Por
Alexandre Lobo (Revista
TATAME)
O
campeâo volta aos ringues
A
poucos dias da primeira rodada do Pride GP dos pesos médios,
no dia 10 de agosto, todos especulam quem, dos oito lutadores
escolhidos pela organização, passará pelos
três combates e se tornará o grande campeão.
Na teoria, o título ficaria em boas mãos se fosse
ganho por qualquer um dos oito. Entretanto, uma pessoa entra
no ringue com a responsabilidade de manter a sua imagem: o paranaense
Wanderlei Silva. Detentor do cinturão dos pesos médios
da organização, Silva é o homem a ser batido
pelos outros sete e sabe que o torneio será difícil.
Depois de ficar mais de seis meses longe dos ringues, se recuperando
de uma operação no joelho, a estrela da Chute
Boxe retorna aos ringues japoneses com a mesma fome de luta
de antes e avisa: 'Treinei duro para tratorizar quem passar
pela minha frente!'.
Por
que você, o campeão peso médio do Pride,
resolveu participar deste GP? Você não tem medo
de que as pessoas ponham o seu título em dúvida
se você perder?
Resolvi
lutar porque esta era a vontade dos meus fãs, eles sempre
querem o máximo do seu ídolo. Sou um lutador de
verdade e quero mostrar para todo mundo que não sou apenas
uma lenda. Sou real e não escolho os meus adversários.
Vou mostrar a todo mundo que agora é a minha hora. Sei
que se vencer, serei ainda mais valorizado. Quero ser reconhecido
pelo que faço como lutador de Vale-Tudo.
A
posse do cinturão do peso médio aumenta a sua
responsabilidade de vitória neste GP?
Claro,
a minha responsabilidade aumenta, mas me deixa também
com mais confiança. Na verdade, todos os que foram escolhidos
têm condições de ficar com o título.
Afinal, é tudo fera.
E
qual é a sua tática para se sagrar campeão?
Estou
trabalhando duro e vou tratorizar todo mundo. Vai ser bem no
estilo da Chute Boxe, com muita agressividade. Pode ter certeza
de que quem for me enfrentar vai tomar também as suas
precauções. Para se vencer um torneio com este,
o negócio é não se machucar muito na primeira
rodada, além disso, tem que estar bem preparado e ter
um pouco de sorte. Entretanto, não vou me poupar dentro
do ringue e vou buscar sempre o nocaute. O meu direto está
ainda melhor do que antes.
O
que você acha deste terceiro combate com o Kazushi Sakuraba
no Pride?
Os
japoneses ainda acham que tive sorte nas minhas duas vitórias
sobre ele. O que eu posso fazer? Só lutar de novo! Respeito
muito o Sakuraba, ele é um grande lutador e tenho certeza
que faremos uma grande luta.
Você
está a seis meses longe dos ringues por causa de uma
cirurgia no joelho depois do Pride 23, quando você enfrentou
o Kanehara. Como é que você está agora?
Ainda
estou fazendo um pouco de fisioterapia, mas, pode ter certeza,
já estou totalmente recuperado. Tive uma recuperação
espetacular depois da cirurgia, fiquei só um mês
longe dos treinamentos e agora estou voltando ao ritmo de competição.
Como
é que foi a sua rotina de treinos para o Pride GP?
Tive
ajuda de todos os meus companheiros de equipe. O treino de Muay
Thai com o Anderson Silva foi pedreira! Pressão o tempo
inteiro e quase quebrei o meu nariz! (risos). Outro que me puxou
bastante foi o Murilo Ninja nos treinos de Vale-Tudo que fiz
junto com o Maurício Shogun e outros caras bem duros
da equipe. Além disso, ainda treinei chão com
o Christiano Marcelo (faixa preta de Carlinhos Gracie)
Além
de você, claro, quem você acha que vai passar para
a próxima fase deste GP?
Acho
que o (Chuck) Liddell vai passar pelo (Alistair) Overeem e o
(Hideiko) Yoshida vai finalizar o Tamura. Já na luta
do Quinton Jackson, tudo pode acontecer... Ele tem uma mão
muito pesada!
Você
e o Jackson andaram se estranhando no Pride 23 e ouvindo você
falar agora, parece que você está doido para enfrentá-lo,
certo?
Se
eu tivesse que enfrentá-lo, não teria problema.
Tô louco pra passar por ele.
Deixando
o Pride GP um pouco de lado, sempre que o Dana White, promotor
do Ultimate Fighting Championship, pode, ele fala que o grande
sonho dele é colocar, frente-a-frente, o campeão
peso médio do Pride, você, contra o campeão
do Ultimate. Você aceitaria?
Acho
que seria ótimo. Sou lutador e um confronto como estes
é sempre interessante. Eu quero é lutar!
O
que você gostaria de falar para os seus fãs?
Gostaria
que eles me apoiassem, porque dentro do ringue eu preciso das
vibrações positivas deles. No Japão, estarei
lutando pelo Brasil!