde que havia sentado ali. Sob aquela luminosidade fosca, mesmo ele aparentava cansaço.
-Desculpe. - murmurei desviando o olhar para meus próprios pés na água.- venho sendo mesmo muito severa com você, Zeus...
-Tudo bem... alguém tem que ser mesmo. - e pegou na minha mão.
Ficamos calados, de mãos dadas, ouvindo o barulho da correnteza, sem olhar um para o outro, por longos minutos.
-Sabe... - ele quebrou o silêncio finalmente - sinto saudades da época em que você era minha.
-Isso faz tanto tempo... pra quê desenterrar agora?
-Porque existem coisas que eu nunca disse a você...
-Como, por exemplo, que não pretendia me libertar?
-Exatamente o contrário, Níke.- fez uma pausa, depois ordenou com voz suave: - Olhe pra mim.- o brilho daqueles olhos não muda nunca. - eu realmente pretendia colocá-la ao meu lado no trono, mas percebi tarde de mais que ninguém pode obrigá-la a fazer o que não quer... e depois... ah, não me olhe assim, eu sei o que você pensa! O que você não entende é que não vale a pena me livrar dela pra lhe dar oportunidade de fazer da minha existência mais infernal do que já faz! Mas eu a deixaria por você, porque você me ouvia, era muito mais do que uma bela deusa na minha cama... era minha amiga. - fez outra pausa e suspirou.- não vou dizer que o desejo não conta, pois estaria mentindo, mas eu posso dormir cm quem eu quiser e não posso como faço isso. Quanto à amizade, compreensão, nunca mais tive de uma mulher. Sou o rei deste panteão, sou desejado por isso.- fiz menção de falar, mas ele não deixou.- Não fale nada ainda, eu sei o que vai dizer: a Hera sempre me amou independente de eu ser rei ou não. É verdade, não nego, e por isso estou casado com ela até hoje. Mas ela nunca foi amiga e companheira como você. Eu teria sido um rei melhor se você estivesse comigo... - Ele ainda manteve o olhar fixo no meu por alguns segundos, depois desviou como que encabulado. “Olhos insanos...” (Nenhum de Nós), pensei, “Azul cinzento tempestuoso...”
Permanecemos em silêncio por mais algum tempo, até eu ter coragem de me manifestar. Ele ainda segurava minha mão.
-Não sei por que tudo isso agora... - comentei.
-Porque me sinto solitário, ciente de que toda a alegria que me rodeia é ilusão.
-Nem sempre...
-Não tenho com quem desabafar e sinto falta de quando você estava lá pra me ouvir... Falo algumas coisas pra Atena, mas... como rei e pai acho que não posso me mostrar inseguro ou chateado pra ela e pros outros deuses... não quero ser julgado por eles com tolo ou fraco. E eu sei que você não me julga assim.
-Pode confiar em mim: sou toda ouvidos.
-Eu sei...- respondeu sorrindo.- Já que não quer ser minha amante, então aceita ser, pelo menos, minha amiga?
-Nunca deixei de ser.- devolvi o sorriso.
-Obrigado.- beijou minha mão.
Levantei, sequei meus pés, calcei as sandálias e beijei a face e o nariz do nosso rei.
-Ainda amo suas sardas, Zeus.- eu informei como forma de despedida e segui meu caminho.
Zeus ficou na margem do rio, só com seus pensamentos, até quando eu não sei.

Tá eu sei que isso vai dar o que falar... mas calma povo! é só a metade da história!

Persephone

Voltar para página principal

Hosted by www.Geocities.ws

1