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A
advertência de Horácio
Carpe
Diem, "aproveite o dia presente", escreveu Horácio, um poeta
guerreiro que habitou o vasto império romano, em tempos do principesco
Augustus. Sensível como um barômetro, o velho Quintus Horatius Flaccus
um dia elevou o olhar aos céus e captou o fluir silencioso das águas
do rio tempo. A visão da transitoriedade aflorou na sentença: Carpe
Diem, aproveite o dia presente, pois ele é tudo que é dado ao homem
usufruir. Passado é história, água corrida que não volta. Futuro é
hipótese, probabilidade apenas, incerteza e risco, impalpável demais
para ser levada tão a sério.
Carpie Diem, nestas duas palavras latinas, um alerta, um conselho, uma
filosofia de vida. Viver é já. Existir é hoje. Nenhum tempo além.
Nenhum lugar além. Se tiver de ser, que seja eternamente agora. Ou
talvez jamais, porque as águas do rio tempo não voltam – e ainda que
voltassem não nos encontrariam, pois não seríamos mais os mesmos.
Tudo flui, dizia Heródoto. Tudo muda. A única coisa que permanece é a
improcedência. Nada é eterno, pois que tudo é chama, fluxo,
incapacidade, escorregar-se, deixar de ser. Capie Diem. Se tiver de
viver, que seja agora.
A advertência de Horácio é sábia. É sobretudo útil. Talvez mais útil
ainda nestes tempos sobrecarregados, de cenhos sombrios, estafados na
tentativa de construir defesas antecipadas contra difusos perigos de um
amanhã improvável. Apólices de seguro na mão, e vamos nós, seguros
e inseguros.
Carpe Diem, ouçamos Horácio, que perscrustou uma verdadeira profunda
– e traduziu-a numa norma simples. Viver hoje – fazer hoje. Ser
hoje. Sem essa de não poder ser feliz no domingo porque há contas a
pagar na segunda. O conflito é amanhã? Deixa pra lá..... Amanhã você
pode ser até enforcado, mas até que chegue amanhã, aproveite bem o
seu pescoço. Viver no passado é neurótico, é inútil, é um viver
virtual. Carpe Diem, colha seu dia, como quem colhe um fruto maduro, na
hora exata. Um descuido e o fruto se perde.
Dr.
Luciano Firmino - psicólogo em Divinópolis- MG

25.03.2004
Mônica
Bynot
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