Negócios correm pela Rede

De acordo com os números da Forrester Research, esses negócios entre empresas devem movimentar este ano cerca de USS 109 bilhões, somente no mercado americano, onde serão vendidos pela Internet o equivalente a mais de USS 18 bilhões de dólares. No mundo, o comércio eletrônico vai movimentar este ano cifras da ordem de USS 150 bilhões. Expressivo? Pois este total deverá se multiplicar em até cinco vezes no prazo de um ano e meio, chegando a valores que podem variar entre USS 640 e USS 970 bilhões de dólares em 2001.

No Brasil este número obviamente são bem mais conservadores. O total de usuários gira em torno de três milhões e as transações business-to-business devem movimentar este ano cerca de USS 100 milhões.

Os resultados da pesquisa apontam para um boom do comércio eletrônico no Brasil a partir de 2002/2003 e, a exemplo do que acontece lá fora, as transações business-to-business são as que movimentarão a maior parte da "economia" do comércio eletrônico, numa proporção de 83% contra 17% do business-to-consumer. E mais, a grande maioria dessas transações acontecerá via Internet. Para o diretor internacional do Forrester Research. Donald DePalma, a Internet será uma parte significativa da economia mundial.

O comércio eletrônico é visto como uma iniciativa de alto impacto pela grande maioria das empresas entrevistadas pela Forrester Research no Brasil. Do universo analisado, 82% acreditam que adoção de negócios com a utilização de meios eletrônicos leva a um melhor atendimento ao cliente, representa um diferencial dentro do mercado e leva à redução de custo operacional possibilitando, inclusive, uma ampliação do leque de produtos e serviços a serem oferecidos.

A pesquisa mostrou que no âmbito de companhias líderes em seus segmentos é significativo (77%) o número das que já possuem alguma forma de comércio eletrônico. O meio utilizado nessas transações é o EDI tradicional, com 32%, seguido pela Internet, com 27%. De acordo com o estudo da Forrester, a expectativa do mercado para os próximos três anos é de uma maior utilização da Internet (68%) em detrimento do EDI tradicional. E mais, das empresas que hoje ainda não efetuam transações via comércio eletrônico, grande parte já tem planos objetivos de implantação de soluções do gênero nos próximos três anos.

Diversos fatores ainda apontados pelas empresas como empecilhos para o desenvolvimento do comércio eletrônico como parte de seus negócios. No caso das indústrias e das empresas do setor de serviço, o principal fator restritivo é a falta de uma retaguarda de sistemas de ERP que suportem operações online e real time com os parceiros comerciais. No comércio esse ponto aparece em segundo lugar, tendo à frente questões que envolvem a alta administração, como restrições a mudanças de ordem cultural e o não conhecimento de como o comércio eletrônico é capaz de mexer com os negócios da empresa.

Quanto aos fatores externos que podem vir a adiar decisão sobre a implantação do comércio eletrônico, no caso da indústria a maior parte das empresas apontou para a falta de um padrão no mercado que envolva procedimentos, normas e soluções de aplicativos, dificultando a expansão, em especial, do business-to-business. As empresas da área de comércio e de serviços se ressentem, principalmente, do número ainda restrito de consumidores online e dos desafios representados pela mudança cultural dos clientes, habituados com formas diretas de compra e venda.

Referência - INFORMARTIONWEEK, Tecnologia da Informação, "Negócios correm pela Rede", Abril 1999 - ano 1 No. 1, páginas 38-41.

Moacir é Coordenador de Projetos, especialista em Sistemas de Informação/Redes de Computadores,
professor de Curso Superior e Mestrando em Informática pela Universidade Católica de Brasília - UCB

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