CARACTERÍSTICAS
DA FÉ REFORMADA
Sebastião M. Arruda
Reformar ou renovar eqüivale
a dar a forma que se tinha quando novo. Originalmente
o terno Reformada
caracterizava aquelas igrejas do século XVI que
se levantaram para dar à Igreja da Idade Média
a forma da Igreja primitiva, a forma original da
Igreja. Em sentido amplo, esse termo podia ser
aplicado a todas as igrejas da Reforma. Em tempos
mais recentes, contudo, ele passou a ter um
significado mais restrito, identificando as
igrejas que professam as doutrinas da Graça,
conforme apresentadas no sínodo de Dordtrech, na
Holanda (1610-1618); o movimento ficou também
conhecido como Calvinismo (cf. Harvie M.
Conn - Teologia Contemporanea en el Mundo - pp.
149 ss).
Evidentemente, nunca foi propósito dos
Reformadores fundar uma nova denominação.
Lutero sempre viu a si mesmo como um fiel servo
da Igreja. Daí o seu profundo desgosto pelo
fato de os primeiros protestantes, na Inglaterra
e na França, assim como na Alemanha, terem
sido chamados luteranos. Isso pode
ser visto em suas próprias palavras. Ele
escreveu:
A primeira coisa que peço é que
as pessoas não façam uso do meu nome e não se
chamem luteranas, mas cristãs.
Quem é Lutero? O ensino não é meu. Nem
fui crucificado por ninguém. ... Como eu, miserável
saco fétido de larvas que sou, cheguei ao ponto
em que as pessoas chamam os filhos de
Cristo por meu perverso nome? (Timothy George
- Teologia dos Reformadores - p. 55).
Lutero registrou assim o seu sentimento em 1522,
sem falsa humildade, mas com um esforço real
para impedir um culto à personalidade.
Lamentavelmente, seu desejo não foi atendido nos
termos em que ele colocou. A Igreja Luterana não
cultua o seu maior teólogo, mas o seu nome
continua a identificar a denominação.
Já no trabalho de Calvino, reformando a crença
na autoridade de Cristo e na Palavra de
Deus como única regra de fé e prática, com
forte ênfase no sistema de governo
da Igreja; o movimento passou a ser conhecido por
essas características. Assim, raramente se ouve
sobre calvinismo, exceto nos círculos
teológicos. Nossa Igreja não se chama Igreja
Calvinista, como também não se chama Igreja
Paulina; e os escritos de Paulo são muito
mais importantes que os de qualquer reformador.
Na verdade, duas das características do
movimento deram nome aos seus adeptos: 1º- o
termo reformada - oriundo do propósito
dos Reformadores de dar à Igreja da Idade Média
a forma da Igreja primitiva, a forma original da
Igreja. Esse termo é largamente usado em
todo o mundo; 2º - o termo presbiterianismo
- decorrente da ênfase dada pelos
Reformadores à forma de governo, indicando
que a Igreja é regida pelos presbíteros.
A Fé Reformada possui quatro características básicas:
(1) histórica; (2) doutrinária; (3) emocional;
e (4) prática.
1º. Histórica: A queda; a chamada
de Abraão; a encarnação, a vida, a morte e a
ressurreição de Cristo. Como diz Paulo:
Ora, se é corrente pregar-se que Cristo
ressuscitou dentre os mortos, como, pois, afirmam
alguns dentre vós que não há ressurreição de
mortos? E, se não há ressurreição de mortos,
então Cristo não ressuscitou. E se Cristo não
ressuscitou, é vã a vossa fé; e somos tidos
por falsas testemunhas de Deus, porque temos
asseverado contra Deus que ele ressuscitou a
Cristo, ao qual ele não ressuscitou, se é
certo que os mortos não ressuscitam. Porque se
os mortos não ressuscitam, também Cristo não
ressuscitou, é vã a vossa fé, e ainda
permaneceis nos vossos pecados. E ainda mais: os
que dormiram em Cristo, pereceram (I Co 15:12-18).
O argumento de Paulo é simples, ele diz que se a
ressurreição de Jesus não é um fato histórico
toda a nossa fé é inútil, indicando claramente
que os fatos registrados na Bíblia, Antigo e
Novo Testamentos, são históricos e verdadeiros.
Assim, acreditamos que verdadeiramente Deus criou
o mundo, como está registrado em Gênesis; e
cremos em todos os relatos bíblicos como sendo a
inerrante Palavra de Deus.
