Modificações Organizacionais ERP, é a vez da "teles"?
A mudança do foco dos negócios no segmento de telecomunicações no Brasil com a privatização do setor em meados de 1998, está trazendo um rebuliço no mercado. A necessidade de aliar eficácia + eficiência vem promovendo modificações funcionais e estruturais.
A Tele Centro Sul Participações S/A, controladora de nove operadoras (TELEBRASILIA, TELEGOIÁS, CTMR, TELEMAT, TELEMS, TELERON, TELESC, TELEPAR e TELEACRE) reformulou toda a sua estrutura e está "sacudindo" a área de Tecnologia da Informação com a transformação de nove para apenas dois centros de serviços (Brasília ambiente IBM e Goiânia ambiente Cliente/Servidor). Se a agitação é grande no mercado mundial com grandes fusões, a briga no Brasil também começa a ficar mais acirrada. A partir de julho/99, já será possível fazer ligações telefônicas interurbanas escolhendo o provedor, sem necessariamente utilizar os canais da Embratel, pois a capilarização das redes da operadoras já estará disponível.
A mudança substancial na estrutura organizacional com um enxugamento de gerências e um maior foco no negócio, com a exigência maior dos "analistas de negócio", empregados altamente especializados com conhecimento global, e não apenas setorial como no passado.
A gestão empresarial está em estudos e a revisão de procedimentos já começou a desmistificar a implantação de ERP nas operadoras. O conservadorismo de empresas de telecomunicações deverá ser mexido. Quem chegou para assumir o comando, vai querer saber, com muito mais rapidez, qual o retorno dos projetos. São viáveis? Quanto custa? Como fazer retroalimentação e viabilizar os projetos inicialmente inviáveis? E a migração para plataforma mais amigável? Quem está na administração agora estará comprometido com os negócios. Prá ser competitivo, será necessário fazer avaliação dos fornecedores não em dez dias utilizando cinco pessoas, mas em questão de horas, com apenas um empregado. A gestão por Unidades de Negócio será cada vez mais necessária e não um segmento bancando o outro. É preciso conhecer o potencial das pessoas e dar-lhes oportunidades de desenvolvimento, nem que prá isso, o preço seja mudar algumas cabeças.
Já se pode notar que na escolha de novos colaboradores (termo agora utilizado para se referir aos empregados) o peso dos currículos que tem alguma afinidade com ERP que busca racionalização, flexibilidade e agilidade (eficácia + eficiência) já começa a ser maior. Organizações que querem ser orientadas para processos e integradas por sistemas de gestão empresaria, precisam instalar tanto o novo software, como o novo peopleware complexo envolvendo as pessoas da organização e os diversos elementos estruturais intimamente ligados a elas.
Moacir é
Coordenador de Projetos, especialista em Sistemas de
Informação/Redes de Computadores,
professor de Curso
Superior e Mestrando em Informática pela Universidade
Católica de Brasília - UCB