Como Dançar *
Vale a pena dançar conforme a música?
Durante anos, acreditei que sim. Tanto é verdade que me descobri,
muitas vezes, dizendo às pessoas que quando os demais se faziam gentis, atenciosos,
educados e participativos, eu costumava retribuir da mesma forma.
Por outro lado, se recebia desatenção, ironias e deseducação, a probabilidade de que
eu pudesse corresponder na mesma linha de abordagem era bastante grande.
Mais recentemente, tenho questionado essa postura e há 20 dias, especificamente, ganhei
um livro no qual encontrei uma forma, para mim bem didática, de compreender melhor a
questão. Eu acredito, defendo e treino as pessoas em meus cursos sobre automotivação,
sendo categórico em afirmar a mim, e aos outros, que só há um responsável pelas minhas
ações; e, por uma questão de coerência, tenho que mudar a declaração histórica:
"danço conforme a música"!
É inegável que, quaisquer que sejam as minhas ações, há algo dentro de mim que as
determina, passando da carga genética à minha programação consciente ou inconsciente
(força dos meus próprios hábitos). O que faço e o que digo têm origem em algo que
está dentro de mim e não fora. O meio externo pode oferecer maior ou menor grau de
satisfação aos meus motivos; porém, os motivos serão sempre meus.
Em seu livro "Felicidade é um Trabalho Interior", John Powell afirma:
"aceitar total responsabilidade por todas as nossas ações, incluindo emoções e
comportamentos diante de todas as situações da vida, é o passo definitivo em direção
à maturidade. O crescimento começa onde as acusações terminam". Para ilustrar
esta idéia, John Powell conta, em seu livro, uma história de Sidney Harris, falecido
recentemente, que, por sua vez, abordou-a de forma bastante feliz.
Acompanhando um amigo a uma banca de jornais, Harris notou que o jornaleiro dirigia-se a
eles com grosseria e hostilidade. Notou, também, que seu amigo o tratava de maneira
afável e cordial. Quando se afastaram, Harris insistiu: "ele é sempre assim, tão
intratável"? "Sim, infelizmente", respondeu o amigo. Harris insistiu:
"E você, é sempre assim tão amável com ele"? "Sim, é claro",
respondeu o amigo. Então Harris fez a pergunta que o intrigava, desde o início:
"Por quê"?
O amigo de Harris pensou um pouco antes de responder, embora a resposta parecesse óbvia.
"Porque não quero que ele, ou qualquer outra pessoa, decida como devo me comportar.
Sou eu que decido como vou agir. Sou um ator, não um reator".
Sidney Harris foi embora dizendo para si mesmo: "Esta é uma das mais importantes
conquistas da vida: agir e não reagir".
Da mesma forma, se as pessoas conseguirem me irritar, ou a você
leitor, não terão sido elas e sim eu, ou você que, reagindo, permitimos que isto
acontecesse. Sob nenhuma hipótese, isso implica pensar que não devamos viver nossas
emoções. Podemos e até devemos vivenciá-las. A pergunta, sempre presente, é: estou
pensando ou agindo por ação ou reação?
Assim, todas as vezes que descobrir que não existe um "bode expiatório" e que
a responsabilidade total e absoluta é sua, única e exclusivamente sua, terá descoberto
um ser mais livre, maduro e digno de si e dos outros.(por Edson Pereira da Silva)
* "...Eu também acreditava que deveria
ser assim, dançar conforme a música, mas vivia dizendo que se você apanhou, alguma
coisa se fez pra merecer isso e outra, você se deixou apanhar. Tudo mesmo, que acontece
é se quisermos, e tudo é de interira e total responsabilidade nossa..." Sissa G.
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