Ciência e Fé

 

 

 

 

iência e Fé - Reações cerebrais
Fonte: Globo repórter
http://redeglobo6.globo.com/Globoreporter/0,19125,VGC0-2703-3131-3-48080,00.html

Velas acesas para Buda, o som puro do metal. É assim que Sophie entra no mundo da meditação. Ela sofre de esclerose múltipla há 20 anos e estava condenada a viver em uma cadeira de rodas. Mas, com a ajuda da meditação budista, leva uma vida normal. "Quando eu medito, consigo aliviar os sintomas da doença", diz.

O que será que acontece no cérebro de quem medita? Será apenas uma fantasia, uma ilusão? Os budistas descrevem um estado de êxtase, a que chamam nirvana - muito semelhante à união mística com Deus, descrita por freiras e monges cristãos.

Na Universidade da Pensilvânia, o cientista Andrew Newberg colocou monges budistas e freiras católicas em uma máquina e fez uma tomografia do cérebro deles. Descobriu que no momento mais profundo da meditação, ou da oração, os cérebros de budistas e de católicos têm a mesma atividade elétrica, característica da experiência espiritual.

"O cérebro humano tem a capacidade inata de experimentar a presença de Deus ou de algo que pode ser descrito como puro espírito", afirma o cientista.

Quando a pessoa se concentra para meditar ou rezar, a parte da frente do cérebro - que fica atrás da testa - se torna muito ativa. É a área da consciência, da atenção. Dali saem impulsos que ativam o centro do cérebro, que comandam as reações involuntárias, inconscientes. Em seguida, são ativadas as áreas responsáveis pela visão. E é desativada a região posterior do cérebro que responde pela orientação espacial.

A pessoa tem a visão de um mundo sobrenatural e a sensação de perda de limites. O "eu" se confunde com o universo. É a experiência de uma realidade espiritual superior, descrita pelos místicos. Ao mesmo tempo, sinais são enviados para o corpo para acalmar todo o sistema nervoso e criar uma sensação intensa de prazer. Tudo isso acontece nos dois lados do cérebro.

Andrew Newberg é um dos pioneiros da neuroteologia - a ciência que estuda como o cérebro experimenta Deus. Essa nova ciência prova o poder da mente sobre o corpo e explica porquê a fé pode curar, ou pelo menos ajudar a medicina.

O médico Harold Koening é o autor de dezenas de pesquisas sobre fé e medicina, financiadas pelo governo americano. Todas mostram que as pessoas religiosas são mais saudáveis e vivem mais do que as outras. Segundo o médico, nos Estados Unidos, uma pessoa branca que assiste a pelo menos um serviço religioso por semana, vive sete anos mais do que quem não é religioso. Se for negro, vive mais 14 anos.

Uma das razões da longevidade é o apoio da comunidade religiosa. Outra: pessoas que têm fé levam uma vida mais regrada e saudável. "As pesquisas também mostram que a fé reforça o sistema imunológico e a resistência às doenças", observa Harold Koening.

Está crescendo o número de escolas de medicina que aderem à pregação do doutor Koening. Uma delas é a Johns Hopkins, ligada ao hospital do mesmo nome, onde os alunos são treinados para usar a fé no tratamento médico.

O hospital é considerado o melhor dos Estados Unidos e é um dos centros médicos mais avançados do mundo. Mas para muitos pacientes e médicos o coração do hospital fica em uma imagem de Cristo colocada, há mais de 100 anos, na entrada do hospital. Muitos passam para rezar, pedir, agradecer e meditar. Até quem não é cristão se diz reconfortado.

O capelão do hospital, o pastor Steven Mann, guarda os livros onde as pessoas deixam mensagens. São mais de três mil páginas por mês, na maioria agradecendo pelo conforto que a fé traz aos doentes. Há dez anos, o hospital foi o primeiro nos Estados Unidos a incluir a espiritualidade no ensino da medicina.

Segundo a medica Jeanne Mccauley, o uso da fé no tratamento é uma exigência dos próprios pacientes. Ela já dirigiu dois vídeos para treinar médicos, mostrando como eles podem ajudar os doentes a procurar apoio na religião. Em um deles, aparece a história de Joni, uma tetraplégica que entrou no hospital de maca e viu a imagem de Cristo na entrada. "Senti então que Deus me ama. A partir daí, passei a aceitar a invalidez, e hoje sou uma pessoa inteira", conta.

A fé pode não vencer a doença. Mas, segundo a budista Sophie, é preciso acreditar em uma força superior, seja Deus, Buda, ou o que for, mas algo que está dentro da gente. O poder da fé está em você!


 

 

 

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