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Mitológica
A História da Medusa
Posêidon, apesar de morar nas profundezas do oceanos, tinha o
poder de saber tudo o que passava no Universo. Seu tridente lhe
dava o poder de acalmar os elementos, desencalhar embarcações e
fazer surgir ou desaparecer as ilhas. Devido ao temor que seu
poder provocava, todos tinham medo dele e nenhuma mulher queria
se envolver com ele. Daí sua gratidão aos golfinhos que
conseguiram convencer Anfitrite a se casar com ele. Mas ele não
casou-se apenas com Anfitrite. Valendo-se de seus poderes
transformou-se em um cavalo e relacionou-se com Deméter. Quando
Deméter deu à luz a um cavalo (Arion), ficou tão envergonhada
que se ocultou em uma caverna por muito tempo. Ápos isso,
Posêidon, tendo se apaixonado por Medusa que era extramente bela
e possuía lindos cabelos, transformou-se num pássaro e a raptou
levando-a para o templo de Atena que ofendida com o ocorrido e
não podendo castigar Posêidon , vingou-se em Medusa
transformando seus cabelos em serpente e colocando uma magia em
seu olhar que transformava em pedra todos que a olhassem.
A Cabeça da Medusa
Quando o rei Acrisius recebeu o negro vaticínio do Oráculo de
Apolo, ele quase perdeu os sentidos. Porque isso acontecia a ele?
O que haveria de fazer ele para que o filho de sua filha o
matasse um dia? Esperou sua razão retornar e pôs-se a pensar no
que faria para evitar que fosse cumprida tão triste profecia.
"Sim, de minhas mãos partirá um ato de grande crueldade,
mas também de grande necessidade. Trancarei minha filha, minha
tão amada filha, em uma torre para nunca mais sair. Assim
confinada, não poderá ter filhos, e não será cumprida a
profecia de Apolo". E ao retornar à sua cidade, fez com que
sua vontade fosse cumprida e a jovem Dânae foi levada a uma
torre de bronze. Passaram-se muitos dias, muitos meses, e a bela
Dânae continuava trancada naquela torre, sem entender muito bem
o motivo que a tornara cativa de seu próprio pai. Não havia
maneiras de fugir de sua prisão, pois aquela torre não possuía
portas ou escadarias, apenas uma pequenina janela por onde
entrava os raios do sol e através da qual passava longos
momentos a espiar o mundo lá fora. Um dia colou seu rosto à
janela para sentir o frescor da manhã, mas a sensação de
impotência perante sua situação feriu de tal maneira seu
ânimo que quedou para trás, a cabeça segura pelas mãos e
lágrimas nos olhos.Foi quando sentiu uma presença estranha.
Abriu os olhos e ficou estarrecida ante o que viu: Uma chuva de
pingos dourados, brilhantes como o sol entrava através da
pequena janela e tomava a forma de um homem. Era uma figura
majestosa e carregava em sua mão um raio. Dânae percebeu que
quem estava à sua frente não podia ser um homem, mas um deus. O
ser aproximou-se dela e disse: " Não temas, bela donzela.
Sou um deus poderoso e vi o que seu pai fez a ti. Seu sofrimento
e resignação me fizeram querer fazer de ti minha esposa".
Dito isso, transformou a prisão horrível em um lugar
maravilhoso, ensolarado e cheio de flores. A beleza era tanta que
fez a torre assemelhar-se aos Campos Elísios. Porém os guardas
encarregados de levar a comida à Dânae estranharam a luz que
emanava de dentro da torre e correram para avisar ao rei.
"Senhor, algo de maravilhoso acontece naquela torre. Estamos
todos temerosos de até mesmo espiar lá dentro". O rei
apressou-se a ver o que estava acontecendo na torre, e ao notar a
claridade que partia da pequena janela, mandou que os guardas
arrombassem as paredes para que ele pudesse entrar. Quando
finalmente as paredes foram postas ao chão, o rei pode ver que
sua filha trazia nos braços uma criança forte e saudável.
