Longe dos olhos, perto do computador
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Tutor: alguém juridicamente capaz, designado por lei para proteger a pessoa menor de idade que se acha fora do pátrio poder, para administrar seu patrimônio e representá-la nos atos da vida civil. Assim a palavra “tutor” é definida no dicionário da língua portuguesa. No mundo da educação a distância, porém, a definição se modifica. O tutor, que geralmente é um professor, é quem acompanha o aluno durante todo o curso. É a quem o aluno pode recorrer em caso de dúvida. “Ele é um facilitador da aprendizagem autônoma do aluno”, explica a tutora Elisa Faride Seleme que, de Florianópolis (SC), onde vive, interage com alunos virtuais de todo o país e até do exterior. Suas principais funções são as de tirar as pedras do caminho dos estudantes, orientar para que ele tenha um bom aproveitamento do curso e alertar para que ele preste atenção em determinados pontos para melhorar seu desempenho. O tutor recebe a disciplina pronta e deve conduzir os alunos na aprendizagem, interagir com eles em chats, fóruns e no próprio ambiente do curso. Ele corrige os exercícios e dá nota nas avaliações. O tutor é o professor da disciplina. Em algumas instituições a denominação varia e o tutor é chamado de mediador, que significa “aquele que intervém”, o árbitro, o negociador. As principais características que esse profissional deve ter, na opinião de Elisa, são “facilidade de lidar com o público, facilidade de comunicação e adaptação à tecnologia”. Ela fez vários cursos a distância, em diferentes áreas, antes de se tornar uma tutora. Um deles foi Especialização em Gestão da Educação a Distância, na Universidade Federal de Juiz de Fora. Seu desempenho chamou tanto a atenção que o próprio tutor do curso a convidou para substituí-lo. Para ela, a atividade é “emergente, com excelentes perspectivas de expansão, e exige mais dedicação do que de a um professor de ensino presencial”. O que mais a atrai é “a flexibilidade de tempo e local”. A parte mais difícil é o começo de cada curso, porque os alunos estão acostumados com os métodos tradicionais de ensino e precisam ser bem trabalhados para estudar a partir do próprio esforço, como exige a educação a distância. “O aluno não percebe que é o agente de seu próprio conhecimento”, afirma Elisa. Algumas universidades têm o seu gerente de EaD, cujo trabalho é avaliar os acessos, a evolução do aluno, a participação do professor tutor e alerta para equívocos. Ele alerta, por exemplo, quando um tutor dá respostas genéricas aos alunos, como “você atingiu os objetivos”, quando o mais adequado seria um tratamento personalizado. O gerente disponibiliza periodicamente na internet as unidades do curso. E está em permanente contato com as equipes de tecnologia e hospedagem, analisando quais as melhores soluções. O coordenador do projeto a distância também é uma figura nova, que surgiu com a expansão da EaD. Ele trabalha para todos os cursos de educação a distância das instituições.
Autor de conteúdo – Outra função fundamental na EaD é a do professor-autor, ou simplesmente “autor”, que elabora o conteúdo do curso. Por isso, ele também é chamado de conteudista, palavra que nem aparece no dicionário de língua portuguesa, mas que, pela lógica, podemos deduzir que é aquele que faz o conteúdo, elabora o que está contido no curso. Esse papel é exercido por um professor ou um técnico especializado no assunto abordado pelo curso. Natércia Guimarães Gomide, professora do curso de Economia do Centro Universitário do Triângulo Mineiro, em Uberlândia, é uma conteudista. O primeiro curso que ela elaborou foi Planejamento Estratégico, oferecido pelo Instituto Universidade Virtual Brasileira (UVB), numa rede de instituições de ensino superior. Natércia, que é psicólogo e mestra em administração, teve que aprender a trabalhar com EaD, num curso de formação de autores. “Não é uma habilidade que todo mundo tem”, alerta. Segundo ela, é preciso gostar de pesquisa e de ler. Além disso, ser “curioso e especulativo”. Para elaborar os cursos, ela primeiro lê a bibliografia disponível na área. Depois, organiza as informações numa seqüência lógica de acordo com o objetivo do curso. E só então é que monta a estrutura do curso, procurando torná-lo atraente, coerente e realista. “É um processo criativo, de estudo, imersão, produção, nova imersão e olhar analítico para perceber os pontos críticos do material’, afirma. Para um curso de 60 horas, são gastos quase dois meses. Trabalhar com EaD é um grande desafio para Natércia, pelo qual sente “verdadeira paixão”. A EaD trouxe para o foco outro tipo de profissional: o designer instrucional. É uma função completamente nova no mundo da educação. “Designer” é o criador especializado em design – palavra que define um projeto destinado a execução de um objeto em escala industrial, ou disciplina que visa à harmonização do ambiente humano, englobando desde a concepção e criação de objetos de uso cotidiano até projetos de urbanismo. “Instrucional” vem do ato ou efeito de instruir, de ensinar. Assim, o designer instrucional é a pessoa que faz uma espécie de tradução, em linguagem para a internet, do conteúdo do curso on-line. Ele orienta a parte visual do curso feito pelo conteudista – dá opiniões sobre como o conteúdo deve ser distribuído e que ilustrações deve ter para captar maior atenção do aluno a ser mais bem compreendido. Toda orientação do designer instrucional é colocada em prática pela equipe de web-designer, que executa a parte visual das aulas on-line. O web-designer faz gráficos, animações, escolhe as cores, distribui os textos, entre outras atividades.
