Agosto de 2004

terça-feira, 3 de agosto de 2004


"GENTE BOA É GENTE MORTA"- Caronte, barqueiro do rio da minha mama Estige

Ah, ontem teve reunião com os quatro mais-mais do panteão e por um motivo X foi lá noi Tartaro... Só pra saber: os quatro fodões são o Eros (o mais foda de todos, sem trocadilhos, tá?), o Hades (meu ilustríssimo esposo), o Zeus, e o Poseidon. Então, o causo é que... bem, como posso dizer... caraca! euzinha, Níke, que hoje atendo pelo ilustríssimo titulo de Persephone (estou muito ilustre hoje...), conheço esses quatro MUITO BEM, se é que alguém me entende... e o Popô chegou chegando por trás e me deu aquele cheiro no cangote que quase quebro meu pacto de fidelidade... arre!!!!! Fugi antes que o Zeus chegasse, porque o Zeus é terível também... o Eros, é mesmo um doce, então nem provoca porque sabe que resistir a ele é muito mais difícil que resistir ao Popô e ao Zé... arre!!! Veja só o que eu NÃO FAÇO por causa do Hades...
Não sei qual foi a pauta da tal reunião, não me pergunte...

Vou colocar um texticulo aqui, pra não perder o costume:

Baile de Máscaras
Tira tua máscara, mostra-me quem és na verdade. Duvido que és capaz. Nesse mundo ninguém é aquilo que demonstra ser... Sou lixo, pois não faço nada pelo bem de ninguém e às vezes faço o mal premeditadamente. Sei que os outros não são muito diferentes disso. Todos mentem e se escondem, com medo de revelar sua própria podridão, mas quero conhecer a tua, pois acredito que dizer a verdade faz de nós menos piores do que somos. Tu deves reconhecer que não estou delirando, sempre haverá um momento em que olharás para o passado e verás os próprios delitos disfarçados de sorrisos. O ser humano é uma mentira vivendo em busca da mentira do dinheiro, da mentira da internet, da mentira da tv, da mentira daqueles sorrisinhos amarelos nos corredores. Mentimos para disfarçar nossa podridão funesta e tu não podes negar, embora bem que queiras. Tu não tens capacidade de assumir e tirar tua máscara... como todos os humanos, não valemos nada. Por isso, vivamos a falsidade eterna de nossa humanidade.

Persephone

sexta-feira, 6 de agosto de 2004


“Na verdade, as pessoas estão demasiadamente interessadas em si próprias para terem opinião formada sobre as outras; todos aceitam, por preguiça, aquele grau de respeito que você mostra ter por si mesmo. Seja quem quiser ser, viva como desejar viver, mas aparente sempre uma segurança arrogante, sem nenhum sentimento de culpa: e ninguém terá moral bastante para desprezá-lo. Mas se entrar em conflito consigo mesmo, se não se respeitar mais, se se desprezar, todos concordarão cegamente com isso...”
Thomas Mann, “O diletante”


Persephone

segunda-feira, 9 de agosto de 2004


Uma pequena nota sobre a última festa do Olimpo: o Zeus largar a Hera? Estou ouvindo essa história a milênios e e ele nunca faz isso, só fala e fala e pensa que alguém ainda cai nessa... vê posso com uma coisa dessas?! E cantou "Fogo" pra mim, descarado!!!!

