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Mitológica
3. ... Aprender a pensar e ser criativo
Regra número 1
Você sabe que existe um ensinamento que já foi divulgado há mais de dois mil anos, está presente em todas as religiões do mundo, e mesmo assim quase ninguém pratica?
Pois é. Por incrível que pareça, se tal ensinamento fosse seguido por todos os seres humanos, a maior parte dos problemas da terra seria resolvida e melhoraria em muito a qualidade de vida das pessoas. E não é difícil imaginar o ensinamento que estamos nos referindo. É o já gasto, desgastado, sempre repetido e nunca seguido: Não faça a ninguém aquilo que não deseja que façam a você.
Este ensinamento, ligeiramente modificado, tem grande valor a todos aqueles que desejam mudar seu jeito de ser e realmente aprender a aprender. Na verdade, uma outra maneira de se formular este pensamento é aceitar que não somos perfeitos e que aceitando as falhas de outras pessoas compreendemos melhor as nossas. Desta maneira, não vamos fazer aos outros aquilo que não queremos que nos seja feito.
Transforme, assim, este velho ensinamento em uma nova regra: Não tenha medo de errar, aceite suas falhas. Faça de seu erro um ponto de apoio para um novo pensamento, uma idéia original. Só não erra quem não tenta.
Fortaleça sua coragem para arriscar. Corra o risco do erro e aprenda com ele.
Regra número 2
É provável que você já tenha ouvido dizer que utilizamos apenas uma pequena parte de nosso cérebro. Se mesmo assim conseguimos fazer bastante, imagine o que faríamos se utilizássemos melhor o nosso cérebro!
Isso parece difícil, mas exige apenas um pouco de treino.
Tudo quanto sabemos nos chega por informações e demonstramos esses conhecimentos através de nossa comunicação com pessoas que nos cercam. É, portanto, necessário que ensinemos nosso cérebro a funcionar melhor, aperfeiçoando nossa recepção de informações e nossa capacidade de comunicação.
E como isso é possível?
Treinando nossa capacidade de visão para enxergar detalhes, nossa audição para ouvir tudo e distinguir os sons e as distâncias que os separam, nosso olfato para selecionar odores, nosso paladar para diferenciar ainda que pequeninos gostos das coisas, e nossa sinestesia para arrancar do ambiente a pressão, a temperatura, a alegria, a tristeza e outras sensações.
Você já pensou no incrível potencial que a natureza colocou a seu dispor e que você jamais usa inteiramente? Pois é, esse uso não custa nada e nem exige sacrifícios imensos.
É necessário apenas acreditar e começar a treinar.
Garanto que você vai ficar surpreso com os resultados.
Use sempre, para receber e passar informações, todos os seus sentidos.
Regra número 3
Você sabia que seu cérebro possui dois lados, dois hemisférios, e que ambos trabalham de maneira diferente? Sabia que o ideal é os dois trabalharem sempre em equilíbrio, e isso raramente ocorre? Sabia que quando ajudamos o lado menos desenvolvido do cérebro aprendemos com maior facilidade e nos tornamos mais criativos?
Pois tudo isso é verdade. As pessoas que trabalham mais o hemisfério esquerdo do cérebro são mais meticulosas, detalhistas, disciplinadas, muitas vezes fechadas em si mesmas. Aprendem matemática com facilidade, pensam com muita lógica, mas são pouco românticas e bastante desconfiadas.
As que trabalham mais o hemisfério direito geralmente são mais sensíveis, pouco ciumentas, extremamente criativas, abertas a novas idéias e amantes de aventuras, mesmo que sempre as façam em sonhos. Na escola geralmente se dão bem em ciências humanas e artes, não porque decoram, mas porque compreendem a essência dos fatos. Não têm qualquer dificuldade para se colocar "no lugar do outro", ainda que vivendo em outra época ou lugar.
Sinta qual o seu hemisfério cerebral dominante. Cultive-o com carinho, mas treine bastante o outro. Não caia na tolice de achar que "pau que nasce torto, morre torto". Procure sempre ser o que não é, somando ao que já é. Enfim, treine seu hemisfério cerebral mais preguiçoso.
Seguindo as muitas regras deste livro você estará se treinando mesmo sem perceber. Veja o mundo com outros olhos.
A beleza não está apenas na cor dos olhos, mas também no jeito de olhar.
Regra número 4
Um dia certo professor fez um ponto na lousa e perguntou ao alunos do 2º grau, o que era aquilo. A única resposta foi esta: - É uma marca de giz. Quando fez o mesmo sinal numa sala de aula de alunos do 1º grau obteve, além daquela resposta, muitas outras diferentes: uma estrela, um olho de animal, uma ponta de charuto, o todo de um poste, uma pedra, etc., etc., etc.
Os alunos do 2º grau sabiam muitas coisas, mas estavam com a imaginação emperrada; os do 1º grau com a imaginação e criatividade "a mil por hora".
Não é à toa que Bernard Shaw afirmou certa vez que sua "educação jamais foi interrompida... salvo quando assistiu aulas". É verdade. Muitas vezes a preocupação excessiva para nos ensinar "conteúdos e conceitos" acaba-nos "enferrujando" a imaginação.
O remédio, então, é soltá-la.
Mas, como isso pode ser feito?
Existem muitas maneiras. Uma delas é sempre buscar muitas respostas certas para a mesma pergunta. Brinque de buscar respostas diferentes. Quer ver? - O que é mar? Pobre de você se achou somente uma resposta. Pode ter certeza: quatro respostas para esta pergunta ainda é pouco.
Cultive sua imaginação em todos os momentos.
Regra número 5
Uma boa idéia, daquelas que ninguém parece ter, pode aparecer em nossa cabeça em dois momentos: fase da germinação e do florescimento.
Como o próprio nome está dizendo, na fase da germinação a idéia começa a brotar; na Segunda, ela se desenvolve e é necessário colhê-la.
Na primeira fase é necessário a gente ser mais criança: fantasiar, sonhar, pensar absurdos, imaginar coisas ridículas e engraçadas...
Cultive, sempre que puder, essa primeira fase.
O importante é você não abandonar tais idéias, mas levá-las cuidadosamente para a segunda fase.
Já nesta fase é necessário colocar limites nas idéias, avaliá-las, prever riscos, pensar qual sua validade e tentar, de muitas maneiras, transformá-las em uma frase, um projeto, uma ação.
A chave da aprendizagem de um conceito é sempre relacionar idéias soltas e, analisando-as, dar às mesmas um caminho concreto. É isso que você necessita fazer com seu pensamento: criar absurdos e, na segunda fase, torná-los coerentes: passar do confuso, imaginativo, para o lógico, o prático.
Procure semelhanças em coisa aparentemente diferentes.