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Mitológica


 

Meu Contos

 

Publicado no Jornal O Diário de Barretos - 25 de abril de 2004

 

Um Dia Inesquecível

 

        Quando menos se espera, nossa vida toma um rumo diferente. Um dia igualzinho aos outros pode, em questões de segundos, transformar-se em um dia inesquecível.

A minha sexta-feira, dia 26 de março, foi um dia desses. Até às 18:00, eu levava a vida como você, meu leitor, está levando até este momento. Fazia eu, normalmente, o caminho dos últimos tempos entre a farmácia, onde faço estágio, e minha casa que não é tão longe; o estranho, meu amigo, foram as coincidências que nele aconteceram e que têm relação com o que vou contar. Só que para contá-las, eu teria de escrever um outro conto, pois as histórias são longas.

“Edu, o bebê já vai nascer. Fui na Kaká, tome um banho rápido que eu já volto. Mamãe”. Comecei a ficar desesperado. Pronto! Era certo de que aquela não seria uma noite normal! Eu não parava de me perguntar “Mas como? Por que ele vai nascer agora? Ainda falta um tempão para o dia marcado pelo médico!”

Minha mãe chegou e, calmamente, disse-me que iria deixar a chave do carro comigo e que ela ia para o hospital com minha irmã e meu cunhado. Ainda no banho, fiquei mais nervoso, porque ela não me colocou a par dos acontecimentos; apressei-me e, quando dei por mim, já estava  no 1º andar da Santa Casa. Foi eu chegar, para minha mãe voltar para buscar tudo o que uma mãe de primeira viagem se esquece.

Ficamos, eu e minha mãe, no quarto nº 128 que fora indicado pela enfermeira, isso somente depois que a Kaká já tinha entrado na sala de operação; meu cunhado ficou andando pelo corredor e tentando saber o que estava se passando com sua esposa. Nervoso? Não! Imagine? Calminho... calminho..., pensava e falava nas dores que sua mulher estaria sentindo, querendo estar junto dela naquele momento tão sagrado e esperado por todos. As enfermeiras? Ele não parava de chamá-las para ter notícias. Você já imaginou, caro leitor, como sofrem essas mulheres de branco com esses pais nervosos e ansiosos? Sabiam que houve mudança de lua naquela noite? Eu também não! A maternidade, lotada. Todos os bebês queriam nascer naquele dia. Logo no dia do nascimento de meu sobrinho e afilhado!”

Sentei-me na cama que ficava de frente para a janela do quarto e ficamos, eu e minha mãe, conversando para que o nervoso passasse e as horas também. Foi neste momento que o inesperado aconteceu: fogos de artifício multicoloridos e maravilhosos espocavam a várias ruas do hospital, ficamos olhando aquele show de cores e brilhos que formavam círculos e chuva colorida.

Era um sinal dos homens! Homens esses, desconhecidos por nós, que fizeram a noite ficar clara, alegre e iluminada pela chegada de uma criança especial. Nossa família agradece a estas pessoas que, sem saber, nos avisou que o nosso Mateus viera ao mundo; a festa de vocês marcou-nos profundamente.

Chovia, meu amigo, uma chuva forte e inesperada; chuva mandada por Alguém acima de nós, simples mortais.

Era um sinal de Deus! Sinal de que a Vida renascia em um ser pequenino, pois naquele momento recebemos o melhor presente, o mais querido e esperado por nossa família! Deus já o estava abençoando e a nós também porque nossa família aumentava naquela noite chuvosa. Isso mesmo, meu amigo, chovia naquela hora tão especial! A chuva é uma benção dos céus!

Deus mandou a chuva para que Mateus chegasse num mundo limpo! Abençoando-o com suas águas puras, a fim de que aquela criança trouxesse a esperança de um mundo melhor; não só para ele, mas também para todos os bebês que naquela noite vieram ao mundo.

Mateus, um ser que veio para unir a nossa família; que fez com que Danilo e Karina se tornassem pais; minha mãe, uma avó coruja; minha avó Anna, uma bisavó maravilhada; eu e minha irmã, Eduardo e Paula, ao contrário do que muita gente disse, não ficamos para titio e titia, mas sim para padrinho e madrinha.

Mateus Machado Borges promete muito! Afinal não é toda criança que chega ao mundo que tem direito a um espetáculo como ele teve.

Que Deus continue abençoando-o por esse seu mundinho afora!

Eduardo Franciskolwisk

 

 

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