Nós e os Outros
A coisa mais chata do mundo é quando ficamos sabendo que um casal amigo está se separando. Podemos até gostar mais dele ou dela, com o tempo, os dois formam uma entidade única, que a gente freqüenta, ajuda ou é ajudado, participa das pequenas e grandes coisas da vida comum deles, e eles da nossa.
De repente, um telefonema, uma indiscrição e outro amigo, e somos comunicados de que aquele casal não mais nos visitará, nem nós iremos encontrá-los na mesma casa e no mesmo afeto.
Lamentamos - é o que nos cabe fazer. Perguntamos se resta alguma esperança, se todos os caminhos estão mesmo fechados, se podemos ajudar em alguma coisa.
Não. Nada poderá ser feito. Aparentemente, tudo será como antes, eles garantem que continuarão a amizade, separados é claro, mas serão os mesmos de sempre.
Não é verdade. Quando encontrarmos um, sentiremos a falta do outro. O que fazer? Bem, como disse, é chato quando ficamos sabendo da separação dos outros. Mais chato é quando somos nós que nos separamos. E aí? Como é que os nossos amigos ficam? Pior é saber como é que nós próprios ficamos.
Carlos Heitor Cony
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