Sonho e Pesadelo
Os sonhos s�o alucina��es que ocorrem quando se dorme. Na maioria das vezes resultam incompreens�veis, sendo rapidamente esquecidos. Normalmente sonho � identificado como algo bom e pesadelo como mau. As pessoas costumam identificar seus planos de realiza��es futuras como sonhos e situa��es extremamente angustiantes como pesadelo.
Freud nos ensina atrav�s da psican�lise que na origem de todo sonho est�o desejos insatisfeitos. � o caso por exemplo de um homem esfomeado que sonha com banquetes ou do homem com sede que sonha com rios caudalosos ou do namorado que sonha com sua amada. Por�m se o sonhar tratar-se unicamente da satisfa��o de desejos como os citados, aqueles nos resultariam perfeitamente compreens�veis o que n�o � verdade. Na realidade os sonhos s�o mais complicados pela �ndole dos desejos que neles se manifestam. S�o aqueles desejos que em estado de vig�lia se encontram reprimidos pelo sujeito, devido ao que, de certo modo, resulta desagrad�veis. Costumam ser desejos do tipo sexual e, al�m disso, de uma sexualidade que com freq��ncia pareceria pouco normal ao pr�prio sujeito que sonha. Existem em todo indiv�duo uma s�rie de desejos que s�o reprimidos, porque n�o se ajustam �s normas morais. Assim, h� desejos de tipo perverso, que podem ser s�dicos, masoquistas, homossexuais ou exibicionistas em sua maior parte inconscientes. Tais desejos pretendem satisfazer-se, e se n�o o fazem � porque lutam contra eles certas energias ps�quicas que os recha�am. Essa observa��o levou a dizer-se que a diferen�a entre um homem perverso e um considerado normal reside em que este �ltimo se limita a sonhar com o que aquele realiza.
Durante o dia tais desejos proibidos s�o reprimidos por energias ps�quicas que se op�em a sua satisfa��o. Por�m durante a noite, com o sono, acontece que essas energias repressoras diminuem de intensidade. Consequentemente os desejos reprimidos, que n�o dormem, ou seja, seguem conservando toda a sua energia e necessidade de realiza��o, podem abrir caminho mais facilmente � consci�ncia. Podem ent�o originar um sonho em que aqueles se satisfa�am alucinatoriamente. Por exemplo, um indiv�duo com sadismo intenso reprimido, pode sonhar durante a noite que realiza um ato de crueldade. O que aconteceria ent�o? Simplesmente despertaria angustiado, porque nem mesmo em sonhos deseja ver satisfeitos tal tipo de desejos. Assim uma das formas de controle da ang�stia atrav�s do pr�prio sonho se d� pela sua elabora��o para que os desejos que se satisfa�am neles apare�am n�o como realmente s�o, mas de forma disfar�ada. No exemplo citado do indiv�duo com sadismo reprimido, ele sonharia por exemplo com um assassinato, por�m no sonho n�o apareceria ele como autor do crime, sen�o como mero espectador. O crime do sonho seria realizado por outra pessoa o que o libertaria da ang�stia e lhe permitiria seguir dormindo tranq�ilo com seu desejo satisfeito.
Algumas pessoas se perguntam porque sonham t�o pouco e outras sonham tanto. Na realidade todos n�s sonhamos toda noite. O que se passa � que, como os sonhos normalmente possuem conte�dos proibidos a n�vel consciente, as pessoas n�o lembram deles ao despertar. O que ocorre � que os sonhos lembrados s�o aqueles em que a pessoa acorda logo depois de ter sonhado. Quando sonha e continua dormindo, s�o reprimidos e esquecidos devido a seus conte�dos proibidos. Isso d� a impress�o ao sujeito de n�o ter sonhado o que � falso.
Existe um tipo de sonho que n�o se encaixa exatamente no conceito de que todo sonho � a realiza��o de desejos inconscientes. � o sonho traum�tico. Quando uma pessoa sofreu um choque ps�quico intenso, seus sonhos s�o uma reprodu��o mon�tona das sensa��es desagrad�veis experimentadas no momento do trauma. Na reprodu��o da situa��o traum�tica nos sonhos n�o existe desejo algum que se satisfa�a alucinatoriamente. Na maioria dos sonhos, depois de disfar�ar a ang�stia, o sonhador pode seguir dormindo, protegido por suas imagens substitutivas do pensamento angustiante. Por�m, em outros, os pensamentos latentes s�o demasiado compulsivos e insistem em ser percebidos, sem nenhum engano. Surge ent�o o pesadelo. Vejamos um exemplo de um antigo romance espanhol:
O namorado e a morte
Um sonho sonhava � noite, Sonhozinho de minha alma, Sonhado com meus amores,. Que em meus bra�os os tinha. Vi entrar senhora t�o branca, Muito mais que a neve fria. -Por onde entraste, amor? Como entraste, minha vida? As portas est�o cerradas, Janelas e clarab�ias. N�o sou o amor, amante: Sou a morte, Deus me envia. |
A descri��o do romance � perfeita e indica muito claramente como se originam os sonhos. Um tema angustioso e reprimido, como � o da morte ou um fracasso, que se simboliza pela morte, trata de fazer-se consciente ao indiv�duo. Traumatiza-o, ao n�o querer aceit�-lo, e se esfor�a em seu disfarce, fazendo poss�vel o que ocorre neste romance, quando a morte pr�xima toma a forma enganosa de uma senhora branca e fria que inspira amor.
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