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Paixão
Em
uma paixão continuada, para que ela sobreviva parece importante que a
ansiedade que ela traz consigo seja vivenciada em silêncio, na busca de
um gesto, de uma palavra ou de uma atitude que demonstre a reciprocidade
dela.

O interesse do pensamento está centralizado no objeto da paixão, como
se fosse uma obsessão, e o medo da entrega mútua traduz a situação
proibitiva que, paradoxalmente, é o verdadeiro alimento que conserva a
paixão.
Os momentos de encontro dos apaixonados quase sempre são de capacidade
de entrega total, de comunicação e de plenitude.
A paixão cria dependência, cria fantasias e bem-estar. Existe, para
ela, uma necessidade aparentemente vital pelo outro, e uma certa angústia
somente aliviada pelo momento de encontro.
As reafirmações do estado de paixão criam, portanto, tensões, mas
nunca arrependimento da existência desse estado. As dificuldades, as
proibições e as impossibilidades, alimentam a paixão de tal maneira
que dificultam até mesmo uma possível separação discutida pelos
apaixonados.
A paixão é uma situação complexa, mas que as pessoas envolvidas nela
não desejam que termine. E se termina, ela é acompanhada normalmente
da dor da separação, da lembrança infinita ou, então, da resignação.
A paixão não obedece as tradicionais regras impostas pelas diversas
sociedades, e se rebela contra as imposições delas.
Se a paixão não é destruída, ou não é vencida a proibição ou a
impossibilidade que a alimenta, ou ela morre ou se transforma em amor
que é um sentimento mais calmo, de menor dependência e que se
realimenta por uma auto-recuperação, quanto mais se entrega e quanto
mais se doa. Entretanto, se a paixão puder, ainda, caminhar junto com o
amor, será esta uma união muito próxima da perfeição.
A paixão dá vida, ou então ajuda a gente a viver.
Ela pode não ser eterna mas é o "estado mais maravilhoso que pode
ocorrer entre um homem e uma mulher".
Narciso Nilo Sebastiany/médico e
sexólogo





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