Rosário
As hóstias amargas da vida,
o torpor cruel do vinho santo,
os dias todos por terem uma saída,
minha alma ainda cheia de cantos.
As rugas escondidas e imperceptiveis
que brincam de gotas na pele da flor.
os tamborins que soam roucos,
em todos os guetos, sem nenhum pudor.
as procissões carentes de almas,
aos homens, carentes de paz.
as cores que nada mais acrescentam,
teimosas, ainda tentam um tom de lilás.
E as tardes que se queimam, enfileiradas,
órfas de qualquer perspectiva
apenas uma conta a mais
nesse estranho rosario da vida.
Tonho França
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