Persephone

terça-feira, 10 de agosto de 2004

CURTO RELATO DA ULTIMA FESTA NO OLIMPO
Todos os deuses haviam sido convidados, todo o castelo estava decorado com flores diversas, todas as deusas usando seus melhores trajes... menos eu. Mama Estige não quis ir, mana Bia preferiu fazer-lhe companhia. Das Fortes, Atena e Ártemis resolveram não fazes feio: túnicas bordadas com prata e tranças que misturavam seus cabelos fios desse mesmo metal... Não tive tempo para pensar na veste, como sempre, soube da festa em cima da hora: minha vida humana me rouba o tempo de saber dos eventos com antecedência...
Dessa vez também o Hades teve que ir e Lú (cifer) ficou tomando conta do Reino Escuro em seu lugar.
Zeus e Hera, de mãos dadas, recebendo os convidados, toda a pompa de casal real nos gestos e sorrisos... Fim do cerimonial: um rápido beijo do rei e da rainha e depois cada um para um lado cuidando do conforto de todos.
Pude falar com meus filhos, verdadeiros e de criação. Endimion foi só para me ver, depois voltou para seu aposento; Eroszinho se divertindo como podia; meus filhos com Hades preferiram não aparecer, pois o Tártaro lhes pareciam mais agradável do que as festas Olímpicas... pena! Perderam a oportunidade de ouvir a banda do Zeus tocando...
Zeus no vocal, Apolo na bateria, Atena no teclado, Endimion deveria estar na segunda guitarra, mas como fora dormir, Dionísio, e depois Ártemis assumiram seu lugar.
Composições próprias e músicas humanas de vários ritmos e línguas... Percebi que Zeus me observava discretamente, mas enquanto cantava “Fogo”não: cantou a canção toda me encarando. Seus olhos de tempestade crispando de algum sentimento que eu não soube deduzir, sua voz agradável envolvendo meus sentidos... Abracei o Hades com força, e este começou a cantar baixinho no meu ouvido, acompanhando a letra: “é tão certo quanto o calor do fogo, já não tenho escolha e participo do seu jogo”.Agora eram duas vozes me envolvendo. Olhar insistente de Zeus me incomodava, mas me deleitava também. Hades havia percebido, afinal seus olhos se dirigiam alternadamente do irmão para mim, enquanto eu não sabia para onde olhar. Ah, os dois ruivos da minha vida! Depois reparei que Poseidon estava em canto. O Eros se estava lá, perto do palco, eu não vi.
Fechei os olhos e tentei me concentrar apenas na voz de Hades: não consegui. “Eu continuo porque a chuva não cai só sobre mim. /Vejo os outros, todos estão tentando...” Quando abri os olhos novamente encontrei os do rei do Olimpo e tive raiva, afinal há pouco tempo não estava de mãos dadas com a esposa, por que não me deixava em paz?
E a música finalmente acabou. Zeus anunciou que estava cansado e Apolo assumiria o vocal até que “a voz rouca mais querida do Olimpo resolva dar o ar de sua garça essa noite”, Zeus se referia a Eros.
Poseidon se dirigiu a nós, mas eu rapidamente me retirei deixando-o continuar sua conversa com Hades. Eu iria a busca de Afrodite, de longas pernas... sendo que na verdade eu havia passado a festa toda a procura de Eros. Chega a me doer se vou ao Olimpo e ele não está lá ou não consigo encontrá-lo por qualquer outro motivo... Onde ele estaria? Por que ele não... Meu braço foi puxado de repente, com um movimento brusco que me derrubou, meu rosto a poucos centímetros do rosto de Zeus. Ele me segurava com força junto dele, meio encurvado meio me suspendendo, só as pontas dos meus pés tocavam o chão.
- O Tártaro é muito pouco pra você.-sussurrou - Deixe o meu irmão e eu deixarei a Hera: você será a nova senhora do Olimpo.
Com esforço me desvencilhei das garras de Zeus e respondi com firmeza:
- Eu nunca vou abandonar o Hades, pois eu o amo... não por ser um rei, mas por ser um deus de caráter e bons princípios. E mesmo que um dia eu o deixe, você sabe que vou para outros braços, e ele não é um rei.