Mas se nós só pregarmos história, seremos
meros repórteres que lêem um texto. Assim, por
questão de justiça à Fé Reformada, ao defini-la,
precisamos incluir as outras três características.
2º. Doutrinária: Se a doutrina não é
ensinada o povo perece por falta de conhecimento
e será levado por qualquer vento de ensino e por
filosofias humanas produzidas por mentes
corruptas.
Da Palavra de Deus recebemos o verdadeiro ensino
quanto ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; e a
Palavra de Deus é o nosso livro texto para
ensinar a verdade à Igreja.
Mas, à semelhança do que falamos sobre o
aspecto histórico, também não podemos
restringir nossa pregação ao caráter doutrinário,
pois isso nos tornaria apenas címbalo que soa,
meros ensinadores de fórmulas.
3º. Emocional: A menos que o Espírito
de Deus opere, produzindo uma experiência viva
em nós; a menos que sintamos o que Deus faz por
nós; não seremos diferentes em nada das demais
religiões.
Mas, novamente, se pregarmos somente emoção,
então estaremos dando lugar à velha crítica
marxista: A religião é o ópio do povo.
Cada característica tem o seu lugar próprio na
composição do que chamamos Fé Reformada.
4º. Prática: A Fé Reformada deu-nos: a)
a Bíblia em nossa língua materna; b) o direito de
cultuar conforme a nossa consciência; c) a prática apostólica
da pregação do Evangelho; d) desenvolvimento da
ciência.
Portanto, essas quatro características devem
estar sempre presente na pregação Reformada, e
é a integração delas que vai produzir o seu
caráter mais importante e singular.
Alguém já disse que a Fé Reformada tem sido
chamada de doutrina de ferro, e
que mesmo isso não sendo um elogio, tem que ser
admitido que ela tem produzido homens com caráter
de aço: Calvino, Kuyper, Cromwell, Knox, etc.
A Teologia de Calvino foi responsável pelo
despertamento religioso da Escócia. Foi a
doutrina de Calvino, sobre o estado como servidor
de Deus, que estabeleceu a idéia de governo
constitucional e que conduziu ao reconhecimento
dos direitos e liberdades dos súditos. Foi a Fé
Reformada que valorizou a mulher, que incrementou
a educação e o preparo de homens para melhor
servir na comunidade. É duvidoso que algum teólogo
tenha desempenhado um papel tão significativo
quanto o de Calvino na história mundial.
I
- A FORÇA DA FÉ REFORMADA
A Escritora batista Ruth A. Tucker, não sei se
deliberadamente, minimiza o trabalho missionário
da Fé Reformada, deixando bem claro o seu
comprometimento confessional ao dizer:
Os calvinistas usavam geralmente a mesma
linha de raciocínio (comparação feita com os
luteranos) acrescentando a doutrina
da eleição que faziam as missões
parecerem inúteis se Deus já escolhera aqueles
a quem iria salvar (Ruth A. Tucker - Até
aos Confins da terra - p.70)
Sobre isso, há dois pontos a considerar:
Primeiro: Que a doutrina bíblica da eleição,
não só não desestimula o evangelismo, como,
pelo contrário, é um dos maiores
incentivos à obra missionária. Senão vejamos:
Como é do conhecimento de todos os crentes, o
homem natural está morto em seus pecados e,
nessa condição, de nada adiantaria pregar-lhe a
Palavra de Deus, mesmo porque os mortos não
possuem vontade, não podem ouvir. O que nos
estimula a pregar, portanto, é o conhecimento de
que o Espírito de Deus vai atuar em alguns
abrindo-lhes os ouvidos para que ouçam e os
olhos, para que vejam. Em quem atuará o
Espírito de Deus? Em quem Deus quiser! Deus
atuará em Seus eleitos. E louvado seja Deus pela
bendita doutrina da Eleição, porque sem ela, de
que nos adiantaria pregar o Evangelho para homens
mortos?
Segundo: Que os frutos dos que crêem
na doutrina da Eleição demonstram claramente o
equívoco preconceituoso de Ruth Tucker: O que
dizer da influência da Fé Reformada em
Genebra; da obra de John Knox, na Escócia; do
trabalho de Cromwell, na Inglaterra; de Kuyper,
na Holanda; da colonização dos Estados Unidos;
dos missionários enviados por Calvino ao Brasil?
