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Mitológica
Meu Contos
Publicado no Jornal O Diário de Barretos - 20 de outubro de 2004
Sem Idade para Entender
Não
importa a idade que tenham, as pessoas sempre têm algo em suas vidas que ainda
não entenderam.
Só
para destacar: minha avó se chama Anna de Souza Lima Francisco Alves.
Anna com dois Ns (Viu? Não vão errar depois!). Mas ela atende também por Dona
Anna e pela sua variante: Don’Anna.
Era
finalzinho de maio, dia do meu aniversário. Como sempre acontecia, fui a casa
de minha avó buscá-la. Eu fui a pé, mas voltei de Ferrari. Isso mesmo, a
minha avó tem uma Ferrari! E, como sempre acontecia, fui eu quem dirigiu o carrão.
Em
inverso à alta velocidade, na primeira esquina, já viramos na contramão. Três
quarteirões depois, havíamos chegado no destino. Primeiraminto, pusemos o
carro na garagem. Segundamente, o colocamos dentro de casa; para ser mais exato,
na sala de televisão.
Estávamos
sozinhos, ela sentada na Ferrari e eu sentado no sofá. De repente, ela me
perguntou:
–
Sabe o que o frio dessa noite me fez?
–
Não, vó – respondi. – O que o frio dessa noite te fez?
–
Fez com que eu entendesse uma coisa!
Nesse
momento, ela se ajeitou, sentando-se um pouco mais confortavelmente e começou a
contar uma história:
–
Quando eu tinha uns 6 ou 7 anos, meu pai, em todas as noites frias,
pedia-me um favor. Então, todos os dias, após o jantar, eu pegava dois tijolos
e os embrulhava em uma flanela. Naquela época, ainda usávamos o fogão à
lenha. Por isso, quando a comida estava pronta, tirávamos a lenha que ainda
poderia ser utilizada. E assim, no fogão só restavam as brasas. Eu pegava os
dois tijolos embrulhados na flanela e os colocava na frente do forno. Depois de
algum tempinho, eu ia lá de novo e virava os tijolos. Desta forma, os dois
lados dos tijolos ficavam aquecidos. Na hora de dormir, eu punha os tijolos no pé
da cama do meu pai, conforme ele havia pedido. Porém, nunca entendi o motivo
pelo qual eu fazia aquilo.
Ela,
novamente, ajeitou-se na cadeira, sentando-se em outra posição e continuou:
–
Só que nesta noite, nesta noite sim, eu entendi porque todas as noites
meu pai me pedia aquele favor. Sabe? Nesta madrugada, eu acordei e senti um
enorme frio nos pés! Nossa, meus pés estavam congelados! Imediatamente,
veio-me na cabeça os tijolos embrulhados na flanela e aquecidos diante do fogão
à lenha. Então, entendi tudo. Meu pai não conseguia dormir com os pés
gelados. Só a coberta não era suficiente, por isso, em todas as noites frias,
lá estavam os tijolos aquecidos em seus pés. Ele colocava os pés perto dos
tijolos para esquentá-los e só assim conseguia dormir.
A
história da Dona Anna acaba aqui. Mas ela vai muito mais além dentro da minha
cabeça. Minha avó tem 80 anos e só agora foi entender o que lhe acontecia
quando tinha 6 ou 7 anos de idade. Contando-me isso, minha avó me fez entender
que:
A sua idade não importa. Algumas coisas você entende facilmente. Outras, você demorará muitos anos para entender. E outras, você nunca entenderá.
Agora é a hora do julgamento! Clique na figura abaixo e fale o que quiser.