Antoniel Campos
Meus amigos


P O E M A S


  Ronronar  Você no comando...  Faça assim:


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há uma calma, ternura, languidez... há uma mão, sobre um rosto, num afago... há sorrisos, calados, faciais... há dois dedos em "V", pedindo um trago... há vermelhos tingindo a tua tez, há um cinza de tantas espirais... há os rastros das línguas nos ouvidos... há murmúrios dos últimos gemidos... há uma blusa, um roupão, há uma meia, há um caminho de roupas pela casa... há uma perna que a minha serpenteia, há dois corpos ainda ardendo em brasas... há um livro caído, aberto ao chão, há um balde de gelo na cadeira... há um fado na voz da cantadeira, há uma taça, por pêndulo, na mão... há cabelos grudados no pescoço, há suores molhando o travesseiro... há no corpo de um, do outro, o cheiro, há veredas de unhas pelo dorso... há um "ah..." de "meu louco" e "minha louca"... há um gosto de sexo em nossa boca... * * * * Antoniel Campos

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Ronronar

Silêncios... eu e tu... a madrugada... Cadência em cada olhar... em cada gesto... O beijo inda não dado e manifesto à mínima palavra não falada... Nos ombros te tocar a mão untada... Do óleo, em tuas costas, todo o resto... Ouvir da tua boca que eu não presto... ao tempo em que te faço desnudada... São rédeas teus cabelos... cada cacho... e, lânguida, me chamas de "meu macho..." em meio a desconexos sussurros... Grudar em tua nuca um beijo afoito... e ouvir, por muito tempo, ao fim do coito, ainda o ronronar dos nossos urros... * * * * Antoniel Campos

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Você no comando...

O seu jeito ao tirar minha camisa... Tão suave, enquanto me desnuda... Uma mão impedindo a minha ajuda... E a outra, sutil, meu peito alisa... No pescoço, um bafejo, feito brisa... Aplacando o suor que se me exsuda... As palavras no ar... e a boca muda, Mansamente ao meu peito se desliza... Semi-cerro os meus olhos... pouco vejo... Em meu corpo todinho há seu beijo... Sob nós já não sinto mais a cama... É Rainha de todos os sentidos, É a Dona de todos os gemidos, Desse homem que é teu e que te ama... * * * * Antoniel Campos

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Faça assim:

bem antes de eu chegar, enxugue a sala: só quadros, o tapete e as almofadas, as flores renovadas e um pouco de saudade... e finja, à minha chegada, ar de surpresa... me envolva, desde a porta, em seu abraço, perceba o meu cansaço, embora eu não esteja... me leve para perto da sacada... desligue o spot próximo à janela... e à mínima candela, só brilhe a sua mirada... e deixe umas canções no ambiente... uns discos de vinil, balde de gelo... alise o tornozelo sentando displicente... por fundo, os bolerinhos da Batanga... ao chão, inda espalhados, meus sonetos... e o seu tubinho preto da cor da sua tanga... me beije, de repente, sem aviso, e dê para o meu beijo o seu pescoço... na voz em tom de esforço, me diz "eu te preciso..." me engane ao dizer que eu sou o máximo... acenda a meia-luz, apague a roupa... arranhe as minhas coxas e diz que eu sou seu macho... e sente no meu colo, assim, no meio... pergunte qualquer coisa... eu direi "sim"... me tire o mocassim e dê pra mim seu seio... e fique assim gemendo em trote lento... guardando em seus afagos meu cabelo, seu hálito a aquecê-lo num "ai, que não agüento..." e passe do trotar à galopada... arranque meu silêncio com seus gritos... me chame de maldito, e implore ser amada... e beije e gema e grite e trema e goze... e que não fique nada nos ouvidos, além desses gemidos do arfar de nossas vozes... * * * * Antoniel Campos

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