Rapidamente me afastei. Eu deveria aproveitar a festa, por isso beberiquei o divino néctar que era oferecido em grande quantidade, ri com as Horas, dancei muito com vários dos meus filhos, apartei um início de discussão entre Atena e Ares... Eros ainda não havia aparecido.
Feliz por estar me divertindo com aqueles que amo e triste por não ter encontrado o Eros, voltei para junto de Hades. Cheguei a perguntar ao Eroszinho, mas também ele não havia visto o pai ainda. Um sentimento de abandono começou a tomar conta de mim, mas Hades estava ali, ao meu lado, e eu o abracei ciente de que ele nunca me deixaria... isso era reconfortante.
Com um rápido olhar para a esquerda avistei novamente a presença perseguidora de Zeus. Será que ele não havia entendido que aquela era a minha resposta definitiva?
Impelida por um turbilhão de sentimentos, procurei os lábios de Hades, num beijo terno, mas tão breve que pude avistar o Eros, ver seu movimento de desolação virando o rosto e sua partida. No mesmo instante me afastei de Hades, que de assustado (nunca havia sido beijado em publico) passou a decidido e segurou meu pulso de maneira rude.
- Você não vai a lugar a lugar nenhum.-disse tentando parecer calmo, ciente de que todos nos olhavam.
- Você não confia em mim, ruivo?- levantei o braço que ele segurava e beijei os dedos que me machucavam. Hades virou o rosto como que confuso.- Hades, você não confia em mim?-repeti com ênfase.-Olhe nos meus olhos e responde.-ordenei com voz de suplicante.
Ele me olhou nos olhos: vi refletido, em questão de segundos, todas as vezes que me vira com Eros no passado.
- Isso é passado - murmurei e ele soltou meu pulso.- Hoje sou sua esposa, naquela época eu não era.
- Mesmo casado com a Core, eu sempre pertenci a você...-sentido, Hades sussurrou como resposta.
- Eu não pertenço a ninguém, mas honro meu dever de esposa e eu o amo acima de qualquer pacto pré-estabelecido. Se eu casei com você foi porque eu escolhi. Eu o amo, Hades. Por favor, não duvide disso.
Silêncio. Muitos ouvidos atentos a nossa volta.
- Estou me sentindo péssimo por ser o espetáculo da festa...-ele comentou. Eu sorri e beijei suas mãos.
- Então, Hades, você confia em mim ou não?
Ele retribuiu o sorriso timidamente deixando todos ao redor boquiabertos:
- Confio.
Enlacei seu pescoço e dei-lhe um beijo cinematográfico, longo e apaixonado ao qual dessa vez ele correspondeu sem se importar com os olhares dos outros.
- Obrigada, ruivo.- conclui antes de correr em direção de onde eu tinha visto o Eros sair, deixando todo mundo atônito.
Meu coração me guiava até onde Eros estava e batia com força, Quase arrombei a porta do aposento.
- Calma Nïke, - ele disse quando abriu a porta - eu já ia abrir, não precisa arrombar.-sorriu de maneira triste.
Tranquei o quarto e o acompanhei até a sacada.
- Esperei você a noite inteira. Achei que não iria mais pra festa...
- E não ia. Fui porque queria ver você, mesmo de longe. E vi...
- Perdão.
- Não em peça isso. Você escolheu a ele e não a mim como esposo...
- Você sabe que isso não é totalmente verdade... você não quis lutar e sabia que eu era incapaz de escolher... mas também não me arrendo...
- Eu sei... vê-la com outro nunca me doeu, mas presenciar um beijo é pior que um soco no estômago... desculpe...
Silêncio.
- Sinto sua falta.- dissemos juntos-Quero estar ao seu lado mesmo sem nos tocarmos. Sua presença já me faz feliz. Só seu sorriso já me basta. Ao seu lado mesmo o silêncio é prazeroso.
Sorrimos e choramos, as estrelas no firmamento abençoando uma união pura.
Eu o abracei, apoiei minha cabeça em seu peito sentindo minha consciência se unir a dele, éramos um único ser naquele instante, num simples abraço... Em cinco minutos coube a eternidade. Soltar daquele abraço foi difícil, no entanto nos sentíamos felizes. Um único beijo em minha testa, um único beijo em sua mão e eu voltei para junto de Hades. Nosso amor não exige mais nada.
E Hades me esperava confiante, certo de que eu não o decepcionaria. E tinha razão.
Abençoadas sejam todas as formas de amor.