E se isso não fosse suficiente, uma rápida
olhada na estatísticas comprovaria o equívoco
dessa escritora: A Aliança Mundial de Igrejas
Reformadas, que se regem pelo sistema de presbíteros,
inclui cento e vinte denominações
independentes cujos membros atingem o número
de quarenta e sete milhões (cf.
Enciclopedia ilustrada de historia de la Iglesia
- Samuel Vila & Dario A. Santamaria).
Whitehead, um filósofo e matemático ateu,
disse que o cristianismo tem ensinado que Deus
criou o mundo externo com existência real; e que,
em virtude de Ele ser um Deus racional, os seres
humanos podem decifrar a ordem do universo pelo
uso da razão. Ele não era cristão, mas
compreendeu que nunca teríamos a ciência
moderna sem a perspectiva bíblica do
cristianismo. E, mais uma vez, essa ênfase é
decorrente da Fé Reformada.
A Igreja Presbiteriana Reformada tem se
estendido para todo o mundo. A obra Reformada no
Brasil, iniciada sem sucesso pelos
Huguenotes em 1555; foi, em 1859, reiniciada
pelos missionários americanos e é, atualmente,
uma dos ramos da Igreja de Cristo de mais
progresso no mundo.
Quando se deu a Reforma, em 1517, não se sabia
até que ponto ela ia crescer. É gratificante
testemunhar como Deus aceitou a atitude dos
Reformadores. Desde então muito se tem falado
sobre a Fé Reformada, mas nem mesmo a metade de
seu valor, praticidade e beleza foi ainda
contado.
Acredito que a causa que dá esse
extraordinário poder à Igreja Reformada para
seguir implantando os princípios bíblicos entre
os povos é a sua singularidade: A Igreja
Reformada reconhece sem qualquer reserva que Deus
é Deus, e reconhece isso em todas as
esferas da vida. Só a Igreja Reformada aceita a
absoluta soberania de Deus, para a glória
do Senhor e o reino de Sua lei em todos os
aspectos.
Sustentar que Deus é Deus eqüivale a
dizer que o homem é aquilo que a Palavra de Deus
diz que ele é. A Igreja Romana confessa a
absoluta soberania de Deus, mas não admite que o
homem seja aquilo que Deus diz que ele é; e
tanto na antropologia quanto na soteriologia ela
é semipelagiana. Os arminianos também se
aproximam dessa mesma situação.
O que significa ver Deus como Deus e o homem como
Deus diz que ele é? Na verdade isso tem que ver
com todos os aspectos da vida. Deus é o Criador
de todas as coisas. Ele fez tudo para proclamar o
Seu poder e a Sua glória. Nós adoramos a Deus
como o Criador do universo, e é nosso
dever honrá-Lo em todo tempo, em todos os
lugares, e em tudo que fizermos. Todas as
coisas pertencem a Deus. O homem pertence a Deus.
Nada, por menor que seja, pode ser tirado do Seu
império e domínio.
Como isso influencia? Podemos constatar que
na sociedade moderna não há mais lugar para
Deus na vida pública. É requerida muita coragem,
em nossos dias, para se confessar que Deus é
Deus, e que Ele é aquele que reina supremo sobre
o mundo e seus habitantes. Assim, quem professa a
Fé Reformada tem o senhorio de Cristo na vida
familiar, social, estudantil, trabalhista, etc; e
está comprometido com Deus. Isso é um fator
determinante no seu comportamento e no papel que
desempenha na sociedade.
II
- A SINGULARIDADE DA FÉ REFORMADA
Primeiro: Só a Fé Reformada pode, de
modo coerente, sustentar a soberania absoluta do
Senhor. Talvez alguém possa objetar que a
Fé Reformada é dualista, porque mantém a tensão
entre Deus e o homem. Mas é exatamente essa tensão
que explica que a Fé Reformada não é dualista.
As duas partes, Deus e o homem, não estão no
mesmo nível. Deus é Criador, e o homem é Sua
criatura.
Assim, de modo coerente, posiciona-se
a Fé Reformada: Porque crê que Deus é
verdadeiramente Deus, crê, também, que só a
Palavra de Deus é regra de fé e prática; por
conseguinte, vê o homem como a Bíblia diz
que ele é: uma criatura de valor, feita à
imagem e semelhança de Deus, vice-gerente de
Deus na terra, responsável pela administração
das obras das mãos de Deus, contudo caído e
morto em pecado, incapaz até mesmo de desejar o
bem.