"Como podes ter dado à luz uma criança, se te mantive
trancada nesta torre por tanto tempo, sem contato com nenhum ser
vivente?". Dânae sorriu ante a confusão do rei e
contou-lhe toda a história. "Ele chama-se Perseu, e é teu
neto". Que um milagre havia ocorrido era certo. Porém ele
não podia deixar que o oráculo do deus Apolo fosse cumprido.
Precisava acabar com aquela pequena vida. Sem coragem para mandar
matar aquela a criança, que era de sua descendência, trancou
mãe e filho em uma caixa, e atirou ambos ao mar. Zeus não
deixaria que sua prole fosse tão cruelmente assassinada, e de um
modo misterioso aquela caixa chegou seguramente à ilha de
Seriphos, da qual um certo Polydectes era o soberano. Seu irmão,
Dictys, era um pescador e acabara de abrir suas redes na praia
quando avistou aquela caixa que boiava perto da linha do
horizonte. Pegou em sua mão uma rede e entrou no mar, correndo
em direção à caixa, até parar com água na altura do peito.
Lançou então a rede e pegou a caixa, que puxou fortemente para
a praia. Imaginem a sua surpresa ao abrir a caixa e ver uma linda
mulher com uma criança em seus braços! O pescador ficou
comovido com a história contada por Dânae e prometeu cuidar de
ambos, até que se sentissem seguros para partir. Nesta ilha
Perseu cresceu e se tornou um jovem forte e habilidoso, e sua
mãe havia se tornado uma mulher muito bela, agora mais madura.
Um certo dia, o rei Polydectes passou pela casa do irmão e se
encantou com a beleza de sua hóspede. Desejou tê-la e, mesmo
sendo rejeitado, cumpriria seu intento, se Perseu não o
impedisse. O rei ficou com muita raiva de Perseu, mas temia matar
um hóspede de sua ilha e atrair a ira de alguma divindade.
Polydectes armou, então, um plano que o livraria da presença
importuna de Perseu. Aproveitou o casamento da filha de um amigo
e, dizendo-se protetor de tal matrimônio, obrigou que todos os
convidados trouxessem algum presente. Perseu era muito pobre,
pois vivia na ilha apenas ajudando as pescarias de Dictys. O rei
fingiu estar furioso quando o jovem Perseu entrou no santuário
de mãos vazias. Acusou-o de vagabundo e insolente, ao que Perseu
respondeu: "Aponte-me um presente que possa ser conseguido
apenas com meu trabalho e bravura, e não com posses, e eu o
trarei. Qualquer um". "Pois traga-me a cabeça da
górgona Medusa, então". Seu plano havia funcionado e
Perseu caiu em sua armadilha. O herói não podia mais voltar
atrás e teve de aceitar a tarefa, de tão grande risco que
certamente pereceria sem completar. Ninguém jamais havia visto
uma górgona e continuado vivo. Pois segundo contavam, eram seres
abomináveis, com serpentes pretas em lugar dos cabelos, pele de
escamas, asas douradas e mãos de bronze que estraçalhariam
qualquer homem que delas ousasse se aproximar. Mas, pior que
tudo, seus olhos tinham o poder de converter qualquer um que os
olhasse em pedra. Perseu sentiu medo apenas de pensar em tais
criaturas, mas não querendo quebrar sua palavra, partiu em uma
viagem desesperada. Já durava dias a sua busca e Perseu não
havia visto nenhum sinal da Medusa. Exausto, sentou-se em uma
pedra que estava à beira do caminho para recuperar suas forças.
Subitamente, uma mulher muito alta e bela e um jovem forte com
sandálias aladas apareceram em seu caminho. "Estás
procurando pela Medusa ou já desistiu de teu intento?",
disse o jovem de sandálias aladas. "Quem são vocês e o
que querem comigo?". "Sou o deus Hermes e esta é a
deusa Atenas. Nosso pai ordenou que viessemos ajudá-lo a cumprir
sua missão, pois corres grande risco". Dito isso, o deus
pegou suas sandálias e as entregou a Perseu: "Estas são
minhas sandálias. Elas podem te sustentar no ar e levá-lo
rapidamente a qualquer lugar que desejes ir. Tome também essa
foice que foi usada por Cronos para castrar Urano e pelo grande
Zeus para vencer o poderoso Typhon". "E este é meu
presente", disse a bela deusa Atenas, "Segure meu
escudo, com certeza ele protegerá a ti do poder da Medusa".
