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Mitológica
Meu Contos
Publicado no Jornal O Diário de Barretos - 05 de setembro de 2004
O Grande Coração de Eros
Desde o nascimento de Eros, todos sabíamos que aquele garoto iria dar o que falar porque essas foram as palavras do próprio médico, o que foi responsável por sua chegada na Terra. De princípio, ninguém entendeu muito bem o que o doutor queria dizer com aquelas palavras, mas com o passar do tempo, aí sim, soubemos do que se tratava.
As
vizinhas, por não acreditarem, comentavam umas com as outras:
–
Menina, você viu só o filho mais novo da Jararaca ali da frente? É tão
bonzinho que nem parece filho dela...
–
Eu percebi, uma doçura de menino. Ele é o único menino da rua a não
chamar meu filho de “macaco vesgo com reumatismo”!
Era
Eros sobre quem todos comentavam e a quem todos admiravam, apesar dos seus
poucos anos de vida.
Quem
pensa que Eros era bom o suficiente para levar para casa um animalzinho achado
na rua, como todas as crianças fazem, se engana. Ele queria que todos os bichos
da região que estavam abandonados fossem morar em sua casa. E era capaz de
ficar horas no ouvido da mãe para convencê-la de que “onde come um, comem
dois, e onde comem dois, comem três...” até chegar no número vinte e sete,
ou seja, o número de gatos ou cachorros sem dono que ele tinha visto naquele
mesmo dia.
O
sorveteiro, então, adorava quando o garoto conversava com ele porque, diferente
dos outros meninos, Eros não pedia sorvete de graça e nem dava importância à
ausência de dois dedos em sua mão esquerda. Passou a ajudá-lo a vender
sorvete pelas ruas depois que soube de algumas de suas dificuldades financeiras.
Na
medida em que o tempo passava as pessoas falavam:
–
O coração desse menino não pára de crescer!
Como
podia uma criança tão pequena querer resolver todos os problemas do mundo?
Geralmente, as crianças gostam de fazer maldades. Não porque sejam más, mas
simplesmente por curiosidade. Todas elas, alguma vez, já tiraram um peixe do
aquário para ver se ele morre mesmo, ou já rasgaram o material escolar do irmão
mais velho para saber qual seria a reação dele. Mas Eros era diferente,
parecia que já sabia o que tudo isso causava e por isso só fazia coisas que
pudessem agradar as pessoas.
Passavam-se
meses e, mesmo assim, as vizinhas todos os dias comentavam:
–
Ele é tão bom que daqui a pouco o coração sai pela boca!
–
Aquele menino é um anjo!
Cá
entre nós: talvez ele fosse mesmo um anjo, pois ficou muito pouco tempo perto
de nós. Porém, o mais provável é que ele fosse uma criança tão normal
quanto às outras, mas tão bondosa que suas virtudes apagavam da cabeça das
pessoas os seus defeitos e os seus problemas.
Eros tinha o coração tão grande, mas tão grande, que já não cabia mais em seu peito. O médico disse que foi cardiomegalia o motivo que o levou de nossas realidades e o deixou apenas em nossos pequenos corações.
Agora é a hora do julgamento! Clique na figura abaixo e fale o que quiser.