Segundo: Por isso, a Fé Reformada é
oposta a tudo que é contrário aos ensinamentos
das Escrituras Sagradas. Ela rejeita a hierarquia
Católico-romana, rejeita o luteranismo, e
condena o arminianismo.
A Fé Reformada tem aspectos que lhe são
peculiares, únicos. A história nos ensina
isso e a situação atual justifica. A Fé
Reformada tem deixado a sua marca nas grandes nações
do mundo. As terras da Alemanha e Escandinávia são
luteranas. Há grandes igrejas luteranas. Contudo
essa é uma religião ligada a um povo. Mesmo no
Brasil, as igrejas luteranas estão praticamente
restritas às regiões Sul e Sudeste, onde estão
grandes colônias alemãs. E ainda assim, não
há qualquer influência benéfica para o povo em
geral. A Igreja Luterana é como se fosse uma
embaixada alemã, um território alemão.
A Igreja Católica Romana também não tem influência
na vida cotidiana de seus adeptos, não há
disciplina e nem acompanhamento. Além disso, ela
não possui energia independente de seus
sacerdotes. Sacerdotes estes que possuem uma
formação mas acentuada em Filosofia do que em
Teologia propriamente falando. Enfim, sem o
Papa não haveria a Igreja Católica Romana.
Isso mostra que ela também está ligada de modo
vital a um homem de uma região geográfica, e
pode ser vista como uma embaixada de Roma
em cada país.
Já a Igreja Reformada é um sistema religioso
que contém todos os ingredientes necessários em
si mesma. Seus ensinos requerem uma postura
ética correta perante a família e a sociedade;
e um comportamento digno do nome que a
Palavra de Deus nos outorga. Em cada país a
Igreja possui sua própria identidade e independência.
Isso é visto em todo o mundo e pode ser
constatado pela escolha que cada uma faz no uso
dos símbolos de fé: A Confissão de
Westminster, os Cânones de Dorth, a
Confissão Helvética, o Catecismo de Heidelberg
e outros. Contudo, quaisquer que sejam os símbolos
adotados, as igrejas reformadas se mantêm
seguras no imutável princípio de que a
Palavra de Deus é a única regra de fé e prática.
III
- O LUGAR DA PALAVRA DE DEUS NA FÉ REFORMADA
Do ensino de que Deus é Deus, e de que o homem
é aquilo que Deus diz que ele é, depreende-se
que devemos respeitar e amar a Palavra de
Deus como sendo o próprio Deus. E deve ser
dito, em honra da Fé Reformada, que ela é
fiel à Palavra de Deus. No século XIX, com a
influência aristotélica, surgiu a crítica à Bíblia.
Homens, escudados na tese filosófica de que o
homem julga todas as coisas, se colocaram acima
da Bíblia para criticá-la; e o sucesso deles
foi aparentemente enorme. Também por isso é
necessário reafirmar o conceito de que é um
erro dizer que um homem não pode tornar-se teólogo
sem Aristóteles. A verdade é que não pode
tornar-se teólogo sem se livrar de Aristóteles.
Em resumo, comparando com o estudo da Teologia, o
todo de Aristóteles é como a escuridão para a
luz. (cf.Teologia dos Reformadores
p. 59 - Timothy George).
Também neste aspecto, deve-se notar a diferença
na atitudes do luteranismo, romanismo e da Fé
Reformada. Os luteranos mostraram bem
pouca resistência às novas idéias. O romanismo
convive com toda espécie de conceitos filosóficos,
humanistas e liberais. Somente a Fé Reformada
posicionou-se a favor da inerrância, da inspiração
verbal das Escrituras, e de todas as conseqüências
decorrentes desse ponto de vista. Uma teoria bem
conhecida sustenta que a Bíblia tem autoridade
somente na esfera religiosa e ética. Outros
dizem que a Bíblia tem autoridade sobre o homem
na medida que ele aceita e crê nessa autoridade.
Ainda outros dizem que ela é a Palavra de Deus
somente quando fala ao nosso coração. A Fé
Reformada rejeita todas essas teorias e confessa
que a Bíblia é a Palavra de Deus e que é
autoritativa em todas as esferas da vida. Todas
as coisas escritas na Bíblia são verdadeiras
porque são a Palavra de Deus.