"Ah, sim, estava quase esquecendo-me", disse Hermes,
"Você deve ir até a caverna das Graeae (Gréias ou
Grisalhas) e conseguir que elas te indiquem o caminho para as
Ninfas do Norte, que te darão o gorro da escuridão e uma sacola
mágica para guardares a cabeça da Medusa. Elas também te
indicarão o caminho para a toca das górgonas". Sem demora,
Perseu colocou as sandálias mágicas e voou em direção a
caverna das Graeae. Lá chegando, ficou escondido próximo à
entrada, de onde pode observar o interior. As Graeae (Pemphredo,
Enyo e Dino)eram três mulheres idosas que possuiam apenas um
olho e um dente, os quais tinham de compartilhar para que
pudessem enxergar ou comer. Essa fraqueza das Graeae fez com que
Perseu elaborasse um plano para extrair das mulheres a
informação que necessitava. Perseu escondeu-se entre uns
arbustos no interior da caverna, enquanto as Graeae preparavam
algo em seu caldeirão. Ele atirou uma pedra em direção a
entrada, o que fez com que as Graeae que estava com o olho se
voltasse para aquela direção enquanto as demais questionavam
sobre a origem do ruído. Quando ela estava passando o olho para
outra Graeae, Perseu tomou o olho de sua mão. Ante os gritos de
ameaça e confusão das mulheres, Perseu exigiu que lhe fosse
indicado o caminho para as ninfas do Norte, em troca do olho
roubado. Só depois de perceber que Perseu estava disposto a não
retornar-lhes seu olho foi que as Graeae concordaram em revelar o
caminho. Querendo ganhar tempo para fugir, Perseu deixou o olho
sobre uma pedra na caverna, forçando as três mulheres à
procurr o olho e ganhando, asim, tempo para fugir. Novamente
usando suas sandálias aladas, alcançou rapidamente o bosque das
ninfas, seguindo o caminho indicado pelas Graeae. As ninfas do
Norte eram criaturas simpáticas aos homens, e sabendo da sua
missão, deram o gorro e a sacola ao herói. "Esse gorro tem
a qualidade de fazer qualquer pessoa que o esteja usando
invisível", disseram as Ninfas, e indicaram a ele o caminho
para a toca das górgonas. Perseu então voou para norte, pelo
caminho que as ninfas lhe disseram, até que chegou à uma ilha,
cercada de estátuas de pedra. Perseu aproximou-se de uma dessas
estátuas e sentiu seu sangue gelar: Compreendera que aquelas
mórbidas estátuas de pedra na verdade eram os corpos
transformados em pedra das pessoas que ousaram aproximar-se do
local das górgonas. Escondeu-se atemorizado atrás da estátua e
colocou o escudo de Atenas na altura de seus olhos. Pelo reflexo
do escudo começou a vasculhar a ilha procurando sinal dos
monstros, até que viu a entrada da toca onde habitavam. Perseu
continuou a andar de costas para a toca, guiando-se pelo reflexo
do escudo. Viu que em seu interior Medusa e suas irmãs estavam
adormecidas e aproveitou essa oportunidade para realizar seu
feito. Aproximou-se de medusa e, tendo seus braços guiados pela
deusa Atenas, cortou sua cabeça com a foice de Zeus no exato
instante que esta abria os olhos. O grito que esta soltou
combinado ao barulho de seu corpo caindo ao chão, acordou suas
irmãs. Da cabeça cortada da Medusa saíram dois seres
fantásticos: o cavalo alado Pégasos e o gigante Crisaor, ambos
filhos de Poseidon. Perseu, porém, colocou sua cabeça na sacola
mágica e alçou vôo para fugir da caverna, enquanto as irmãs
da Medusa, agora despertas, tentavam ferir o herói. Perseu podia
agora retornar ao seu lar, pois havia cumprido o que prometera.
