Fantasia e Realidade

 

     Normalmente os termos fantasia e realidade s�o empregados um como o oposto do outro. Poder�amos dizer que a fantasia � uma produ��o puramente ilus�ria que n�o resistiria a uma apreens�o adequada do real, enquanto que a realidade est� relacionada com o concreto, o palp�vel, o material, o externo, enfim o real.

     Quando nenhum ato segue ao pensamento, estamos falando de fantasia. Poder�amos falar de dois tipos b�sicos de fantasia: a fantasia criativa, a qual prepara algum ato posterior, e o sonho acordado, normalmente onde se concentram os desejos que n�o se podem satisfazer. A fantasia criativa tem suas ra�zes no inconsciente, mas desenvolve-se a partir do sonho acordado, que vem a tornar-se o substitutivo real do ato. Podemos ent�o falar de fantasias conscientes, da mesma natureza das divaga��es e de fantasias inconscientes, que poder�o ou n�o tornar-se conscientes. Poder�amos dizer tamb�m que a fantasia � o representante ps�quico do instinto. N�o existe impulso nem rea��es instintivas que n�o sejam experimentados antes como "fantasia" inconsciente.

     Observa-se em crian�as as brincadeiras agressivas ou jogos violentos de computador ou v�deo game. Ser� que o exerc�cio constante desses jogos aumentam ou diminuem suas tend�ncias agressivas? Ser� que a fantasia estimula o desejo a ponto de a tend�ncia a realizar id�ias fantasiadas aumentar, ou ser� que a fantasia canaliza o desejo, de modo que aquilo que se satisfez brincando j� n�o precisa de satisfa��o verdadeira? � evidente a resposta no caso das fantasias sexuais. Se um homem tenta antecipar na fantasia rela��es sexuais futuras, a tens�o e o desejo de realiza��o aumentam, mas se as fantasias o estimulam a que se masturbe, a tend�ncia diminui ou cessa.

     Quando falamos de fantasia em oposi��o a realidade, com freq��ncia tamb�m queremos nos referir � realidade como algo duro, dif�cil de enfrentar por�m caracterizando nosso cotidiano e a fantasia como algo gostoso produto da nossa mente, criada para nos dar prazer ou satisfazer nossos desejos em substitui��o � realidade.

     Poder�amos nos perguntar para que serve a fantasia? Qual sua fun��o?. Bem muito se poderia dizer sobre essa fant�stica cria��o da mente humana, por�m aqui vamos nos deter em um ponto espec�fico. A fantasia tem como uma de suas fun��es primordiais diminuir as frustra��es e desconforto que a realidade nos imp�e. Mais do que isso, pode tamb�m intensificar as sensa��es de prazer e bem estar que a realidade nos oferece. Ou seja, a fantasia busca sempre dar alguma satisfa��o � pessoa, ora intensificando o prazer ora substituindo os dissabores da realidade por um mundo melhor criado pela fantasia.

     � interessante observar que desde muito cedo o beb� faz uso da fantasia como um mecanismo de defesa para enfrentar as frustra��es que a realidade lhe imp�e. Por exemplo, diante da fome e do mal estar que esta produz em seu corpo, o beb� fantasia que esta mamando no seio da m�e e com isso parte do desconforto desaparece mesmo sem ter sua fome satisfeita. Na vida adulta tamb�m fazemos uso da fantasia como forma de preenchermos nossas pr�prias necessidades. Uma mulher que deseja encontrar um homem para si ir� depositar em algum que conhe�a sua fantasia transformando-o exatamente no tipo de homem que precisa para si mesma. Assim a fantasia transforma o objeto do seu amor- o homem- naquilo que ela necessita. H� um ditado popular que diz "quem ama o feio , bonito lhe parece". Somente a fantasia,(ou o cirurgi�o pl�stico), poderia transformar o feio em bonito. Isso muitas vezes funciona como uma armadilha no caso do amor.

     Em pessoas apaixonadas a fantasia tem um amplo espa�o para se manifestar. Transformar o amado ou amada em algo que satisfaz nossas necessidades internas pode proporcionar um estado de bem estar, mas infelizmente n�o muda a realidade. Assim um casamento pode se dar em base a valores fruto da fantasia o que pode levar posteriormente o casal a muitos desentendimentos como se a pessoa tivesse mudado, mas na realidade foi a fantasia que deixou de atuar. Isso pode gerar muita decep��o e colocar em risco a pr�pria rela��o do casal.

     Quem nunca sonhou acordado em ganhar na loteria? Imaginar-se milion�rio, livre de tantos dissabores que a falta de grana proporciona, d� uma sensa��o de bem estar, ainda que continuemos t�o pobres quanto antes. A fantasia � um �timo instrumento para amenizar os dissabores da vida, por�m viver a fantasia como se fosse realidade se constitui em um grave engano que pode levar a s�rias conseq��ncias.

 

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