Persephone

sexta-feira, 13 de agosto de 2004

Estou meio mal-humorada hoje... rosnando até pro cãozinho de estimação... pobre Cérbero!
MAS, mais aceito uma indicação da Ana-Banana, muito lindo esse poema!!!!

Casabianca
O amor é o menino no tombadilho em chamas
Tentando recitar "O menino estático
no tombadilho em chamas". O amor é o filho
De pé, gaguejando estilo
Enquanto o pobre navio incendiado vai a pique.
O amor é o menino obstinado, o navio,
Mesmo os marinheiros nadadores, que
Também prefeririam um pódio de sala da aula,
Ou uma desculpa para ficar
No tombadilho. E o amor é o menino que se queima.
(Elizabeth Bishop)

Persephone

terça-feira, 17 de agosto de 2004


Seus olhos
Olhos verdes, olhos verdes...
Brilhantes e profundos.
Olhos verdes, olhos verdes...
dia e noite me vigiando.
Lembro da minha infância:
eu acordando no meio da noite,
aqueles olhos fixos em mim,
lindos e aterrorizantes,
que antes velavam meu sono.
São os olhos do Senhor do escuro.
Olhos do ser ocupado que,
a cada minuto de folga,
aproveita pra me observar.
Na escuridão, tão densa,
me guio pelo brilho desses olhos.
Vejo dor e devoção nesse olhar de deus
mas sinto que tem se alegrado...
Olhos verdes, verdes, verdes!
Ah, Hades! Desejo morrer só para
poder passar mais tempo sob a luz do seu olhar.

Persephone

quarta-feira,25 de agosto de 2004

Uma doce história de amor
Aparentemente era um faisão, embora todos nós saibamos que de mentira apesar de ter gosto da ave morta. Não precisamos comer, mas como comer é algo prazeroso ali estava o faisão assado que o próprio Hades havia temperado. Não, não era a alma do faisão, muito menos matéria, era apenas energia moldada para tal... Mas, esqueçamos o faisão, ele estava ali, assado decorado com rodelas de tomate, e é isso que importa.
Também havia muitas frutas: pencas de bananas, muitos morangos, mexericas, pêssegos… Tantas frutas, quantas se podem imaginar. E havia massa. As massas! Ravióli, gnochi, lasagna… A mesa parecia um verdadeiro balcão de restaurante self-service de massas. E, é claro, tantas opções de néctar que era difícil escolher quis tomar…
Tudo isso preparado por Hades, um banquete especial oferecido apenas ao nosso pequeno núcleo familiar formado por nós dois e nossos filhos desconhecidos pela humanidade e pela mitologia: Angra e Eilantha que estiveram presentes (EILANTHA KD VOCÊ????), Abel, Dharma, Psique, Sophia, Uther, Gwydion e Ícaro. Quase todos ruivos como Hades, sendo que apenas Dharma tem os cabelos claros como os meus, embora seus olhos sejam idênticos aos do pai.
Eu estava especialmente feliz. Minhas crianças seriam sempre minhas crianças, mesmo com os séculos pesando em suas costas. Hades se sentia como eu, e era tanta a ternura que seus traços duros se suavizaram, os pequenos vincos entre as sobrancelhas desaparecidos.
Sophia, com os contornos dos olhos pintados de preto bebia néctar calmamente, quase como se imitasse a elegância firme de seu pai. Psique, a mais alegre, olímpia e única conhecida pelos humanos, me contava de suas últimas atividades, que Eroszinho preferiu não ir por achar estaria sobrando, que a morada infernal ficou mais aconchegante depois que passou a ser minha, etc. Abel e Dharma disputavam uma coxa de faisão , pois só restava uma (a outra o Gwydion comera), mas na verdade tudo aquilo era só farandula. Gwydion tentava capturar a disputada coxa sem que os irmãos percebessem. Ícaro ria e implicava com a seriedade de Sophia. Uther comeu a tal coxa e teve que rolar no chão com os três irmãos, e Hades se viu obrigado a dar uma bronca nos quatro. E mesmo assim foi uma bronca amolecida: ele, talvez mais do que eu, se regozijava com tudo aquilo, pois finalmente estávamos todos juntos. O Tártaro agora é o lar de deuses felizes. Amém.

Persephone

terça-feira, 30 de agosto de 2004

Dorme, dorme lindo ruivo
o sono dos justos e piedosos...
Eu fico feliz em ficar do teu lado
velando seu ressonar tranqüilo.
Descanse um pouco, meu amado,
pois sei que seu trabalho é árduo
e que você se empenha no cumprimento de seu dever.
Esquece agora,
do sofrimento dos habitantes do seu reino,
dos gritos e gemidos de agonia,
esquece, porque a culpa não é sua e nunca foi.
E eu ficarei aqui,
admirando sua beleza infinita,
esperando seu despertar,
quando, renovado, poderá me amar
de maneira incandescente e despudorada...
Mas, por enquanto, dorme, dorme lindo ruivo...
Descanse bem, e tranqüilamente,
que eu não me importo de esperar:
quero antes velar seu sono de sanidade.

(esse é meu mesmo!)

Persephone

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