Judith de Souza
Meus amigos


P O E M A S

( POETRIX )

 Foi tanto...  Minha vida  Mudança de valores  Essencial


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Foi tanto...

no entanto era noite nos teus olhos de espanto e de encanto eu me debrucei nesse olhar apagou-se a luz em cada canto da lucidez e do recanto mais escondido do meu ser o amor se fez com seus tentáculos reduziu obstáculos à simples nudez e depois de tudo foi poesia, foi canto foi acalanto foi tanto outra vez * * * Judith de Souza

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Minha vida

No mar que sou Os amigos são rios Que em mim deságuam E em mim navegam Barcos vadios Jangadas e navios Sou caminho que leva Que traz, desvios Amores bravios Fazem altas marés Que me jogam no convés De alguém Quem sabe quem? No mar que sou Tenho a eternidade Dos elementos Dos momentos Que ficam na memória Da história na História No mar que sou Sou a gota que falta O grão de areia que entorna O sal que deixa em tua boca A essência, a ciência Dessa minha vida louca * * * Judith de Souza

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Mudança de valores

Há que lamentar noites de outrora Carruagens em caminhos de ardósia Leques refrigerando os ardores Tornozelos levando à loucura Estranhos e pecaminosos amores Há que lamentar o pecado As vigílias e os joelhos sangrando Orações aos pés dos oratórios O perdão suplicado aguilhoando Há que chorar a mulher morta Pálida folha seca em travesseiro Morreu de amor, de abandono, de tédio Sendo inútil qualquer remédio Há que lamentar sentimentos exagerados Tudo era grande, extremo, ornamentado O amor era toda uma história A separação era a morte em vida A agonia era a infinita glória Hoje tudo mudou de sina Esquece-se um grande amor No MC Donald's da esquina * * * Judith de Souza

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Essencial

essa que explode de dentro de mim sem identidade e definição essa que não é poeta nem mãe, nem paixão desconhecendo dever e métrica essa que nunca nasceu e transcende à morte essa que não tem saudade nem sonhos, nem vontade essa que não tem passado nem futuro, nem esperança e que é presente infinito essa que não condena nem redime pois nada quer do bem e do mal essa que não ama porque é feita de amor de um amor nunca descrito nem sentido essa que não sente dor nem alegria mas revive com o brilho do sol e desvenda a noite essa que voa sem asas e caminha sem pés essa que nada ofereceu e nada recebeu essa que olha tranqüila o recuo das "outras" que compreende tudo e não se espanta e não tem medo essa que não tem mundo e retém nos olhos o universo essa que não procura que não questiona que não tem necessidade de ser feliz essa que não quer nenhuma glória apenas fazer parte da história essa que chegou no tempo certo mas que esteve sempre por perto e que chegou enfim a essência de mim * * * Judith de Souza

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