Amor e Desejo
Poucas sensa��es provocadas por nossos sentidos podem alcan�ar o n�vel de satisfa��o, bem estar e prazer do que a resultante da troca de intimidade entre duas pessoas que se amam e se respeitam. � muito comum que uma pessoa quando desenvolve um afeto por outra, passe a chamar esse sentimento de amor. Essa tend�ncia � facilmente percebido principalmente nas rela��es entre um homem e uma mulher. O que diferenciaria o mero desejo sexual de um real sentimento de amor pelo outro?. Bem, antes de tudo, seria importante tentarmos dar uma defini��o, por provis�ria que fosse, para esse tal sentimento de amor. Poder�amos come�ar buscando encontrar as poss�veis diferen�as entre o mero desejo e o sentimento de amor.
Quanto nos referimos ao desejo sexual, estamos nos referindo a um processo de atra��o f�sica que o outro exerce sobre n�s. Isso estimula nosso instinto sexual, fazendo com que se desperte e tendo como objeto de satisfa��o o outro que nos atrai. Assim o desejo tem sempre como ponto de refer�ncia a satisfa��o de quem deseja e n�o o bem estar do desejado. No desejo, o primeiro pensamento est� relacionado com o pr�prio sujeito e seu bem estar, ficando em segundo plano como ponto de refer�ncia da rela��o e do prazer o outro que � desejado. Al�m disso, o desejo n�o pressup�e necessariamente um sentimento de afeto pelo outro que se deseja, sendo fruto apenas da necessidade de satisfa��o biol�gica e instintiva. Quanto nos referimos ao amor parece evidente que a quest�o do desejo est� presente e muitas vezes de forma muito intensa, por�m n�o se limita a ele.
Nos referimos acima a um sentimento de afeto que estaria sempre presente no amor. Mas o que seria esse sentimento de afeto? Tentando colocar de forma simples poder�amos dizer que esse afeto seria um direcionamento de sentimentos altamente positivos e agrad�veis que quem ama desloca de si mesmo e deposita na pessoa amada, uma esp�cie de energia sexual (n�o necessariamente genital), buscando um v�nculo positivo entre ambos. Esse v�nculo somente ser� completo quando houver a correspond�ncia por parte de quem se ama. O sentimento unilateral de amor sem correspond�ncia costuma produzir umas das dores mais agudas que um ser humano pode sentir. Al�m disso, na exist�ncia do amor a figura do amado costuma ser o ponto de refer�ncia da rela��o. Em outras palavras o desejo j� n�o se d� a partir de uma atitude egoc�ntrica porque o outro e seu bem estar quase sempre passa a estar em primeiro lugar.
A rela��o onde exista um sentimento de amor costuma trazer vantagens sobre a rela��o motivada apenas pelo desejo sexual, principalmente quando se leva em conta o tempo. A satisfa��o do desejo costuma esfriar ou mesmo por fim a um relacionamento quando as bases da proximidade entre duas pessoas se d� dentro dos limites apenas do desejo. � tem sua l�gica, pois � uma quest�o de uma necessidade espec�fica, ou seja a satisfa��o do instinto sexual. Assim, uma vez esse desejo satisfeito, a continuidade do relacionamento j� n�o se justifica. Mas quando existe um sentimento de amor, afeto e respeito, isso se torna a base donde surge o desejo e o tes�o. Quanto satisfeito o desejo sexual, o v�nculo de amor que se traduz nesse afeto, sustenta a continuidade da rela��o como algo positivo e agrad�vel, permitindo com que as pessoas envolvidas sintam-se bem um na presen�a do outro independente da presen�a constante do desejo.
Normalmente o puro desejo pode ser confundido com o amor e essa dificuldade em se conseguir diferenciar um do outro acaba sendo a respons�vel pelo fracasso de muitos relacionamentos. Algumas pessoas acabam se casando movidas apenas pelo desejo sexual sem se dar conta de que n�o se desenvolveu um sentimento afetivo que poderia ser caracterizado como amor. Assim n�o raro o relacionamento do casal tende a terminar com o fim da lua de mel, mesmo que n�o venham a se separar. Claro, nem sempre a presen�a de sentimento de afeto e amor � requerida para que haja a intimidade entre duas pessoas, ainda mais quando as partes envolvidas buscam apenas a satisfa��o do desejo sexual e n�o um relacionamento duradouro. Mesmo assim, a troca de carinho �ntimo entre duas pessoas que s�o atra�das tamb�m pelo sentimento de amor, costuma ter um n�vel de satisfa��o superior. Al�m disso a chamada qu�mica do amor costuma facilitar algumas mudan�as e produzir for�as dentro de cada um dos envolvidos que dificilmente seriam conseguidas de outra forma. Gostar � legal. Desejar � bom. Amar � �timo. Gostar, desejar, e amar � excelente e nada pode se comparar a isso dentro da natureza humana. Feliz de quem ama e � correspondido nesse amor. Certamente j� ter� sentido um saborzinho do que � o para�so.
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