A CONTROVÉRSIA ICONOCLASTA
Definição
do II Concílio de Nicéia (787)
Actio
VII.
Mansi, XIII, 378 D ss
[A
controvérsia começou com o edito iconoclástico de Leão III (o Isáurico), em
726. Entre os motivos estava o desejo de purificar o aviltado cristianismo da
maior parte do Oriente, especialmente dos Bálcãs, onde as contínuas investidas
de eslavos, búlgaros, sarracenos etc. tinham desmoralizado a população e quase
destruído toda instrução. Nesta região o cristianismo rapidamente estava
tornando-se uma baixa superstição moral e intelectualmente inferior ao
monoteísmo árabe. O edito provocou revoltas; o Papa Gregório II denunciou-o; as
cidades imperiais da Itália rebelaram-se. Em 730, Leão depôs o Patriarca de
Constantinopla, tomou parte das terras papais e submeteu as dioceses da Itália
meridional e da Sicília a Constantinopla. Mas as incessantes guerras contra os
árabes o impediram de impor sua decisão no Ocidente.
O Segundo Concílio de Nicéia, celebrado sob pressão
da Imperatriz Irene, sendo o imperador ainda um menino, vedou, temporariamente,
a ruptura entre o Oriente e o Ocidente, que de novo se manifestou em 815. Esta
ruptura, deixando o papa sem protecção entre os lombardos, foi uma das causas
da fundação do Império Franco. Embora Carlos Magno tivesse tomado o partido dos
iconoclastas e repudiado o Segundo Concílio de Nicéia2, pedindo ao papa para
excomungar o imperador, Adriano recusou-se a atender o seu pedido.]
[...]
Caminhando como que por uma estrada real e seguindo
a doutrina divinamente inspirada de nossos Santos Padres e a Tradição
da Igreja (porque sabemos que sua tradição é a do Espírito Santo que habita
na Igreja) definimos, com todo o cuidado e exactidão, que as veneráveis e
santas imagens são erigidas da mesma maneira que a figura da preciosa e
vivificante cruz; imagens pintadas, feitas em mosaico ou de outro material
conveniente, nas Santas Igrejas de Deus, sobre vasos e vestimentas sagradas, em
paredes e quadros, em casas e ao lado das estradas; imagens de Nosso Senhor e
Deus e Salvador Jesus Cristo e de nossa imaculada Senhora, a santa Genitora de
Deus, dos veneráveis anjos e todos os homens santos. Com efeito, quanto mais
são contemplados por meio de tais representações tanto mais os que os
contemplam são incitados a reflectir nos seus originais, a suspirar por eles e
a tributar às imagens o tributo de uma saudação e a reverência da honra, sem
tributar-lhes a verdadeira adoração que está de acordo com nossa fé e que é
devida somente à natureza divina; mas, assim como às figuras da venerável e
vivificante Cruz, ao Santo Evangelho e aos outros monumentos sagrados, assim
também a essas imagens devemos conceder a honra do incenso, o oferecimento de
luzes, como piedoso costume que foi da Antiguidade. Pois as honras tributadas
às imagens passam aos seus originais e aquele que adora uma imagem adora a
pessoa nela pintada...
Mons. Dom ++ Paulo
Jorge de Laureano – Vieira y Saragoça
(Mar Alexander I
da Hispânea)