GABRIEL  CHALITA

Professor e secretário de Estado da Educação


Prevenção também se ensina!...

   


(Publicado no jornal da Tarde – 07 de setembro de 2002)


 Os alunos estão ansiosos. Está quase na hora de apresentar o espetáculo. A platéia é composta por amigos, funcionários, pais, professores e todos os componentes da comunidade escolar. A peça relatará os infortúnios vivenciados por adolescentes envolvidos com drogas. Durante o decorrer da trama, os atores transmitirão aos espectadores conceitos relativos à importância do cultivo de hábitos saudáveis e à aquisição e exercício pleno da cidadania.

A mensagem final é explícita: os jovens – revestidos por seus sonhos e ideais – são uma peça-chave na construção de uma sociedade melhor. E as drogas – vilãs dessa história – representam um empecilho dramático e, muitas vezes, fatal à concretização dessa realidade tão necessária ao Brasil e ao mundo.

Essa cena se repete com enorme freqüência, em épocas diversas do ano, em milhares de escolas da rede estadual de ensino. Muitos alunos, entretanto, preferem expor seus trabalhos sobre prevenção antidrogas por meio da dança, da música ou mesmo por intermédio de exposições de pintura, desenho e textos. O fato é que, desde 1997, essa temática é recorrente nas salas de aula da rede devido à implementação do projeto Prevenção também se ensina, desenvolvido pela Secretaria de Estado da Educação em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde. O projeto foi implantado nas 89 diretorias regionais de ensino e visa à promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida da população escolar. A iniciativa abrange atualmente 2.755 escolas estaduais de 5ª a 8ª séries e Ensino Médio, 8.550 educadores e, aproximadamente, 2.700.000 alunos.

O projeto tem o objetivo de instrumentalizar as escolas em relação ao uso abusivo de drogas e a prevenção às DST/Aids, utilizando cursos de capacitação dos educadores e enviando materiais didáticos específicos, para que esta temática seja incorporada no Plano Escolar de cada unidade educacional.

Combater as drogas e vencê-las demanda uma luta árdua que vem sendo travada por numerosos países do mundo. Pesquisa realizada em 1997 pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID – com estudantes de dez capitais do país (incluindo São Paulo) informa que 87% dos estudantes com menos de 18 anos já consumiram álcool.

Por tudo isso, o papel da escola e de seus educadores na luta contra as drogas é imprescindível, na medida em que a instituição é o palco onde atuam e são formados os novos agentes de transformação social. É o local mais adequado e acessível ao debate, à discussão, à reflexão e à propagação de idéias e conhecimentos que propiciem uma sociedade mais capacitada, menos violenta e mais justa para as novas gerações.

Nos relatos apresentados pelos estabelecimentos de ensino, observamos que as atividades mais eficazes no combate às drogas têm sido aquelas que possibilitam a participação ativa dos alunos na busca e análise de informações, envolvendo o uso de outras linguagens e recursos (artes, informática, expressão corporal e outros). As palestras e aulas expositivas não estão descartadas, desde que vinculadas ao projeto em andamento, não se constituindo em atividades isoladas.

Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Educação tem desenvolvido – em paralelo com o projeto Prevenção também se ensina – numerosos programas e ações que promovem a interação dos estudantes e, conseqüentemente, a  potencialização de seus talentos nas mais variadas áreas, sejam elas profissionais, sejam esportivas, artísticas culturais ou sociais.

É o caso do Programa Profissão, do Parceiros do Futuro, do Projeto Sinfonia, do Teatro vai à escola, do Mutirão da Cidadania, do Protagonismo Juvenil e do Escola de Cara Nova na Era da Informática. Juntos, esses projetos contribuem para que os 6 milhões de alunos da rede tenham sua atenção voltada para o empreendedorismo e para o fortalecimento de valores fundamentais à vida em sociedade.

Acreditamos que a educação é o único caminho capaz de reverter o quadro dantesco provocado pela inversão desses valores e  por conflitos generalizados de cor, credo e classe social. Cabe ao educador ter a certeza de que pode, por meio do seu trabalho, transformar o mundo. Essa é a nossa filosofia e no que depender de nós, continuaremos a praticá-la. Lembremos que o futuro está em nossas mãos e é por ele que continuaremos semeando sonhos, sempre na ânsia de colher novas realidades.

Gabriel Chalita é secretário de Estado da Educação. Doutor em Direito e Comunicação e Semiótica e professor da PUC-SP.  

 

 

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