Lílian Maial
Meus amigos


P O E M A S


 Chantilly  Em tua boca  Eu, Poema  Mirante  Olhares (II) - Felino  Olhares (III) - Míope  Olhares (IV) - Meigo  Olhares (V) - Maroto


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Chantilly

Branco cremoso, Brilhante e leitoso, Em teu corpo suado Para o amor torneado Espalho a delícia Em porções generosas de malícia E deslizo a língua Lambendo os lábios Felina e cruel Sorvendo esse mel azedinho Delimitando teu prazer com o "mindinho" Derretendo entre os dentes Lambuzando, inclemente, Ora aqui, ora ali Saboroso chantilly. Escorre safado, Entre cócegas e arrepio, Esquentando, embora frio. Adorna com prazer Tudo o que vou comer, Sem deixar rastro Da bandeira ao mastro, Incomparável chantilly. Te quero nos lábios, Te gosto nos seios, Te lambo nos sonhos, Te chupo nos dedos, Te sorvo nos pêlos, Te enfeito no falo. Nada falo, só degusto E, com muito custo, Divido contigo, Divino chantilly. * * * Lílian Maial Rio, 06/03/01.

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EM TUA BOCA

by Lílian Maial Em tua boca Meu gosto se funde Ao prazer de teus lábios. O tempo pára Para absorver A energia De nossa troca. Tuas mãos alcançam O ápice da dor, Ao beliscarem A emoção de te sentir Nos mamilos tristonhos De saudade paralela. Teus apêndices, Fálicos senhores De meu corpo, Deslizam sorrateiros Por meus vales, Até encontrarem A nascente [Indecentes acidentes] Geograficamente Anatômicos Atônitos Atômicos Sodômicos Só teus. * * * Lílian Maial Rio, 09/05/01

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EU, POEMA

Trago em mim Esse poema oculto, Que está sempre pronto A ser composto. Que eu tento, em vão, A todo custo, Iniciar os versos Ao meu gosto. Não encontro rimas, Sequer um tema, Nem por onde começar. Apenas vejo Que esse meu dilema É só mais um lixo A me reciclar. * * * Lílian Maial 20/03/01.

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MIRANTE

Era outono, tarde aconchegante, Brisa despenteando vontades. E um cheiro de amor e saudade, Embotando a linha do horizonte. Saída de não se sabe onde, A lua, cor de rosa e indecente, Provocava o sol, cansado e poente, Que se deitava a acalmar a fronte. E quanto mais ele se apagava, Mais vibrante a outra se fazia, Debruçada no mar que jazia, Espalhando os cabelos de prata. Não havia pressa em seus encantos E por vários matizes se quis, Enamorando o astro infeliz, Que já sumia em silente pranto. Foi quando, a um passo da hegemonia, Um brilho estonteante a ofuscou E pra longe no céu a fixou, Enciumada de tanta energia. Obcecada pela intensidade, Nem viu a despedida solar, Que vingou-se, pelo nosso olhar, Refletindo, em nós, felicidade. * * * Lílian Maial Rio, 08/04/01.

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OLHARES (II)

FELINO

Felinos olhos De mel e espanto Piscando encontros Cegando estrelas Desviam rotas Por entre as pedras. Por entre as pernas Teus cílios vivos De negro brilho Acusam lágrimas Sou eu teu cisco. * * * Lílian Maial Rio, 30/04/01.

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OLHARES (III)

MÍOPE

Fecho os olhos Não, abro-os! E não enxergo outro, Senão teu rosto. Preciso mudar as lentes. Urgente! * * * Lílian Maial Rio, 30/04/01.

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OLHARES (IV)

MEIGO

Pousa em mim Teu meigo olhar profundo Veste a luz sobre a noite Na brancura dos lençóis desfeitos. Mancha o corpo Com nódoas de recordações Entalha a fogo teu nome Em meu peito. * * * Lílian Maial Rio, 30/04/01.

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OLHARES (V)

MAROTO

Olhos marotos, Que quereis com os meus, Pousados mornos alhures? Olhos meninos, Que fareis dos meus, Absortos e perdidos? Olhos maldosos, Que dareis aos meus, Quando negardes a luz e partirdes? * * * Lílian Maial Rio, 30/04/01.

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