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Mitológica
Meu Contos
Publicado no Jornal O Diário de Barretos - 18 de setembro de 2004
Sem Idade para Crescer
Não
importa a idade que tenham, as pessoas sempre têm algo para aprender e para
ensinar.
Em
janeiro deste ano, conheci Cabo Frio – RJ. E, sinceramente, não gostei muito.
A água me fazia pensar duas vezes antes de entrar no mar. Cabo Frio não se
chama Cabo FRIO à toa, mas sim porque a água é extremamente gelada.
Mesmo
assim, eu não saía da praia. Fizesse sol ou fizesse chuva, eu estava lá! Por
isso, posso dar esse conselho. Quando você for a Cabo Frio (na Praia do Forte)
reze para que chova bastante! Não sei o porquê, mas quando chove a água de lá
fica uma delícia!
Todavia,
o importante deste texto, começo agora.
Em
um dos dias, sentados sob o guarda-sol, eu e uma amiga vimos umas três crianças
que pareciam pegar diamantes quando as ondas estouravam na praia. Tínhamos a
certeza de que não eram conchinhas, porque a algazarra não seria tanta!
Como
não sou nada curioso... nem um pouquinho! Falei “Vamos lá ver o que eles estão
fazendo?” e ela concordou. Ao chegarmos perto, continuei sem saber de nada.
Quando uma onda estourava, eles olhavam para a areia e de repente corriam para
um certo ponto. Nesse lugar, eles cavavam até achar o que procuravam. E eu
ainda não via nada! Nadinha.
Então,
resolvi perguntar! Cheguei perto de uma menina de, sei lá, uns 6 ou 7 anos
(Observação: é bom lembrar que sou péssimo em acertar a idade das crianças
só pela aparência.) e perguntei: “O que vocês estão catando?” e ela
respondeu “Bichinho!”.
“Mas
que bichinho? Não estou vendo nada...”
Aí,
ela me explicou: “Mas você tem de ser rápido, porque eles vêm com as ondas
e se enterram rapidinho na areia.”
Eu
nunca tinha visto um bicho desses e pedi para que ela me mostrasse um. Aí, ela
pegou, com um menino, uma garrafa de água mineral descartável. A garrafa
estava com areia até a metade e tinha água o suficiente para que a areia
ficasse sempre molhada. Então, a menininha deu um chacoalhão, tapando a boca
da garrafa com as mãos e me mostrou. Agora dava para ver os bichinhos.
Acho
que ela percebeu que eu não estava muito satisfeito, pegou um de dentro da
garrafa e me deu para segurar e ver como ele era.
Só
que eu estava indignado e me perguntava “Como eu não vejo esse bicho na
areia?” e ela respondeu “É que você tem que prestar muita atenção. Quer
ver? Eu te ensino a pegar.” E ela ensinou mesmo. Em pouco tempo, eu já estava
craque! Quando percebi, eu já estava no meio de um monte de crianças catando
bichinho. “Eu vou levar para casa e dar de presente para a minha tia!”,
contou ela. Toda hora parava uma ou outra pessoa para saber o que estávamos
fazendo, ou para conhecer o animal.
Ninguém
ali sabia o nome do “cava-cava”, então, demos esse apelido para ele. Porém,
quando voltei para Barretos, fiquei com aquilo na cabeça. Procurei em vários
livros de biologia, mas nunca achava nada. Só em agosto eu me lembrei de que
“Quem tem boca vai a Roma”. Entrei em sites sobre biologia e mandei e-mails,
descrevendo e pedindo ajuda para identificar o bicho. Recebi várias respostas!
E as comparei com livros e fotos.
O
nome dele é tatuíra (mas também é conhecido como pulga do mar, tatuí, tatu
d’água, etc). É um animal muito
comum nas praias brasileiras, mas é difícil percebê-los. Quando trazidos
pelas ondas, entram em contato com a areia recém-molhada e se enterram com
muita rapidez. Ele é parente do camarão, ou seja, é um artrópode crustáceo.
Em algumas regiões, as famílias pobres os comem fritos porque têm alto valor
nutritivo. Eles também são usados como isca para a pesca.
Assim
como eu não sabia o nome do “cava-cava”, eu não me lembro do nome da
menina. Só sei que eu, na época com 20 anos (agora 21...), aprendi com uma
garotinha de 6 ou 7 anos! E não tenho vergonha disso. Meus
conhecimentos aumentaram! Eu cresci!
A sua idade não importa. Ninguém sabe tanto que não tenha o que aprender. Todo mundo sabe algo que pode ensinar. Não tenha preconceito, converse com crianças e idosos e você se surpreenderá.
Agora é a hora do julgamento! Clique na figura abaixo e fale o que quiser.