Novo perfil – A tradicional, imprescindível e fundamental figura do professor continua firme, só que com outro perfil. Ele agora é um facilitador que trabalha com outros parâmetros de ensino-aprendizagem. Na hora de montar um curso, as instituições contam com os professores que têm aptidão para EaD e familiaridade com as ferramentas da internet. Mesmo assim, há sempre a necessidade de capacitar as equipes para as aulas on-line. Algumas instituições fazem treinamento desses grupos no laboratório de informática, onde eles estudam, praticam e exploram as possibilidades da educação a distância. O professor tem que desenvolver grande intimidade com a internet e ser ágil em sua interação com o aluno, para estimular a aprendizagem. Nas atividades de interação, é do professor que devem partir as idéias, as propostas de trabalho em grupo, na internet ou fora dela. A área de tecnologia da informação dá a sua fundamental contribuição para a existência da educação a distância pela internet ou com o uso do CD-ROM. Existem as funções específicas numa hierarquia que trabalha para desenvolver as plataformas – os sistemas de apoio ao desenvolvimento de EaD, formados por softwares. Os programadores trabalham sempre em parceria com a área pedagógica. Dentro dessa área está o administrador de sistemas, que dá a infra-estrutura para que os cursos aconteçam. Para orientar o aluno quanto à tecnologia, existem os monitores, que atendem por e-mail ou por telefone.
Mediador – Profissionais da área pedagógica e de produção de material didático são figuras obrigatórias nos cursos a distância, sejam quais forem as ferramentas utilizadas. Num curso por correspondência onde o é material impresso, temos o redator, que revisa todo o material escrito; o mediador pedagógico, que tem a função de adequar o material ao público a que se destina, criando uma linguagem para ser entendida pelo estudante; e, ainda, o editor de conteúdo didático, que é responsável geral pela produção dos fascículos. No Instituto Monitor quem ocupa o cargo de editora é Aline Palhares, que trabalha há 15 anos da empresa. “Comecei respondendo as perguntas dos alunos e passei por todos os setores da empresa”, afirma. Sua função agora inclui todos os passos para a elaboração de um curso, desde a concepção do tema até o material impresso. “O departamento pedagógico desenvolve o conteúdo curricular com o auxílio de profissionais da área do curso e mandam para a minha área.” Depois, Aline busca no mercado um autor para desenvolver o conteúdo – profissionais da área ou pesquisadores. O próximo passo é avaliar o material reduzido: a editora manda, então, para o mediador pedagógico. É o mediador quem diz se o material está adequado para a aprendizagem pelos alunos. Ele também sugere as ilustrações. A etapa seguinte é feita por um redator técnico da área do curso. Se o material estiver perfeito, vai o ilustrador, que produz desenhos técnicos cartoon ou ilustrações simples, de acordo com a necessidade. Aí, então, o fascículo é mandado para a editoração eletrônica, que faz a diagramação (distribuição de material nas páginas). Quando o material volta é avaliado mais uma vez pela editora e segue para a gráfica. Tudo isso num tempo mínimo de dois meses. “Nesse processo todo o mediador pedagógico é a figura principal, que está em falta no mercado”, afirma Aline. |