Engenharia de Software e de Sistema
CASE Engenharia de Software assistida por Computador
A maioria dos fornecedores de tecnologia CASE, abandonou o termo, sorrateira-mente. É importante conhecer esta tecnologia, não apenas como lição objetiva como o que acontece quando uma tecnologia é descaradamente "dopada"- mas sim, também, porque os princípios subjacentes a ela, o rigor e a disciplina da engenharia, ainda continuam sólidos.
Se eram nobres os objetivos do CASE, sua meta de impor aos programadores o rigor da engenharia já nasceu condenada. Apesar de todo o esforço do ramo para submeter a programação a uma severa disciplina, a realidade, apoiada em mais de 40 anos de experiência, é que a boa programação é uma arte.
O CASE fracassou porque tentou o impossível.
E teria dois bens motivos para fracassar, mesmo que cumprisse o esperado. Deixando de lado os seus méritos, o primeiro é que a iniciativa foi imposta de uma maneira autoritária e impensadamente pela administração sênior. Os programadores de linha resistiram ao CASE porque "estavam com ele atravessado na garganta", enfiado ali sem prévia consulta, preparo e treinamento.
O exagerado entusiasmo é o segundo motivo. Os fornecedores exageraram tanto as possibilidades do CASE que se criou um clima de superexpectativa, onde até mesmo os êxitos ocasionais foram considerados fracassos. Com base em anúncios e pesquisas muito enfeitadas, os consumidores criaram uma falsa expectativa quanto aos custos (baixíssimos), aos cronogramas (otimistas ao extremo) e aos resultados (ótimos).
A teoria do CASE era, e é, consistente: a evolução do processo de desenvolvimento de aplicações levara os empreendimentos a um nível de industrialização, e era preciso aprender a produzir software como se aprende a produzir eletrodomésticos; as técnicas do CASE forçavam a tecnologia da informação e reestruturar-se em torno de um novo processo aerodinâmico de desenvolvimento de aplicações para ir de encontro às necessidades da empresa.
O CASE prometia disciplinar o processo de desenvolvimento de sistemas. Apoiava, dizia a teoria, os usuários envolvidos em cada aspecto do ciclo de desenvolvimento de software. A abordagem do CASE a este desenvolvimento de software implicava na coordenação, através de uma estrutura voltada para o ciclo e baseada em computador, das necessidades, da análise, do projeto, do desenvolvimento e da implantação do software. O maior benefício de uma tal abordagem é o de impor disciplina a um processo geralmente indisciplinado. A disciplina toma a forma de rígido controle do gerenciamento do projeto, de uma maior reutilização dos componentes e de um processo decisório controlado, não genérico.
Muitos fracassos de que acusam o CASE podem Ter-se originado das dificuldades culturais e organizacionais. Implantar a filosofia CASE exige muito de cada aspecto de um empreendimento. Poucas empresas prepararam-se para as necessárias mudanças culturais e organizacionais que a implantação do CASE requer para lograr êxito. Muitas delas, consequentemente, preferiram a saída mais fácil e jogara a culpa nas ferramentas. Mas a culpa, de um modo geral, não foi das ferramentas, e sim da falta de planejamento e das exageradas expectativas.
Questões:
- Os grandes gargalos principalmente nas áreas de manutenção de sistemas estão na falta de documentação destes sistemas. Com a tecnologia CASE, acenou-se para a possibilidade de, gradativamente, diminuir este passivo. Como resolver este problema?
- Com planejamento, esta tecnologia poderá voltar à cena?
- Os geradores de aplicativos poderão ter o mesmo fim?
Moacir é Coordenador de Projetos, especialista em Sistemas de Informação/Redes de Computadores,
professor de Curso Superior e Mestrando em Informática pela Universidade Católica de Brasília - UCB