Em seu caminho de volta, Perseu avistou Atlas, que sustentava a
abôbada celeste em suas costas, como punição por haver se
juntado aos gigantes na luta contra Zeus, e sentiu pena do seu
fardo. Voou próximo ao seu rosto e, tirando a cabeça da Medusa
da sacola mágica, transformou o titã em pedra, para que não
mais sentisse o peso que devia manter suspenso. Sobrevoando uma
praia, viu o que pareceu-lhe ser uma estátua acorrentada a uma
rocha. Ficou curioso com sua visão e resolveu pousar no
promontório de pedra. Qual foi a sua surpresa ao ver que a
estátua na verdade era uma belíssima jovem. "O que fazes
assim, presa, a uma rocha, deixada frente a fúria do mar?",
perguntou o herói. "Fui acorrentada porque minha mãe
insultou os deuses, dizendo que eu era mais bela que as nereidas.
Isso enfureceu a Poseidon de tal maneira que ele exigiu que eu
fosse sacrificada a um monstro que surgiria do mar ou todo o
reino seria devastado. Por isso meu pai me prendeu a essas
rochas." Mal terminara de ouvir a história, um som
terrível elevou-se do mar às suas costas. Um monstro imenso
saiu do mar e, vendo a jovem acorrentada, rumou em direção à
pedra. Perseu avaliou bem o tamanho do monstro e sua agilidade, e
se lançou ao ar, voando fora do alcance do monstro. Quando já
havia se aproximado o suficiente, tirou de sua sacola a cabeça
de Medusa, enquanto o monstro instantaneamente teve a pele
convertida em rocha, afundando no mar. Perseu voltou à rocha e
libertou a jovem. "Sou Andrômeda, e meu pai é o Rei
Cepheus", disse. Perseu pegou-a nos braços e levou-a ao seu
pai. Quando este o viu chegando voando com a sua filha - ainda
viva - nos braços, ficou assustado e pensou estar vendo um deus.
Perseu explicou o que havia ocorrido e como derrotara o monstro.
Ante a estupefação do soberano, Perseu pediu a mão da linda
Andrômeda, que foi concedida prontamente. Agora Perseu
retornaria para Seriphus, para junto de sua mãe. No caminho
Perseu decidiu parar em Larisa e competir nos jogos que lá
estavam ocorrendo. A primeira prova consistia no lançamento de
disco, o qual Perseu era bastante hábil. O seu disco, porém,
acertou um velho homem, de nome Acrisius, que estava numa das
arquibancadas. Perseu lamentou bastante a morte do homem, sem
saber que a antiga profecia de Apolo havia finalmente se
cumprido. Finalmente Perseu chegou à ilha de Seriphus, após
tantas aventuras. Quando entrou na casa onde morava encontrou-a
vazia e correu à praia para procurar o pescador Dictys. Este
informou-lhe que o seu irmão, não tendo obtido sucesso em
convecer Dânae a desposá-lo, obrigou-a a ser sua camareira.
Perseu ficou furioso. Deixou Andrômeda e Dictys na praia e rumou
para o castelo do rei. Entrou no palácio por uma das janelas e
posou bem em frente ao trono de Polydectes. "Muito bem,
Polydectes", disse o herói, "trago comigo o que
prometi a você, mesmo havendo arriscado minha vida. Acho porém
que você não me acredita, e deseja ver para ter a prova".
Enfiou a mão em sua sacola e segurou a cabeça da Medusa.
"Os que são meus amigos que fechem os olhos!", gritou.
Polydectes não deu ouvidos ao seu aviso e olhou diretamente para
a cabeça da Medusa quando esta foi tirada da sacola. Ele e todos
os seus cortesãos foram transformados em estátuas. Perseu e
Andrômeda viveram alegremente por muitos anos na ilha de
Seriphus, e tiveram uma descendência muito gloriosa. Perseu era
o avó de Herácles, que tornou-se um dos maiores heróis da
antigüidade. Tanto ele quanto sua amada Andrômeda foram levados
ao céu por Zeus e transformados em constelações.