| |
(Publicado no jornal da Tarde – 07 de setembro de 2002)
Os alunos estão
ansiosos. Está quase na hora de apresentar o espetáculo. A platéia é
composta por amigos, funcionários, pais, professores e todos os
componentes da comunidade escolar. A peça relatará os infortúnios
vivenciados por adolescentes envolvidos com drogas. Durante o decorrer
da trama, os atores transmitirão aos espectadores conceitos relativos à
importância do cultivo de hábitos saudáveis e à aquisição e exercício
pleno da cidadania.
A mensagem final é explícita: os jovens – revestidos por seus sonhos e
ideais – são uma peça-chave na construção de uma sociedade melhor. E as
drogas – vilãs dessa história – representam um empecilho dramático e,
muitas vezes, fatal à concretização dessa realidade tão necessária ao
Brasil e ao mundo.
Essa cena se repete com enorme freqüência, em épocas diversas do ano, em
milhares de escolas da rede estadual de ensino. Muitos alunos,
entretanto, preferem expor seus trabalhos sobre prevenção antidrogas por
meio da dança, da música ou mesmo por intermédio de exposições de
pintura, desenho e textos. O fato é que, desde 1997, essa temática é
recorrente nas salas de aula da rede devido à implementação do projeto
Prevenção também se ensina, desenvolvido pela Secretaria de
Estado da Educação em parceria com a Secretaria de Estado da Saúde. O
projeto foi implantado nas 89 diretorias regionais de ensino e visa à
promoção da saúde e à melhoria da qualidade de vida da população
escolar. A iniciativa abrange atualmente 2.755 escolas estaduais de 5ª a
8ª séries e Ensino Médio, 8.550 educadores e, aproximadamente, 2.700.000
alunos.
O projeto tem o objetivo de instrumentalizar as escolas em relação ao
uso abusivo de drogas e a prevenção às DST/Aids, utilizando cursos de
capacitação dos educadores e enviando materiais didáticos específicos,
para que esta temática seja incorporada no Plano Escolar de cada unidade
educacional.
Combater as drogas e vencê-las demanda uma luta árdua que vem sendo
travada por numerosos países do mundo. Pesquisa realizada em 1997 pelo
Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID –
com estudantes de dez capitais do país (incluindo São Paulo) informa que
87% dos estudantes com menos de 18 anos já consumiram álcool.
Por tudo isso, o papel da escola e
de seus educadores na luta contra as drogas é imprescindível, na medida
em que a instituição é o palco onde atuam e são formados os novos
agentes de transformação social. É o local mais adequado e acessível ao
debate, à discussão, à reflexão e à propagação de idéias e conhecimentos
que propiciem uma sociedade mais capacitada, menos violenta e mais justa
para as novas gerações.
Nos relatos apresentados pelos estabelecimentos de ensino, observamos
que as atividades mais eficazes no combate às drogas têm sido aquelas
que possibilitam a participação ativa dos alunos na busca e análise de
informações, envolvendo o uso de outras linguagens e recursos (artes,
informática, expressão corporal e outros). As palestras e aulas
expositivas não estão descartadas, desde que vinculadas ao projeto em
andamento, não se constituindo em atividades isoladas.
Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Educação tem desenvolvido – em
paralelo com o projeto Prevenção também se ensina – numerosos
programas e ações que promovem a interação dos estudantes e,
conseqüentemente, a potencialização de seus talentos nas mais variadas
áreas, sejam elas profissionais, sejam esportivas, artísticas culturais
ou sociais.
É o caso do Programa Profissão, do Parceiros do Futuro, do
Projeto Sinfonia, do Teatro vai à escola, do Mutirão da
Cidadania, do Protagonismo Juvenil e do Escola de Cara
Nova na Era da Informática. Juntos, esses projetos contribuem para
que os 6 milhões de alunos da rede tenham sua atenção voltada para o
empreendedorismo e para o fortalecimento de valores fundamentais à vida
em sociedade.
Acreditamos que a educação é o único caminho capaz de reverter o quadro
dantesco provocado pela inversão desses valores e por conflitos
generalizados de cor, credo e classe social. Cabe ao educador ter a
certeza de que pode, por meio do seu trabalho, transformar o mundo. Essa
é a nossa filosofia e no que depender de nós, continuaremos a
praticá-la. Lembremos que o futuro está em nossas mãos e é por ele que
continuaremos semeando sonhos, sempre na ânsia de colher novas
realidades.
Gabriel Chalita é secretário de Estado da
Educação. Doutor em Direito e Comunicação e Semiótica e professor da
PUC-SP.
|
|