Tudo isso tem suas conseqüências. A Igreja
Reformada dá grande ênfase ao estudo cuidadoso
das Escrituras. O próprio Calvino foi o maior
exegeta do período da Reforma. A nossa fé não
pode ter outro fundamento que não seja o da
Palavra de Deus. As experiências e as boas intenções
humanas não substituem a revelação especial de
Deus. A Igreja Romana possui salas e mais salas
onde estão registrados os milagres
operados pelos seus santos, nem por isso somos
Romanos! Os espíritas dizem fazer curas,
cirurgias miraculosas; e se caracterizam pela prática
de boas obras; mas isso também não
nos leva a ser espíritas! O budismo possui as
suas virtudes; mas também não somos budistas!
Poderíamos falar muito sobre os tantos conceitos
humanos, mas considerem: Se fôssemos
seguir experiências e boas intenções, o que
seríamos? Romanos, espíritas, budistas, ou o quê?
Todos têm boas intenções, mas não seguem a Bíblia.
Doutrina não se baseia, pois, em sentimento ou
experiência, e nem mesmo em boas intenções.
Doutrina baseia-se única e exclusivamente na
imutável Palavra de Deus. Não cremos, hoje,
em revelações fora da Bíblia e, por isso, não
somos pentecostais ou liberais; somos Reformados.
CONCLUSÃO
Tudo isso nos leva à constatação de que o
Senhor reina, de que a Sua Palavra é a
nossa lei. Queremos, portanto, concluir nossas
considerações com este grandioso ensino da
Palavra de Deus: O Senhor reina!
Todo ser pensante pode ver facilmente que um
poder soberano rege sua vida. Ninguém jamais foi
questionado se desejava nascer ou não; ou quando,
ou onde, ou de quem haveria de nascer; se
branco ou preto; se no século vinte ou
antes do dilúvio; se na América ou na China. Os
crentes de todas as épocas têm reconhecido que
Deus é o Criador e o Rei do universo, e portanto,
nada pode acontecer fora de Sua vontade
real. Deus efetivamente governa o mundo que criou.
E até as obras pecaminosas do homem ocorrem
somente porque Ele as permite. Se negarmos esta
realidade estaremos negando o fato de que Ele
reina. Se a palavra de um rei terreno é lei
em sua nação, quanto mais a vontade
de Deus, no mundo que Ele criou!
Contudo, isto não significa que Ele tenha poder
para fazer aquilo que é contrário a Sua
natureza, ou para agir de forma contraditória.
É impossível que Deus minta ou faça algo
moralmente errado. Como Sua onipotência é a
garantia segura de que o curso do mundo está
conforme o Seu plano, a Sua santidade é a
garantia de que todas as Suas obras serão feitas
em retidão.
Tudo, sem exceção, está sob Seu controle, e
Sua vontade é a razão fundamental de tudo o que
acontece. O céu e a terra e tudo que neles há são
os instrumentos através dos quais Ele leva
a cabo Seus propósitos. A natureza, as nações,
e a fortuna de cada ser humano representam, em
todas as suas variações, a fiel expressão do
propósito de Deus. Os ventos são Seus
mensageiros, as chamas de fogo Seus ministros.
Cada acontecimento natural é obra
Sua; a prosperidade é um dom de Deus; e se a
desgraça chega à vida do
homem, foi o Senhor quem a permitiu
(Am 3:5, 6 Lm 3:33-38, Is 47:7; Ec 7:14;
Is 54:16). Ele dirige os passos dos homens,
queiram estes ou não; Ele enaltece
e Ele abate; Ele abranda o coração e Ele
o endurece; e Ele cria os próprios
pensamentos e intenções da alma (Fl 2:13).
Embora o reinado de Deus seja universal e
absoluto, não é um poder cego. Pelo contrário,
Seu reinado está unido à Sua infinita sabedoria,
santidade e amor. E esta doutrina, quando
compreendida, nos traz grande consolo e segurança.
Quem não preferiria que todos os aspectos de
sua vida estivessem nas mãos de um Deus de
infinito poder, sabedoria e amor; e não
que dependessem do acaso cego ou das próprias
pessoas pervertidas? Ninguém é mais habilitado
que Deus para dirigir a minha vida, e, por isso,
glória seja dada ao Seu nome.
A própria expressão servo de Deus,
que caracteriza cada um de nós, traz implícita
a idéia de que Ele Reina.
Portanto, louvado seja Deus que aprouve fazer uso
dos homens tornando-os Reformadores para lutar
pela fé que uma vez foi dada aos santos (Jd 1:3).
(Publicado
em O Presbiteriano Conservador na edição
de Novembro/Dezembro de 1995)
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